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Gerry nunca falou à PJ da tese de rapto

Pai de Madeleine revelou agora suspeitar que o raptor estaria no quarto quando foi ver pela última vez as crianças, mas a verdade é que nos vários contactos que manteve com os investigadores nunca o disse. Polícia Judiciária estranha também postura dos McCann que, já em Julho, acreditavam que Maddie estava morta.
26 de Setembro de 2007 às 13:00
Gerry nunca falou à PJ da tese de rapto
Gerry nunca falou à PJ da tese de rapto FOTO: d.r.
Gerry McCann nunca falou à Polícia Judiciária da tese agora difundida pelos jornais ingleses de que o raptor estaria no quarto quando foi ver as crianças. Esta nova tese causa estranheza aos investigadores, já que o pai de Maddie foi ouvido formalmente quatro vezes em Portimão e mantinha contactos regulares com a polícia portuguesa. “Tinha instruções para nos ligar a qualquer hora caso se lembrasse de um pormenor importante. Esse seria seguramente relevante, mas ele nunca falou”, disse ao Correio da Manhã fonte policial.
A PJ estranha também os receios agora revelados pelo casal, que pela voz de Clarence Mitchell dizem ter medo de receber um telefonema dando conta de que Madeleine está morta.
Esta informação contraria a anterior postura do casal, que ainda em Julho dizia à PJ não acreditar que fosse possível encontrar Madeleine viva, tendo mesmo recorrido aos serviços de um professor sul-africano especialista na detecção de cadáveres.
A versão dos McCann só parece ter mudado em Agosto, ao tomarem conhecimento de que os cães ingleses, que eles souberam em primeira mão terem sido chamados pela polícia, detectaram odor de cadáver no apartamento do Ocean Club.
INGLESES DÃO VOZ A FAMÍLIA
A tese do raptor que estaria no quarto foi conhecida pela primeira vez no passado fim-de-semana. Citando fontes próximas do casal, a imprensa inglesa deu conta de que Gerry dizia suspeitar que o raptor estava no quarto quando foi ver os filhos.
Nessa noite, continuava o médico, o casal jantava com o grupo de amigos perto do apartamento do Ocean Club e revezavam-se para ir verificar se estava tudo bem com as crianças.
O pai de Madeleine conta agora que quando chegou ao apartamento, por volta das 21h00, reparou que a porta do quarto dos filhos estava aberta. Calculou que Madeleine tivesse acordado com sede e se dirigisse à cozinha para beber água. Quando Gerry foi verificar como estavam os filhos, todos dormiam e o pai não pensou no pior. Contudo, olhando para trás, Gerry acredita agora que o raptor estivesse no quarto e que se escondeu quando entrou para ver os filhos.
REDE DE ADOPÇÃO ILEGAL DE CRIANÇAS
Uma das primeiras teses foi ter-se tratado de um rapto de uma rede ilegal de adopção de crianças. A hipótese foi afastada por haver outras duas crianças, mais pequenas, no mesmo quarto.
QUADRO DE ABUSOS SEXUAIS
Outra teoria que circulou nas primeiras horas foi a de que Maddie teria sido raptada por um grupo que se dedicava ao abuso sexual de menores. PJ vasculhou bases de dados e nada encontrou.
SUSPEITOS ÁRABES
Diversos jornais divulgaram no início do caso que a Judiciária investigava a ‘pista árabe’. A criança teria então sido raptada e levada para um país muçulmano. A hipótese não foi confirmada.
ACIDENTE ENVOLVENDO MÃE
A PJ acredita ter-se tratado de um acidente envolvendo a mãe de Maddie. Não sabem como a criança terá morrido, mas defendem que a menina não sobreviveu àquela noite.
LIMITAÇÕES LEGAIS AOS PRIVADOS
O casal McCann anunciou também nos últimos dias a intenção de contratar investigadores privados para procederem à busca de Maddie em Portugal. O motivo da procura estaria relacionado com a falta de confiança nos investigadores da Polícia Judiciária, que se teriam desviado do essencial: em procurar o raptor da criança.
No entanto, fontes judiciais contactadas pelo CM confirmaram ser muito difícil o trabalho de investigadores privados no nosso país, atendendo ao enquadramento legal. Em primeiro lugar, os mesmos não poderão aceder a qualquer dado da investigação, que se encontra coberta pelo segredo de justiça, não podendo ainda recolher provas em determinados locais. O mais relevante será mesmo a proibição em entrarem no apartamento onde a criança terá sido vista pela última vez. Os investigadores privados não podem recolher aí qualquer vestígio, já que a Polícia Judiciária ordenou que nenhum estranho ali entre.
