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Golfinho e cão deram à costa

Os polvos não foram os únicos animais a surgirem mortos no areal. Um cetácio e um bulldog apareceram nas praias da Granja e da Madalena.
4 de Janeiro de 2010 às 00:30
Vários populares aglomeram-se ontem junto ao golfinho que deu à costa
Vários populares aglomeram-se ontem junto ao golfinho que deu à costa FOTO: José Rebelo

O mar continua a surpreender os moradores na zona costeira de Vila Nova de Gaia. Durante o dia de ontem as águas trouxeram para terra 60 quilos de polvos, um golfinho e um cão de raça bulldog. Todos os animais estavam mortos há dias, mas ninguém sabe de onde vieram.

A incógnita mantém-se também quanto à identidade do pé humano que anteontem deu à costa no interior de uma bota. Os familiares dos pescadores desaparecidos em Dezembro, em Viana do Castelo, garantem que o calçado não pertence às vítimas (ver caixa).

A quantidade de polvo que deu à costa é muito inferior àquela que foi recolhida no dia anterior, em que os bombeiros retiram meia tonelada de moluscos de uma área da costa com cinco quilómetros. E a tendência, segundo a Polícia Marítima, é de diminuição nos próximos dias. As autoridades continuam a dizer que se trata de um fenómeno natural, que só será explicado com as conclusões das análises que serão efectuadas aos moluscos, a partir de amanhã, e que demoram cerca de dez dias.

Os polvos atraíram dezenas de curiosos, que encheram ontem o areal de Gaia. Famílias inteiras ocuparam a tarde de domingo a ver o que o mar trazia para terra. Mas foi o golfinho que acabou por ser o protagonista do dia, na praia da Granja, em Arcozelo, apesar de não ter sido o primeiro caso naquela zona.

'Estávamos a dar um passeio e vimos as ondas a trazê-lo para a areia', relatou ao CM o casal Artur e Amélia Granja.

O cadáver do golfinho, que aparentava estar já em decomposição, teve de ser arrastado para uma parte mais alta da praia, junto às piscinas. Foi aí que muitos curiosos decidiram ver de perto o animal. 'Coitadinho', diziam.

'Primeiro os polvos, agora o golfinho. Deve haver qualquer coisa na água. Enquanto fizerem as análises não como peixe pescado nesta zona', afirmou Amélia Granja.

Na Madalena deu à costa um bulldog que, ao que tudo indica, morreu afogado há poucos dias.

Já na praia de Valadares, exactamente no mesmo sítio onde anteontem à tarde continuavam a surgir polvos, foram recolhidos sessenta quilos de moluscos.

BOMBEIROS DE PREVENÇÃO

Foi mais um dia agitado, ontem, nas margens de Vila Nova de Gaia. De manhã, a maré-baixa continuou a rejeitar polvos mortos na praia de Valadares. Como tal, os bombeiros mantêm-se de prevenção no local. 'Viemos sábado e domingo. Enquanto houver polvos, temos de vir', revelou ao CM o comandante dos Sapadores de Gaia, Artur Mendes. Já o chefe dos Bombeiros de Valadares, Barros Loureiro, admite que o pico já passou. 'Veio meia tonelada de polvos. Já não virão muitos mais', disse.

PORMENORES

QUILOS DE POLVO

Os Sapadores de Gaia e os Bombeiros de Valadares recolheram cerca de sessenta quilos de polvo, uma quantidade muito inferior à que se encontrou no primeiro dia.

INVESTIGAÇÃO

Durante a tarde foram recolhidas mais amostras dos moluscos mortos, na praia de Valadares. O material será congelado e levado para investigação.

GOLFINHO

Foram os populares que alertaram os bombeiros sobre o golfinho que deu à costa na praia da Granja. Não é a primeira vez que isto acontece.

BULLDOG

Um cão de raça bulldog estava a boiar, perto da praia da Madalena. De acordo com as autoridades, o corpo aparenta ter estado apenas alguns dias na água.

AINDA NÃO HÁ CAUSAS DA MORTE

As causas da morte da enorme quantidade de peixes e polvos que deram à costa em Gaia, durante o fim-de-semana, estão ainda por determinar, cabendo ao Instituto de Investigação das Pescas e do Mar esse trabalho.

PÉ NÃO É DOS PESCADORES

A família de Amâncio e Gilberto, os dois irmãos pescadores desaparecidos em Viana do Castelo desde o dia 18 de Dezembro, foi anteontem à noite informada pela Polícia Marítima do aparecimento de um pé humano numa bota, que deu à costa. 'Ligaram a avisar, mas, pela descrição do calçado, vimos logo que não era de nenhum deles e nem chegámos a fazer o reconhecimento', explicou ao CM Sandra, prima das vítimas.

EQUIPAS: RECOLHA DE POLVOS

Várias equipas da Polícia Marítima, entreos quais uma unidade de socorro a náufragos, estiveram durante todo o dia na praia a recolher os polvos e lixo que iam aparecendo

PÉ HUMANO: RESULTADOS

A análise ao ADN do pé humano anteontemencontrado irá demorar mais de um mês.Existem no entanto suspeitas de que pertençaa um pescador desaparecido há algum tempo

POLVOS: TENDÊNCIA A REDUZIR

Segundo fonte da Polícia Marítima, nos próximos dias deverão continuar a aparecer polvose lixo nas praias. No entanto, as autoridades acreditam que será em menor quantidade

DEPOIMENTOS

'AS GAIVOTAS É QUE SE CONSOLAM COM ISTO', Manuel Ferreira, Metalúrgico

'Vim com a minha mulher dar uma voltinha pela praia e parámos para ver. Até porque moramos perto. Já vi sair um polvo grandee dois pequenos. Isto só pode ser a força da água que os matou.É engraçado que é só neste lado da praia de Valadares. Quem se consola são as gaivotas.'

'ISTO É LIXO QUE VEM PELO RIO ABAIXO', Salvador Chilro, Pescador

'Há 40 anos no Senhor da Pedra também deram à costa toneladas de polvos. Nós comemos e não morremos. Saí com a saca cheia, foi pena não levar mais.Isto é o lixo que vem pelo rio abaixo, torna-se pesado, vai ao fundo, eles querem respirar, entra areia nas guelras e não aguentam.'

'FOI A FORÇA DO MAR QUE CAÇOU OS POLVOS', António Santos, Reformado

'Já fui buscar um polvo, com um pau, e cada vez estão a aparecer mais. É estranho este fenómeno. Ontem de manhã estive aqui, mas não me apercebi de nada. Na minha opinião, deve ter sido a força do mar que caçou os polvos, mas também pode ser a contaminação da água.'

'COM A MARÉ A ENCHER APARECEM MAIS', Amélia Teixeira, Reformada

'Já estivea tocar nos polvos. Então não podia tocar porquê? Não tem problema nenhum.E também peguei nuns paus para agarrar os polvos e trazê-los mais para cima, para não voltarem ao mar. Com a maré a encher, eles aparecem cada vez mais.'

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