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Fava e Câncio usaram milhões de Sócrates

Compra de monte feita com dinheiro e com recurso a garantias de Santos Silva. Fernanda e Sócrates tentaram comprar casa de três milhões no Chiado.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) e Tânia Laranjo 6 de Março de 2016 às 01:45
Sofia Fava (à esquerda) é ex-mulher e mãe dos dois filhos de José Sócrates. Apesar de divorciados há muitos anos, mantêm uma boa relação. Fernanda Câncio é jornalista e ex-namorada do antigo primeiro-ministro
Sofia Fava (à esquerda) é ex-mulher e mãe dos dois filhos de José Sócrates. Apesar de divorciados há muitos anos, mantêm uma boa relação. Fernanda Câncio é jornalista e ex-namorada do antigo primeiro-ministro FOTO: Hugo Rainho e Pedro Catarino
Sofia Fava e Fernanda Câncio, ex-mulher e ex-namorada de José Sócrates, ajudaram a esconder a origem de milhares de euros do ex-primeiro-ministro. A verificação desses indícios levou dois assistentes no processo, jornalistas do Correio da Manhã, a requererem a constituição de arguidas de Fava e Fernanda Câncio, por branqueamento de capitais e fraude fiscal.

O MP indeferiu, para já, o pedido, alegando que na fase em que se encontra o processo não será necessária a constituição de arguidas. Continuam apenas como testemunhas.

É, no entanto, o próprio Ministério Público que garante que ambas usufruíram de valores que estavam em nome de Carlos Santos Silva, mas que seriam do ex-primeiro-ministro.

Fava chegou mesmo a comprar um monte no Alentejo, que terá sido pago por Santos Silva, também através de um esquema ardiloso. A prestação inicial de 100 mil euros para a compra do Monte das Margaridas, em Montemor-o-Novo, resultou, por exemplo, de uma transferência do amigo de Sócrates para Fava, que também suportou as garantias bancárias do empréstimo de 750 mil euros usado para adquirir o imóvel, em 2012.

As prestações do monte também foram parcialmente pagas com transferências ordenadas por Sócrates, a partir de uma conta na Caixa Geral de Depósitos, no valor de 115 mil euros. Os restantes pagamentos, num valor superior a 162 mil euros, foram feitos entre fevereiro de 2013 e junho de 2014 pela empresa de Santos Silva, XLM- Sociedade de Estudos e Projetos.

Ao longo da investigação do processo Marquês, foram detetadas inúmeras transferências de Sócrates e Carlos Santos Silva para Sofia Fava. Valores elevados e pouco coincidentes com a vida "remediada" que o arguido dizia ter e que indiciam que a ex-mulher podia conhecer a proveniência dos mesmos milhões.

Fava também acompanhou as obras da casa de Paris – avaliada em quatro milhões. Várias vezes Fava discutiu com o ex-marido pormenores das obras, nomeadamente por causa dos atrasos. Sócrates diz que o imóvel pertence a Santos Silva; o Ministério Público assegura que é do ex-primeiro-ministro.

Quanto a Fernanda Câncio – que tentou também calar o CM e a CMTV, interpondo uma providência cautelar – que foi indeferida – gozou férias de luxo financiadas por Santos Silva. As férias foram pagas com fundos que as autoridades acreditam terem como verdadeiro dono o ex-governante.

Câncio e Sócrates chegaram a tentar comprar uma casa no Chiado, que valia três milhões de euros, e visitaram uma quinta em Tavira com o propósito de a adquirirem. As escutas telefónicas mostram ainda que Câncio poderia saber que o dinheiro era de José Sócrates.
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