PORMENORES
A ETERNA SUSPEITA
Kate e Gerry McCann temem que a suspeita que recai sobre eles só passe no dia em que o corpo for encontrado, noticiou ontem o ‘Daily Mirror. O jornal britânico cita fontes próximas do casal e recorda que, sem o corpo da criança, a polícia portuguesa também dificilmente os consegue acusar – não lhes permitindo assim provar a inocência.
ANEDOTA PUNIDA
Dave Longley, um comediante inglês de 29 anos, viu-se obrigado a deixar os palcos, em Liverpool, por ter contado uma anedota sobre o caso da criança desaparecida a 3 de Maio.
AMA DESMENTE KATE
Uma babysitter presente no local no momento em que foi dado o alerta sobre o desaparecimento de Maddie desmentiu Kate McCann, afirmando que assim que se percebeu da ausência da filha a mãe de Madeleine gritou “eles levaram-na” e não “a Maddie desapareceu”, como o casal tinha afirmado durante o decorrer das investigações.
MADDIE TERÁ SIDO FOTOGRAFADA EM MARROCOS
De acordo com a estação de rádio espanhola ‘Cadena Cope’, a Interpol equaciona a hipótese de uma menina transportada às costas por uma mulher marroquina que aparece numa fotografia tirada por uma turista espanhola poder ser Madeleine McCann.
A fotografia foi tirada por Clara Torres, que passava por uma estrada entre Chaouen e Tetuán, no Norte de Marrocos, a 31 de Agosto. A turista espanhola diz ter desconfiado na altura e tirou a fotografia, mas só anteontem, depois de ouvir falar na hipótese de a criança estar em Marrocos, enviou a imagem por correio electrónico à comissária do corpo nacional de polícia da cidade que, por sua vez, fez chegar a fotografia à Interpol.
Uma fonte da Polícia Judiciária contactada pelo ‘CM’ afirmou desconhecer qualquer fotografia.
QUALIDADE FOTOGRÁFICA DIFICULTA
A qualidade da fotografia não é perfeita, sendo difícil avaliar se se trata efectivamente de Maddie, a menina desaparecida no Algarve.
CLARA TORRES
"A menina chamou-me a atenção por ser muito loira. Tirei a fotografia mas só ontem [anteontem] quando cheguei a Espanha mandei ampliar e chamei a polícia lá a casa."
"Levaram-me um CD com todas as fotos mas disseram que o resultado demorava 10 a 15 dias. Fui com um amigo advogado à embaixada inglesa e falámos com os advogados da família."
"Os advogados dos McCann disseram-me que não havia 100 por cento de fiabilidade mas que há uma grande possibilidade de aquela ser a menina inglesa."
GASOLINEIRO NÃO SE LEMBRA DE NORUEGUESA
O gasolineiro de Marraquexe, onde alegadamente Madeleine teria sido vista, ainda em Maio, garantiu à PJ não se recordar sequer da presença da norueguesa. Mari Olli, ex-assistente num centro para crianças com deficiência mental, a viver há cinco anos nos arredores de Málaga, em Espanha, assegurava ter visto a criança na presença de um estranho de aparência árabe. Interrogado pelas autoridades, o gasolineiro garantiu não ter visto a menina, nem tão-pouco a testemunha.
Recorde-se que Mari Olli também omitiu à polícia que o marido era natural da mesma cidade onde nasceu Gerry Mc-Cann. Entretanto, nos últimos dias – e para credibilizar o testemunho da norueguesa – o porta-voz dos McCann deu conta de que outro turista inglês teria visto Maddie em Marraquexe.
NOTAS
MANOBRAS DE DIVERSÃO
“Todos os dias o casal cria novos factos na Comunicação Social. São manobras de diversão”, diz ao CM Carlos Anjos, presidente da ASFIC.
MILIONÁRIOS MANTÊM OFERTAS
Os milionários Richard Branson e Brian Kennedy mantém as ofertas de milhares de euros aos McCann para que se defendam de possíveis acusações por homicídio.
TESTEMUNHA DIZ TER VISTO MURAT
O ‘Daily Mail’ de ontem cita uma fonte que terá estado de férias na Praia da Luz a garantir que Robert Murat esteve no Ocean Club na noite do crime, 3 de Maio.
GÉMEOS ACREDITAM EM VIAGEM
Os gémeos Sean e Amélie, segundo a imprensa britânica, continuam a acreditar que a irmã mais velha foi viajar e ainda não regressou a casa.
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