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Correio da Manhã

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Grávidas até 3 meses sem vacina

As autoridades de saúde não autorizam a administração da Pandemrix, vacina contra a gripe A, às grávidas nos primeiros três meses de gestação. A proibição deve-se ao facto de a vacina não ter sido suficientemente testada nos ensaios clínicos nessa fase de gestação, desconhecendo-se os efeitos secundários que podem provocar na grávida e no feto.
17 de Novembro de 2009 às 22:00
A vacina administrada em Portugal está também a ser dada na Suécia, na Noruega, na Bélgica e no Reino Unido.
A vacina administrada em Portugal está também a ser dada na Suécia, na Noruega, na Bélgica e no Reino Unido. FOTO: José Rebelo

Aliás, a nota informativa (bula) do medicamento alerta: 'Actualmente, não existem dados disponíveis sobre a utilização de Pandemrix durante a gravidez.' E acrescenta: 'Os estudos realizados com Pandemrix em animais não indicaram toxicidade reprodutiva.'

O director da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e antigo coordenador da Comissão de Saúde Materna-Infantil, Jorge Branco, salienta ao CM o desconhecimento de eventuais reacções adversas no início da gravidez. 'Os médicos evitam prescrever a vacina contra a gripe A no primeiro trimestre de gestação porque não foi suficientemente estudada na gravidez. Só está indicada a partir do segundo trimestre de gestação.'

O Ministério da Saúde reafirma porém a confiança na vacina para as grávidas a partir do 4º mês de gestação e sublinha que não está provada a relação da imunização com a morte do feto, no domingo, de uma grávida de oito meses vacinada cinco dias antes. Fonte do Ministério sublinha ao CM: 'A tutela não se vai pronunciar sobre as causas da morte, mas nada leva a crer que haja relação entre a morte do feto e a vacina. Não há razão para as grávidas não serem vacinadas e não terem total confiança na qualidade e na segurança da vacina.'

O director-geral da Saúde, Francisco George, afina pelo mesmo diapasão, e diz que, por enquanto, não se pode dizer que o feto morreu devido à vacina. 'Vamos esperar pelos exames da autópsia que estão a ser feitos no Hospital Egas Moniz para apurar as causas de morte.'

A vacina Pandemrix foi produzida poucos meses depois de surgirem os primeiros doentes no México e nos EUA, em Março.

CAPARICA REDUZ CONSULTAS

O aumento de utentes na Unidade de Saúde Familiar do Monte de Caparica, em resultado da gripe A, obrigou a uma reestruturação provisória das consultas, apurou o CM. 'As consultas programadas para adultos, que podiam ser marcadas com antecedência, foram suspensas. Os utentes podem contudo marcar consultas no próprio dia para o médico de família.

GRIPE A VISTA À LUPA

265 mortes fetais ocorreram em 2008, menos 24 do que em 2007 (289 casos), por descolamento ou insuficiência placentária.

MORTE NA ALEMANHA

Um homem de 55 anos morreu na Turíngia poucas horas depois de ter sido vacinado contra a gripe A.

6 milhões de doses foram compradaspor Portugal. Se for confirmada só uma dose por pessoa, 60%da população será vacinada.

CRIANÇAS ATÉ DOIS ANOS

Todas as crianças até aos dois anos podem ser vacinadas desde ontem, depois de o Ministério da Saúde ter considerado aquele grupo prioritário.

'Todas as vacinas são eficazes e seguras, independentemente de teremou não adjuvantes:  Graça Freitas, Subdirectora--geral da Saúde

AUTÓPSIA INCONCLUSIVA SOBRE A MORTE DA MARGARIDA

O relatório provisório da autópsia ao feto que morreu com 34 semanas depois da mãe ter sido vacinada contra a gripe A no Centro de Saúde de Portalegre não esclarece se a causa da morte está relacionada com a toma da vacina. Em comunicado, a direcção clínica do hospital local refere que o feto morreu 18 a 24 horas antes da extracção – no domingo – na sequência de alterações da circulação sanguínea (anóxia aguda). No entanto, desconhece-se a causa que esteve na origem das alterações.

'Foram recolhidos tecidos fetais e da placenta para exames que poderão vir a contribuir para o esclarecimento da causa da anóxia', acrescenta o documento.

Inconsolável com a 'morte inesperada' de Margarida – cujo parto estava previsto para dia 27 de Dezembro –, a família só quer que seja revelada a verdade. 'Se a mãe e a bebé estavam bem como é que depois da vacina tudo isto aconteceu?', disse Orlando Romacho, pai da bebé, antes de conhecer o resultado da autópsia, realizada ontem no Hospital Egas Moniz, Lisboa.

Carla estava grávida e foi vacinada terça-feira. No dia seguinte começou a ter fortes dores no corpo. 'Sábado, pelas 08h30, fomos ao centro de saúde. A médica viu que o pulso estava fraco, mas mandou-a para casa. Às 12h00 fomos às urgências do hospital, mas já nada havia a fazer', referiu Orlando. Carla teve ontem alta.

SALAS FECHAM NO ALGARVE

Duas salas de aula de escolas do agrupamento D. José I, em Vila Real de Santo António, foram ontem fechadas por cinco dias, devido a 11 casos confirmados de gripe A em alunos dos três aos oito anos. Ficam sem aulas 46 crianças do pré-escolar e do segundo ano, algumas das quais começaram a faltar na semana passada. Há também duas salas fechadas na EB 2 3 de Martinlongo, em Alcoutim. Na D. Martinho Castelo Branco, em Portimão, aguarda-se por confirmação de três casos no 9º B, mas a direcção garante que não vai pôr a turma de quarentena.

NOTAS

FRASCO: VÁLIDO 24 HORAS

As vacinas chegam em frascos de dez dosese é necessário organizar a aplicação para nãohaver desperdício, já que só podem ser usadas num prazo máximo de 24 horas

APELO: CRIANÇAS VACINADAS

As vacinas chegam em frascos de dez dosese é necessário organizar a aplicação para nãohaver desperdício, já que só podem ser usadas num prazo máximo de 24 horas

MARCAÇÃO: DIA SEM FILAS 

As vacinas chegam em frascos de dez dosese é necessário organizar a aplicação para nãohaver desperdício, já que só podem ser usadas num prazo máximo de 24 horas

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