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Há muitas fugas e haverá sempre

A presidente da Comissão Nacional de Crianças em Risco, Dulce Rocha, não ficou surpreendida com o facto de dois alunos internos da Casa Pia, de 12 e 13 anos, terem escapado ao controlo da instituição para se prostituírem no Parque Eduardo VII, em 2003, conforme consta no despacho de acusação do processo do Parque.
28 de Dezembro de 2004 às 13:00
“Há muitas fugas e haverá sempre. Nem que se ponham grades aos meninos”, disse Dulce Rocha, quando confrontada com a notícia “Internos da Casa Pia abusados em 2003”, divulgada pelo CM. Segundo a presidente da Comissão Nacional de Jovens em Risco, “a vigilância não é determinante” e, por isso, “muitas vezes não se conseguem evitar as fugas”.
“O grande problema é que ainda não conseguimos que as instituições se ocupem de cada criança como se fosse a única”, disse a também procuradora do Ministério Público, explicando que o problema está no modelo de acolhimento que existe em Portugal. “É um modelo de asilo que tem de mudar. As crianças não se sentem em casa”, afirmou, lembrando que, na maioria dos casos, trata-se de crianças sem referências, que precisam de muito apoio psicoterapêutico. Para Dulce Rocha, o refúgio Aboim Ascensão, no Algarve, é, no entanto, uma instituição com um modelo exemplar: “Ali, cada criança tem o seu processo”.
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