O resultado definitivo dos exames chegados de Inglaterra recentemente não deixou dúvidas aos investigadores da Polícia Judiciária. O sangue encontrado no carro dos McCann será mesmo de Madeleine, tal como os vestígios detectados na casa alugada pelos ingleses e onde a criança, então com três anos, desapareceu sem deixar rasto.
A investigação continua, no entanto, num impasse. Sem cadáver e sem confissões continuará a ser possível aos pais da menina criarem a dúvida em tribunal. Não por causa da qualidade dos vestígios, mas sim pelo método usado na recolha. “Tratando-se de um vestígio que não é visível a olho nu é necessário utilizar o ‘low copy number’. O que significa que são extraídos os perfis genéticos de todas as pessoas que deixaram vestígios naquele local. Não se trata de contaminação de indícios, mas sim da possibilidade, quase académica, de haver alguém que tenha um perfil genético idêntico à junção de outros tantos”, afirmou ao CM uma fonte conhecedora do processo.
Neste cenário – e podendo os pais de Maddie criar a dúvida de que tudo não passa de uma gigantesca coincidência – as autoridades continuam à procura do golpe de sorte que poderá mudar o rumo da investigação. As diligências que nas próximas semanas acontecerão em Inglaterra – os interrogatórios aos amigos dos McCann e a apreensão de objectos como o diário de Kate – significam isso mesmo.
Há também como entrave nesta investigação a moldura penal em causa. Os inspectores da PJ defendem que se terá tratado de um acidente, o que coloca o crime no plano do homicídio acidental ou negligente. Os restantes crimes são de ocultação de cadáver e simulação de rapto, o que em nenhuma circunstância prevê a prisão preventiva e a utilização de meios de prova como escutas telefónicas.
Ainda segundo o CM apurou, mesmo que os amigos do casal inglês nada acrescentem à investigação o inquérito deverá resultar em acusação pública. A mesma, no entanto, será da responsabilidade do Ministério Público, podendo a PJ, apenas, dar uma sugestão de qualificação jurídica.
Kate e Gerry McCann também nunca serão julgados em Portugal, devendo o processo, quando estiver concluído, seguir para Inglaterra, onde será apreciado pela Justiça daquele país.
MADELEINE É FILHA DE GERRY E KATE MCCANN
A possibilidade de Gerry e Kate não serem pais de Maddie - dada como certa pelo jornal ‘24 Horas’ - nunca passou de uma hipótese académica, afastada no início da investigação quando foi recolhido o ADN da criança desaparecida. Concebida por inseminação artificial, o património genético da criança pertence ao casal McCann.
ADN NÃO É DOS IRMÃOS GÉMEOS
Foram muitos os vestígios recolhidos pela PJ e não há qualquer hipótese de os que são atribuídos a Maddie serem dos irmãos gémeos, Sean e Amélie. Essa hipótese foi verificada e todos os exames foram repetidos em Portugal e em Inglaterra. Os mesmos também foram recolhidos em dois momentos distintos, em Maio e em Agosto, por investigadores do Laboratório de Polícia Científica e especialistas do Instituto de Medicina Legal.
REUNIÃO EM INGLATERRA
Os investigadores da PJ e os especialistas de Medicina Legal foram a Inglaterra para analisar a recolha de vestígios.
REPETIDOS NOS DOIS PAÍSES
Vestígios recolhidos para chegar ao ADN de Maddie analisados em Portugal e também em Londres.
RASTO DE SANGUE NÃO DEIXA DÚVIDAS AOS INVESTIGADORES
Não é apenas o facto de terem sido encontrados vestígios coincidentes com o ADN de Maddie que leva os investigadores a acreditarem que estão perante um caso de morte. São também os locais onde os mesmos foram encontrados que permitem à Polícia Judiciária reconstruir o que terá acontecido à criança, na noite de 3 de Maio e nos dias subsequentes.
