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Governo corta mil milhões em estradas

Governo corta nas estradas. Cancelados vários troços de obras adjudicadas.
7 de Outubro de 2011 às 01:00
O Ministério da Economia suspendeu vários troços da obra
O Ministério da Economia suspendeu vários troços da obra FOTO: Pedro Catarino

O Governo vai cancelar obras de concessões rodoviárias adjudicadas pelo anterior Executivo no valor de mil milhões de euros. A suspensão dos trabalhos em vários troços rodoviários é, segundo apurou o CM, uma consequência imediata das dificuldades financeiras do País, que obriga à redução do défice das contas públicas e ao desendividamento do Estado.

A suspensão das obras será anunciada hoje pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, na Assembleia da República, quando apresentar o novo Plano Estratégico de Transportes. O Ministério da Economia terá de renegociar os contratos com as concessionárias.

Como a auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) apurou um prejuízo total de 6,2 mil milhões de euros, entre 2010 e 2030, nas sete concessões rodoviárias adjudicadas pelo anterior Governo nos últimos anos, tudo indica que a suspensão de obras abrangerá troços das auto-estradas do Litoral Oeste, Douro In- terior, Pinhal Interior, Algarve Litoral, Baixo Alentejo, Transmontana.

Para já, uma das concessões com troços suspensos é a auto--estrada do Baixo Tejo. Com a suspensão de seis dos dez troços, o Governo quer poupar 270 milhões de euros.

A auditoria da IGF deixa claro que a auto-estrada do Baixo Tejo, apesar de ter apenas 70,4 km de extensão, gerará, entre 2010 e 2030, encargos superiores às receitas no montante de 691 milhões de euros.

Com a suspensão dos seis troços, a obra adjudicada à AEBT - Auto-Estrada do Baixo Tejo, consórcio liderado pela Brisa, tem um impacto financeiro menor nas contas da Estradas de Portugal.

"ESTRADA QUE FAZ FALTA": António Neves, Pr. da Junta de Freguesia da Caparica

Correio da Manhã – Qual a importância do IC32 (concessão do Baixo Tejo) para a região?

António Neves – É uma estrada que faz falta. Permite uma espécie de circulação externa que melhora a circulação, nomeadamente criando alternativa à ponte 25 de Abril. Ou seja, por exemplo, permite uma ligação em 15 minutos à ponte Vasco da Gama, servindo a região de Loures, Vila Franca.

– Como vê a suspensão do troço da Costa da Caparica, que integra a concessão Baixo Tejo (entre as praias e o IC32)?

– Estamos à espera de uma reunião com o secretário de Estado das Obras Públicas para lhe explicar que está em causa a sustentabilidade de uma terra. É muito importante para nós essa ligação.

– Porquê?

– Porque vai desviar o trânsito do centro da Costa para quem vai para as praias mais a Sul. Agora, demora-se três horas.

PRIMEIRO TROÇO EM NOVEMBRO

O primeiro troço da subconcessão do Baixo Tejo, entre Casas Velhas e Palhais, deverá abrir no próximo mês de Novembro. Este troço do IC32 foi dividido em dois trechos: Casas Velhas-Lazarim e Lazarim-Palhais, um segmento com cerca de 3,2 quilómetros. Trata-se de uma via importante porque, tal como se pretendia para a Costa da Caparica com a estrada 377/2 (que integra a subconcessão do Baixo Tejo e que ligaria as praias ao IC32), "com esta ligação evita-se a passagem pelo centro da Charneca de Caparica", sublinha ao Correio da Manhã o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, António Neves, destacando a melhoria do trânsito.

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