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Gang sequestra avô de colega da escola

Tocaram à campainha e disseram-se funcionários da EDP. ‘António’, reformado de 80 anos a viver em Chelas, Lisboa, viu a farda e abriu a porta a quatro jovens sem pestanejar. Eram afinal colegas do neto – e estavam ali para roubar. Mais concretamente a moto guardada numa arrecadação. Puxaram das armas, amarraram ‘António’ com fios eléctricos e espancaram-no dentro de casa. O idoso resistiu a entregar as chaves da moto, mas roubaram tudo o que viram à sua volta.
11 de Janeiro de 2009 às 22:00
Aumentam assaltos à mão armada a residências
Aumentam assaltos à mão armada a residências FOTO: Ricardo Cabral

‘António’ acabara de se tornar mais uma vítima de assalto à mão armada na sua própria casa – nova forma de criminalidade conhecida como homejacking. O caso, descrito ao CM por um responsável da Judiciária como um dos mais violentos dos últimos tempos, é apenas um em 58 registados pela directoria de Lisboa da PJ desde o último Verão – a revelar que os assaltos à mão armada em casas particulares são cada vez mais frequentes.

"Esta é uma forma de criminalidade que não estava tão explorada e que tem vindo a sê-lo, fruto também do aumento da crise social e económica", admite fonte da PJ. No entanto, apesar do aumento do número de casos, a mesma fonte diz que a situação ainda "não é nada de alarmante".

De acordo com o responsável, é frequente haver uma "relação entre os assaltantes e as vítimas" e os suspeitos "sabem o que vão encontrar no interior das residências". Em muitas situações os assaltantes planeiam o roubo ao pormenor, vigiando as habitações e "estudam os hábitos de vida dos moradores". E muitas vezes fazem--se passar por "funcionários de empresas como EDP [como no caso de Chelas, com um idoso de 80 anos a ser brutalmente agredido], da TV Cabo, CTT ou até falsos polícias".

Em Sintra, num dos casos investigados pela PJ, os suspeitos sabiam que a casa tinha sistema de videovigilância e acabaram por roubar também as respectivas cassetes, para não serem identificados pela polícia.

LADRÕES EVITAM CORRENTES DE PORTA E ALARMES

Para evitar este tipo de assaltos, a Polícia Judiciária aconselha os cidadãos a "não abrir as portas ao primeiro impulso e ter sistemas de segurança instalados". De acordo com fonte da PJ, na maior parte dos casos, uma simples corrente na fechadura que impeça a abertura total da porta pode evitar um assalto violento. Da mesma forma, quando alguma pessoa disser que é funcionário do Estado ou de uma empresa privada, deve ser exigida a apresentação das respectivas credenciais por debaixo da porta e, em caso de dúvida, não hesitar em contactar a polícia. A PJ alerta ainda para quando se aperceber de estranhos a entrar no prédio em que habita. "Não entre. Volte para trás e espere." Por último, pessoas que vivam sozinhas não devem relatar essa situação a pessoas que não conheçam.

PJ DE LISBOA INVESTIGA 800 ROUBOS VIOLENTOS

Segundo os dados da secção de roubos da Directoria de Lisboa da Polícia Judiciária havia, no final do ano passado, 800 processos por resolver relativos a assaltos com recurso a violência. Sem pormenorizar, a Polícia Judiciária admite que a maior parte dos casos ocorreu em postos de combustível, farmácias, bancos e ourivesarias.

Os casos de carjacking e homejacking – roubos de carros e casas com violência sobre os ocupantes ou moradores – também contribuem para o elevado número de processos actualmente sob investigação. São 58 casos só nos últimos seis meses.

PORMENORES

IDOSO RESISTE

Apesar de ter sido espancado, ‘António’ resistiu aos quatro ladrões e não entregou a chave da arrecadação onde a mota do neto estava guardada. Os assaltantes levaram computadores, leitores de MP3, telemóveis e roupa. Acabaram por ser presos pela PJ de Lisboa.

MULHER ASSALTADA

Há uma semana, em Sintra, uma mulher abriu a porta a dois homens que se identificaram como funcionários da TV Cabo e foi vítima de assalto à mão armada. Os ladrões levaram jóias e dinheiro.

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