Em primeiro lugar, os cães ingleses detectaram odores de cadáver no quarto, na bagageira do carro e nas roupas que Kate usava naquela noite. Depois, foram encontrados os vestígios de sangue, não visíveis a olho nu, que indicam a presença do cadáver da menina atrás de um sofá do quarto e na mala do carro que só foi alugado 22 dias depois.
A PJ teve também em conta a análise de diversos pormenores durante a investigação: desde a forma como os móveis estavam colocados na casa até aos testemunhos dos vizinhos.
Aí voltou a ser fundamental o depoimento de Pamela Fenn, a inglesa que morava no andar superior ao ocupado pelos McCann. No dia anterior ao desaparecimento da menina aquela moradora ouviu os gritos de Maddie. A criança chorava e gritava pelo pai, sendo audível o descontrolo emocional da mãe.
Pamela Fenn chegou mesmo a falar com os McCann sobre o barulho feito pelas crianças, que a incomodava, tendo os McCann prometido que a situação não se repetiria.
O CM sabe que todos os vestígios que apontam para a presença de Maddie na casa do aldeamento da Praia da Luz permitem ainda definir um rasto de passagem do corpo. Que depois terá sido escondido em local desconhecido e transportado para um local também não determinado.
Recorde-se ainda que os cães ingleses detectaram depois o cheiro de cadáver junto ao pneu sobresselente e nas chaves do carro usado pelo casal durante vários meses. Foi também nesse primeiro local (bagageira) que os animais voltaram a encontrar vestígios biológicos de um ADN que corresponde ao da menina inglesa e cujos resultados afastam a possibilidade de pertencerem aos irmãos gémeos.
AS CERTEZAS DA INVESTIGAÇÃO POLICIAL
ODOR DE CADÁVER
Os cães ingleses detectaram odor de cadáver no quarto onde Maddie esteve pela última vez e nas roupas de Kate. A PJ dá grande credibilidade a este vestígio, já que se trata de cães especialmente treinados
SOZINHAS
As crianças do grupo que acompanhavam os McCann ficavam sozinhas no quarto a partir das 20h00.
TRANSPORTE
Para a PJ é uma certeza. Se Maddie andou no carro dos pais só poderá ter sido depois de morta. O Renault Scénic só foi alugado a 25 de Maio do ano passado.
COMO MORREU
A PJ não sabe como Maddie morreu. A recolha de vestígios e o local onde os mesmos foram encontrados conduz a investigação para um cenário de morte, mas há apenas palpites sobre o que terá acontecido naquela noite.
ONDE ESTÁ O CADÁVER
A descoberta do cadáver de Maddie poderia explicar todo o crime posterior. Só a autópsia permitiria determinar o que efectivamente aconteceu à criança inglesa, desapareci-da desde o dia 3 de Maio.
CASA DE ROBERT MURAT REVIRADA
A casa de Robert Murat foi duas vezes revirada pela Polícia Judiciária, que procurava vestígios da passagem da menina. Em nenhuma das situações foi encontrado qualquer indício, qualquer perfil genético que coincidisse com o de Madeleine. Também o carro de Murat e da sua mãe foram alvo de perícias, mas o resultado voltou a ser nulo. Mesmo assim – e porque nos últimos meses alguns amigos dos McCann garantem ter visto Murat nas imediações do aldeamento na noite do desaparecimento – a PJ não propôs o arquivamento do caso relativamente ao britânico. Vai manter-se como arguido até ao final da investigação policial.
PROVA CIENTÍFICA
Sem confissões ou cadáver, a PJ apostou tudo na prova científica: que nunca é absoluta e que necessita de ser cruzada com outros elementos.
MEDICAMENTOS PARA DORMIR
A hipótese de terem sido dados calmantes às crianças para dormirem sempre foi equacionada. No entanto, não há qualquer exame que o demonstre.
APREENSÃO DE DIÁRIO
O diário de Kate poderá ser apreendido nas próximas semanas. É fundamental para traçar um perfil psicológico da mãe da criança britânica.
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