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Fraude envolve 29 farmácias

Faltam remédios e há ordenados em atraso. Desligam multibanco para receber em dinheiro. Queixas já chegaram ao Infarmed e Ministério Público.
17 de Setembro de 2011 às 00:30
A empresa Alguer, que gere as 29 farmácias, funciona por cima de uma farmácia em Queluz
A empresa Alguer, que gere as 29 farmácias, funciona por cima de uma farmácia em Queluz FOTO: Duarte Roriz

São cerca de 29 as farmácias que estão, neste momento, com sérias dificuldades financeiras porque se envolveram num esquema que camuflava o desvio e exportação de medicamentos. Em algumas farmácias, localizadas em Setúbal, Lisboa, Almada, Barreiro, Oeiras, Parede, Queijas, Loures, Odivelas, Beja e Mértola, no Alentejo, Olhão, no Algarve, os trabalhadores estão com ordenados em atraso e os medicamentos estão em falta.

As queixas dos doentes chegaram ao Infarmed, que terá feito inspecções em algumas farmácias, e ao Ministério Público.

Diamantino Elias, do Sindicato dos Profissionais de Farmácias e Paramédicos (Sifap), diz que "a propriedade das farmácias não é clara", sublinhando que a lei de 2007 "não permite a concentração de mais de quatro farmácias" num só proprietário e que, neste caso, suspeita-se de que haja concentração de 29.

O dirigente sindical denuncia que, numa farmácia em Almada, desde Julho que os funcionários não aceitam pagamentos por multibanco para reterem o dinheiro para os seus salários e remédios. O mesmo se passa numa outra em Oeiras.

Ao que o CM apurou, a gestão das 29 farmácias é feita pela empresa Alguer, em Queluz. Os proprietários venderam as farmácias, a maior parte em 2008, a um representante da Alguer. Em alguns casos, a venda não foi concretizada por falta de pagamento. Noutros, os proprietários mantiveram-se como directores técnicos e passaram a ter quotas das outras farmácias do grupo, que se tornaram Sociedades Anónimas.

A Alguer concentrava também as compras. Os medicamentos eram facturados às farmácias, davam entrada nos stocks, mas depois voltavam a sair com notas de devolução para armazenistas. As farmácias deixaram de ter medicamentos para vender. O CM tentou contactar os gestores da empresa Alguer, mas não foi possível obter esclarecimentos.

INFARMED INVESTIGA REGISTO DE REMÉDIOS

Ao que o CM apurou, depois de muita insistência - queixas de utentes e do Sifap - o Infarmed fez inspecções numa farmácia em Almada. Foram levados todos os registos de entradas e saídas de medicamentos. Um dos problemas da investigação, segundo fonte do processo, "é o facto de os proprietários que venderam as farmácias e se mantiveram como directores técnicos não apresentarem queixa, porque sabem que também podem ter cometido ilegalidades".

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