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Famílias sobreendividadas duplicam

Os pedidos de apoio das famílias com problemas de endividamento à Associação de Defesa do Consumidor (DECO) subiram praticamente para o dobro em 2008, face aos dados do ano anterior. Já o número de agregados directamente ajudados pelo Gabinete de Endividamento da DECO quase quadruplicou nos últimos quatro anos.
8 de Janeiro de 2009 às 22:00
Pedidos de ajuda de famílias endividadas não param de subir
Pedidos de ajuda de famílias endividadas não param de subir FOTO: Sérgio Lemos

Ainda antes de o País ter entrado em recessão e perante o avolumar da crise económica, em 2008, "houve um aumento significativo dos pedidos de esclarecimento de famílias com problemas de endividamento". Os números a que o CM teve acesso mostram que, no último ano, entre ajuda directa e indirecta, 8758 portugueses recorreram ao aconselhamento da DECO por não conseguirem pagar empréstimos e serviços (dívidas ao banco, crédito para a compra de electrodomésticos e facturas da água e luz): 2810 pediram informações telefónicas e pessoais, 2728 pediram apoio por escrito e 1186 foram acompanhados nas consultas. Em 2007, eram apenas 4641.

Nos casos mais graves, a DECO abriu 2034 processos de ajuda, quando há quatro anos eram apenas 573. Desde 2000, quando a associação começou a fazer o acompanhamento de problemas financeiros, o número de casos graves tratados pelo gabinete tem vindo a crescer, tendo já chegado aos 7512 processos.

Os números são ainda mais preocupantes quando reflectem o volume das dívidas existentes. Perto de dois terços (60%) dos agregados têm mais de três créditos e menos de dez contraídos e apenas 35% está numa situação em que os encargos se resumem a dois empréstimos.

Aliás, quando os valores são cruzados com o dinheiro que cada família tem ao seu dispor em cada mês, as dificuldades acrescem. Os dados mostram que 29% das famílias sobreendividadas apoiadas pela DECO têm salários situados entre os 500 e os 1000 euros. Outros 30% não recebem mais de 1500 euros no total do rendimento familiar.

Fazendo um retrato de norte a sul, apesar de os pedidos de auxílio surgirem de todos os pontos do País, as Regiões de Lisboa, Porto e Coimbra são aquelas em que se contabiliza maior número de casos. Na capital, 2008 encerrou com 897 processos de acompanhamento, no Porto houve 431 e em Coimbra 258.

BASÍLIO CONTRARIA CENÁRIO DE CONSTÂNCIO

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) não acredita nas previsões do Banco de Portugal que apontam para uma quebra de 3,6 por cento nas exportações em 2009. "É óbvio que não vamos crescer como aconteceu no ano passado. Se isso acontecesse, tínhamos todos de ir a Fátima de joelho", diz Basílio Horta.

Aquele responsável fez ontem um balanço da actividade da AICEP, no final do Fórum dos embaixadores portugueses, que se realizou no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"Até Outubro de 2008, as exportações continuavam a crescer (3,3 por cento)", diz Basílio Horta, que reconhece que os contratos de investimento contratualizados pela AICEP somaram, no final de 2008, dois mil milhões de euros, menos mil milhões do que o contratualizado em 2007.

Para 2009, os mercados prioritários para as exportações portuguesas serão Angola, Singapura e Malásia (para onde já são vendidos produtos portugueses no valor de mil milhões de euros), Tunísia, Líbia, Brasil, Turquia e Ucrânia.

As exportações portuguesas para fora da União Europeia cresceram, até Outubro, cerca de 15 por cento, com Angola a ocupar a 5ª posição nos principais clientes de produtos nacionais.

CONSELHOS

ORÇAMENTO

Antes de pedir um crédito avalie os rendimentos e as despesas mensais para apurar se pode suportar mais um encargo. A DECO tem um simulador na sua página de internet que ajuda nas contas em http://www.deco.proteste.pt.

