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Godinho pagou pacto de silêncio

Sucateiro de Ovar contratou advogados de co-arguidos e ofereceu quantias mensais aos réus para não falarem. Quis enganar a Justiça, diz o MP
15 de Setembro de 2010 às 00:30
Manuel Godinho continuou a gerir as suas empresas da prisão, com a ajuda da sua secretária Maribel Rodrigues
Manuel Godinho continuou a gerir as suas empresas da prisão, com a ajuda da sua secretária Maribel Rodrigues FOTO: José Rebelo

Manuel Godinho pagou o pacto de silêncio no processo ‘Face Oculta’. Quem o diz é o magistrado que tutela o processo, na resposta ao recurso interposto pelo sucateiro de Ovar em que aquele pedia para sair em liberdade.

Carlos Filipe, procurador-adjunto, garante mesmo que só a cadeia poderá obstar a que o arguido continue a sua actividade criminosa, atendendo a que, mesmo depois de preso, aquele continuou a tentar manipular a produção de prova. "Com efeito, determinou o sentido do depoimento de alguns dos co-arguidos através do pagamento dos honorários dos respectivos defensores e bem assim de um quantitativo monetário mensal", escreve o procurador, que termina dizendo que Manuel Godinho "visou e assegurou um verdadeiro pacto de silêncio".

No mesmo recurso, o MP dá conta da existência de provas desses factos, provas essas que passam por vigilâncias e escutas telefónicas. Está por exemplo documentado nos autos uma entrega de mil euros a um arguido após o primeiro interrogatório, como contrapartida pelo silêncio.

Para o procurador, Manuel Godinho também não pode ser libertado porque poderia continuar a actividade criminosa. Isto é, embora tenha renunciado formalmente aos poderes de gestão dentro da empresa, a verdade é que, segundo o procurador, tal não é verdade. Se assim não fosse, diz o magistrado Carlos Filipe, não faria sentido que a sua secretária Maribel Rodrigues tivesse pedido para o visitar na cadeia, de forma a tratar de assuntos empresariais. Quanto mais não fosse porque Maribel e Godinho tinham o mesmo advogado, sabendo a primeira que aquele renunciara ao poder de gestão.

Ainda segundo o mesmo recurso, Godinho possui uma rede de influências que lhe permite continuar com os mesmos comportamentos, o que levaria a que fosse "impossível" à investigação "consolidar a prova" recolhida.

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