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Gastos com VIH/sida disparam nos hospitais

Portugal já despende 200 milhões de euros por ano e a tendência é para aumentar.
5 de Julho de 2011 às 00:30
O número de novos doentes tem descido nos últimos anos
O número de novos doentes tem descido nos últimos anos FOTO: Getty Images

O Hospital Egas Moniz gastou, no ano passado, 16,2 milhões de euros em medicamentos para a sida, quase dois milhões a mais do que em 2009, o que representa um aumento de 13%. Trata-se de um acréscimo de custos generalizado nos hospitais portugueses e que os diversos agentes da área da saúde contactados pelo CM atribuem aos preços elevados dos fármacos mais recentes, uma vez que o número de novos casos tem descido nos últimos anos.

Os números mais recentes avançados pela Coordenação da Luta contra a Sida apontam para um gasto com a doença de 200 milhões de euros por ano e a tendência parece ser para aumentar.

Num esclarecimento enviado ao CM, a administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) – inclui os hospitais Egas Moniz, S. Francisco Xavier e Santa Cruz, mas só o primeiro trata estes doentes – atribui o aumento nos gastos com "um acréscimo de 150 novos doentes" e aos preços elevados dos novos medicamentos.

"Em muitas situações, o vírus torna-se resistente ao tratamento, havendo necessidade de os doentes mais antigos alterarem a terapêutica, passando a utilizar fármacos mais recentes e muito mais dispendiosos", refere o CHLO, que assiste actualmente "cerca de 1700 doentes com medicação anti-retroviral". Os gastos com remédios para o VIH//sida representam quase metade dos gastos com medicamentos em ambulatório do Egas Moniz.

No Relatório e Contas de 2010, a administração do CHLO deixa claro que "enquanto não forem adoptadas políticas específicas de financiamento destes medicamentos de distribuição gratuita, as despesas realizadas nesta área, e dificilmente inevitáveis, repercutem-se negativamente na estrutura de custos das instituições". Hoje, há 22 500 pessoas com sida em tratamento nos hospitais portugueses.

INOVAÇÃO ENCARECE PREÇOS

As áreas do VIH/sida e do cancro são aquelas em que hoje mais se gasta em medicamentos nos hospitais portugueses. Um relatório da consultora IMS Health apontava para uma despesa global superior a 700 milhões de euros entre Julho de 2009 e Junho de 2010. "São áreas muito caras, onde a inovação é muito forte, que registam crescimentos significativos nos custos", afirmou ao CM Pedro Lopes, presidente da Associação de Administradores Hospitalares. O responsável sublinha que "a gratuitidade não pode ser posta em causa", apelando à "capacidade dos hospitais para, na sua gestão, compensarem estes gastos com mais efectividade noutras áreas".

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