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Guerra de suspeições

O clima entre Belém e São Bento não poderia ser pior. À polémica sobre o receio da Casa Civil de Cavaco Silva estar a ser vigiada, junta-se ainda um mal-estar com ano e meio, durante a visita presidencial à Madeira, entre 14 e 19 de Abril de 2008.
20 de Agosto de 2009 às 02:00
Rui Paulo Figueiredo (esq.), licenciado em Direito e mestre em Ciências Políticas, é adjunto  jurídico no gabinete do primeiro-ministro. Substitui Manuel Maria Carrilho na Câmara de Lisboa, na vereação, e foi consultor no Ministério  da Administração
Rui Paulo Figueiredo (esq.), licenciado em Direito e mestre em Ciências Políticas, é adjunto jurídico no gabinete do primeiro-ministro. Substitui Manuel Maria Carrilho na Câmara de Lisboa, na vereação, e foi consultor no Ministério da Administração FOTO: direitos reservados

O nome de um consultor jurídico de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo, é apontado como factor de desconfiança junto de Belém, depois da sua inclusão na comitiva presidencial ao arquipélago, sem aparente explicação.

O CM sabe que o nome do Rui Paulo Figueiredo fazia parte do Livro Oficial da Visita. O nome estava na lista que integrava oficialmente a comitiva da visita e do Protocolo de Estado. Porém, segundo noticiou o ‘Público’, o seu comportamento terá violado algumas regras protocolares por se ter sentado, alegadamente sem ser convidado, na mesa de outros membros da comitiva.

Rui Paulo Figueiredo é autor do livro ‘Aníbal Cavaco Silva e o PSD (1985-1995)’ e escreveu no blogue Câmara de Comuns, em Outubro de 2008, um comentário em que referia que o Presidente poderia estar a fazer 'uma tempestade num copo de água' em relação a normas do Estatuto dos Açores. O CM contactou-o, mas não obteve resposta.

No PS tem-se defendido a tese de que a Presidência deveria fazer esclarecimentos ou desmentidos sobre as preocupações de Cavaco Silva em relação à composição do Conselho Nacional de Ética, pela não-inclusão de João Lobo Antunes. Vários dirigentes socialistas têm chamado à colação o facto de ter sido noticiado que o PSD estaria a receber contributos de assessores de Belém para o programa eleitoral. O que terá aumentado ainda mais o desconforto. E, sem desmentidos ou clarificações de parte a parte, a tensão passou para o campo das assessorias.

Neste quadro há mais um dado a reter. O número dois da lista do PSD para as legislativas por Coimbra é Pedro Saraiva, nomeado a 16 de Junho de 2006 pelo gabinete do Presidente da República como um dos seus consultores para o Ensino Superior. Dentro do PSD local a presença do consultor é vista sem dramas, uma vez que as suas funções são exercidas pontualmente para esclarecimentos meramente técnicos.

PINTO MONTEIRO SEM INQUÉRITO

O procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, não vai abrir um inquérito para averiguar se o Palácio de Belém tem sido alvo de algum tipo de vigilância, nomeadamente escutas. Esta é a posição, para já, da Procuradoria uma vez que não existem factos em concreto para avançar, segundo afirmou o PGR, citado pelo ‘Público’ on-line. Em causa estão declarações atribuídas a um membro da Casa Civil de Belém que apontam para a hipótese de escutas.

SITE DO PSD CITA CONTRIBUTO DE BELÉM

O site oficial do PSD – www.políticadeverdade.com– inclui na sua revista de imprensa um artigo do jornal ‘Semanário’ de 7 de Agosto que refere a colaboração de Eduardo Catróga e assessores de Belém no programa eleitoral dos sociais-democratas.

O artigo em causa está disponível na pasta ‘imprensa’, na qual se publica todas as notícias sobre o partido. Ora, foi este artigo que serviu de base ao socialista José Junqueiro para lançar a polémica sobre a alegada colaboração de assessores de Belém no programa de Governo do PSD.

O caso é despoletado a partir de uma revista de imprensa televisiva, logo pela manhã de 7 de Agosto. A referência ao jornal ‘Semanário’ chamou a atenção do vice-presidente da bancada do PS. Junqueiro declarou que, se tal hipótese fosse verdadeira, era preocupante.

Os sociais-democratas já desmentiram 'categoricamente' qualquer colaboração a título pessoal de assessores do Presidente da República, reiterando que os contributos para o programa, cujo redactor principal é Paulo Mota Pinto, foram dados pelo Instituto Sá Carneiro, o gabinete de estudos do partido, e o Fórum Portugal de Verdade.

PORMENORES

PACHECO ACUSA

Pacheco Pereira criticou ontem no seu blogue, Abrupto, 'o trabalho dedicado de assessores governamentais que criam falsos blogues para disseminarem ‘análises’, boatos e informações escolhidas a dedo'.

SARAIVA DEFENDE

Rodrigo Saraiva, blogger e militante do PSD, defende Rui Paulo Figueiredo, referindo que 'só quem não conhece o Rui Paulo é que pode achar que ele iria e participaria numa comitiva sem ser na forma protocolar devida'.

MOREIRA ACHA ESTRANHO

Tavares Moreira, que escreve no blogue Quarta República, onde também colabora Suzana Toscano, afirma que a notícia de a Presidência estar sob vigilância 'é estranha' não entende como é que 'um assunto desta gravidade pode ser tratado em esquema de praça pública'.

DEFESA DE TOSCANO

No blogue Quarta República, onde colabora Suzana Toscano, Ferreira de Almeida escreve que Toscano foi 'o instrumento eleito para a manobra do PS de descredibilização do Presidente', porque 'não pode sequer defender--se do que lhe imputam'. No mesmo blogue escreve David Justino, assessor de Belém.

NOTAS

ALEGRE: SILÊNCIO

Manuel Alegre, histórico socialista, remeteu-se ontem ao silêncio sobre o caso de Belém, uma vez que está de férias.

PSD: SUZANA TOSCANO

Suzana Toscano – assessora em Belém – é uma das oradoras dos jantares-conferência da Universidade de Verão do PSD.

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