INFORMAÇÃO

É essencial estar bem informado sobre as condições do crédito, como as taxas de juros, os spreads praticados pelas instituições financeiras e as taxas efectivas a pagar anualmente.

COMPARAÇÃO

Antes de contratar um crédito compare as taxas e as condições oferecidas pelas diferentes instituições. Compare também as condições impostas para a amortização antecipada do empréstimo.

CARTÃO DE CRÉDITO

Sempre que precisar de usar o cartão de crédito pague a totalidade da despesa logo que possível. As taxas de juro associadas a estes cartões variam entre os 20 e os 30 por cento.

FÁBRICA DE ÉVORA DISPENSA 536

A fábrica de Évora da multinacional norte-americana Tyco Electronics anunciou a intenção de suspender o contrato de trabalho de alguns dos 1600 trabalhadores.

Apesar de não divulgar o número de funcionários abrangidos, a empresa alega que a decisão é "imperiosa" para assegurar "a viabilidade económica" da unidade fabril.

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) referiu ontem em comunicado que está a acompanhar o evoluir da situação de suspensão de cerca de 536 trabalhadores da Tyci Electronics.

CITROEN PODERÁ PARAR OUTRA VEZ

Os 1400 trabalhadores da PSA Peugeot Citroën de Mangualde voltaram ontem ao trabalho, após um mês em que a produção esteve suspensa. Os operários regressaram com um misto de sentimentos. Por um lado, estão "satisfeitos" por voltar ao trabalho, mas, por outro, "apreensivos" com a crise instalada no mercado automóvel. A empresa vai reduzir a produção de três para dois turnos e não vai renovar o contrato a 400 trabalhadores com contrato a termo certo. Para o fim do mês está prevista uma nova paragem da produção.

DESEMPREGO AUMENTA

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou 2,9 por cento em Novembro, face a igual período do ano passado. Esta é a subida mais alta do desemprego nos últimos três anos, de acordo com dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Em Novembro, estavam registados nos centros de emprego 408 598 desempregados, mais 11 406 do que no mesmo mês de 2007. Os números revelados em Dezembro denunciam também que o sector da construção é o mais afectado.

SEM TRABALHO CALOTES SOBEM

Segundo os dados da DECO, o desemprego é a principal causa do incumprimento das famílias portuguesas. 53% dos processos de reestruturação de dívidas acompanhados pela associação resultam de falhas provocadas pela falta de trabalho. Os problemas de saúde são o segundo factor a criar situações de dificuldade financeira (18%), seguidos de perto pelas alterações no agregado familiar. A morte do cônjuge ou o divórcio motivaram 15% dos casos.

"VIVER PARA BAIXO DA PONTE?"

Carlos, nome fictício, perdeu o emprego por motivos de saúde. Com a doença, veio o desemprego e as dívidas que não pararam de crescer. Carlos é apenas um dos milhares com dívidas no País. Sem perspectivas de que a sua situação melhore em 2009, queixa-se da falta de vontade das instituições. "Se eu não tenho dinheiro para pagar as dívidas, faço o quê? Vou viver para baixo da ponte?", lamenta. A mais recente dívida de Carlos é da Segurança Social.

NOTAS

DIFICULDADES: DURÃO BARROSO

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, vaticinou ontem meses "muito intensos" para a União Europeia, reiterando a prioridade da recuperação da economia europeia

MUDANÇAS: ORÇAMENTO 2009

O Orçamento suplementar de 2009 que o Governo se prepara para entregar na Assembleia da República é a primeira alteração a um orçamento em curso que é feita logo em Janeiro

ALCOBAÇA: FÁBRICA FECHA

A fábrica de cerâmica Raúl da Bernarda, em Alcobaça, vai fechar e deixar 144 pessoas no desemprego. A insolvência da empresa centenária já tinha sido pedida em 2008.

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