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Facturas falsas dão acesso a crédito

A crise económica com que muitas famílias portuguesas se confrontam está a ser aproveitada por agiotas com um novo tipo de fraude. Em publicidade anónima distribuída em pontos estratégicos, estes burlões prometem empréstimos que conseguem junto de empresas financeiras através da apresentação de facturas falsas.
16 de Maio de 2005 às 13:00
Mal o crédito seja aprovado, o cliente paga, à cabeça, uma comissão que ascende aos 30 por cento do empréstimo, além dos habituais juros. Ou seja, os consumidores ficam a pagar juros sobre 100%, mas só ficam com 70% do montante, porque descontaram a comissão para a rede de intermediários.
Fazendo-se passar por um possível cliente, o CM contactou um destes agiotas que explicou que perante um pedido de empréstimo de qualquer montante até 15 mil euros entra em contacto com empresas comerciais, de uma rede com a qual trabalha, com o objectivo de obter uma factura no valor do crédito pretendido.
“Essa factura é passada como se o cliente estivesse a comprar um bem, que não chega a ser adquirido”, explica a mesma fonte.
O caso já chegou ao conhecimento da Associação de Sociedades Financeiras para Aquisições a Crédito (ASFAC) que apresentou queixas junto do Banco de Portugal e da Polícia Judiciária. “A detecção destes casos é muito difícil, porque, normalmente, partem de um acordo entre quem passa a factura e quem pede o crédito no âmbito do qual nenhuma das partes denuncia a outra”, explicou ao CM Susana Albuquerque, da ASFAC.
De acordo com aquela responsável, no momento do pedido de crédito a fraude não é detectada “porque a falsificação de documentos é muito bem feita”. Depois do crédito concedido também é difícil detectar estas situações, a menos que por alguma razão o cliente diga que não recebeu o bem que supostamente ia comprar.
“É preciso alertar os consumidores para não caírem nestas situações que, por falta de informação, até podem ser levados a pensar que são legais”, frisou Susana Albuquerque.
Note-se que o endividamento dos particulares correspondia já a 117% do rendimento disponível dos portugueses no final de 2004.
PASSO A PASSO
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Os agiotas distribuem pequenos papéis nos quais prometem empréstimos até 15 mil euros em locais estratégicos, como caixas de Multibanco.
Esses papéis não têm nomes, apenas números de telemóvel para que os interessados possam contactar a rede.
FACTURAS
Na posse das facturas falsas – obtidas junto de empresas da sua rede – e dos documentos do cliente, os agiotas dirigem- -se a instituições de crédito para fazer o pedido de empréstimo do valor pretendido. Os burlões dão preferência a financeiras nas quais os clientes não tenham qualquer crédito.
EMPRÉSTIMOS
Uma vez dado o aval das instituições de crédito, o dinheiro é transferido para a conta do cliente, na qual mensalmente são debitadas as prestações devidas. O cliente paga 19% do IVA da factura utilizada e 11% de comissão aos burlões.
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