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Hoquista morto em tentativa de assalto (ACTUALIZADA)

João Banza, de 28 anos, esperava tranquilamente por um amigo que pelas 03h30 de quinta-feira levantava dinheiro numa caixa multibanco na rua de Santos-o-Velho, em Lisboa. À traição foi atacado com um primeiro murro, numa aparente tentativa de assalto praticada por um único ladrão. O amigo do hoquista da Associação Desportiva de Oeiras (ADO) virou-se a tempo de ver João Banza ser agredido pela segunda vez e cair inanimado, batendo com a cabeça na calçada. O desportista foi ainda levado com vida para o Hospital de São José. A morte foi ontem à noite declarada, após mais de 24 horas ligado às máquinas, em morte cerebral.
24 de Outubro de 2009 às 22:00
Hoquista morto em tentativa de assalto (ACTUALIZADA)
Hoquista morto em tentativa de assalto (ACTUALIZADA) FOTO: Manuel Araujo

A família de João Banza não sabe quais os verdadeiros contornos das agressões que conduziram à morte do hoquista. Familiares e colegas do jovem da secção de hóquei da ADO acreditam que a morte tenha ocorrido numa tentativa de assalto. No entanto, quando foi assistido pelo amigo, e depois por técnicos do INEM, João Banza tinha consigo todos os pertences.

Além disso, o CM sabe que no expediente feito pelos agentes da esquadra da PSP da Assembleia da República que tomaram conta da ocorrência não consta igualmente qualquer referência a uma tentativa de roubo.

A única testemunha das agressões foi mesmo o amigo de João Banza, colega de trabalho do desportista no Museu da Electricidade. Segundo o relato feito à PSP, a testemunha referiu apenas ter visto o segundo murro, já que no momento em que a primeira agressão foi feita estaria a levantar dinheiro num ATM de um banco, situado no entroncamento da rua de Santos-o-Velho com a rua das Janelas Verdes e a rua São João da Mata.

Dados concretos sobre o autor do ataque a João Banza, por enquanto, não existem.

O amigo do desportista só o terá visto pelas costas, quando corria pela rua das Janelas Verdes. No entanto, ao que o CM apurou, as câmaras de vigilância instaladas no ATM de onde o amigo de João Banza levantou dinheiro podem ter captado as agressões.

Assistido pelo INEM, o hoquista da ADO foi levado para o São José, onde ainda chegou semiconsciente. Internado nas urgências do Serviço de Neurocirurgia, a João Banza foi diagnosticado um profundo hematoma cerebral. Foi ligado a máquina destinada à manutenção básica de vida.

O estado de coma do jovem atleta foi mantido até às 17h30 de ontem, quando a morte cerebral foi declarada. As máquinas foram desligadas por indicação da família e João Banza foi declarado morto às 20h00.

PERFIL

João Banza

João Banza fez 28 anos no dia 1 de Outubro e desde Junho que representava a A.D. Oeiras. No último jogo da sua vida, há uma semana, marcou um golo frente ao FC Porto. Fez a sua formação nas camadas jovens do Sporting CP, SL Benfica e HC Sintra. Já no escalão de Seniores jogou pelo HC Turquel, o Portosantense, o Sporting CP e a Juventude de Viana, onde esteve durante cinco anos. Nascido em Lisboa, cresceu em Odivelas, onde voltou a viver este Verão, após a saída de Viana do Castelo. Amigos e treinadores descrevem-no como um bom amigo e um jogador incansável e ambicioso, incapaz de virar a cara à luta.

PORMENORES

PSP VAI INVESTIGAR

Fontes policiais disseram ao ‘CM’ que o DIAP de Lisboa deverá distribuir à PSP a investigação da morte de João Banza. O crime é o de ofensas corporais graves, agravadas pelo resultado da morte, cuja competência de investigação pode ser atribuída à PSP.

AGRESSOR FUGIU

A descrição dos factos feita pelo amigo de João Banza à polícia é clara. O autor da morte do hoquista da Associação Desportiva de Oeiras foi um único homem, que, mal desferiu o segundo murro no desportista, fugiu a correr. Por enquanto, não existem muitos dados que permitam fazer uma descrição física do alegado assaltante.

VIVIA COM A NAMORADA

João Banza residia em Odivelas com a namorada. Os pais e um irmão são da mesma localidade. O jovem hoquista da Associação Desportiva de Oeiras tinha, há pouco tempo, começado a trabalhar no Museu da Electricidade, em Lisboa.

'ERA AMIGO DO SEU AMIGO'

Ontem à noite, no pavilhão da Associação Desportiva de Oeiras (ADO), ninguém tinha ânimo para partilhar muitas palavras ou comentar a morte de João Daniel Banza Rodrigues. O avançado da equipa de hóquei em patins da ADO chegou à colectividade no início da presente época desportiva, após cinco anos em que representou a Juventude de Viana.

Luís Santos, director desportivo do hóquei da ADO, lembrou a adaptação de João Banza ao clube como 'imediata'. 'Ele tinha uma grande experiência como hoquista e quando entrou no nosso clube não teve qualquer dificuldade em adaptar-se', recordou o responsável.

'Recordamo-lo como uma pessoa afável, correcta. No pouco tempo que cá jogou, deu um óptimo contributo à equipa', acrescentou Luís Santos.

Os contornos da morte violenta de João Banza são, por enquanto, inexplicáveis no seio da equipa. 'Pouco sabemos sobre como ele morreu, apenas que terá sido numa alegada tentativa de assalto', recordou Ricardo Antunes, jogador da equipa sénior de hóquei da ADO. 'Ele era amigo do seu amigo', recordou o desportista, instado pelo CM a pronunciar-se sobre João Banza.

A gravidade do estado de saúde do hoquista chegou ao conhecimento dos colegas anteontem à tarde. 'Foi o nosso treinador, Paulo Garrido, que deu a notícia a todos', frisou Luís Santos.

Quando a Federação Portuguesa de Patinagem anunciou na internet a morte de João Banza, ao final da tarde de ontem, a consternação era por demais evidente.

Gonçalo Santana, fisioterapeuta do clube, disse ao CM que o cadáver deverá, em breve, ser autopsiado. 'Não sabemos ainda quando será o funeral', lamentou.

AUTÓPSIA SERÁ DETERMINANTE

João Banza foi submetido durante a tarde de ontem a duas provas de morte cerebral na Unidade de Neurocirurgia do Hospital de São José. À falta de resposta do hoquista, os médicos declararam o óbito perto das 20h00, apurou o Correio da Manhã.

De acordo com os procedimentos legais previstos para estas situações, o cadáver terá agora de ser autopsiado, uma vez que a morte resultou de uma agressão. Só esta perícia determinará se a agressão – ou os ferimentos resultantes – foi a causa da morte e, consequentemente, o grau de responsabilidade criminal do agressor.

Devido à autópsia, ainda não está agendada qualquer data para o velório ou funeral de João Banza, que deverão ocorrer em Odivelas.

DIOGO JOGOU NO MESMO CLUBE

Na madrugada de 1 de Fevereiro do ano passado, Diogo Ferreira, guarda-redes de hóquei em patins dos juniores da Associação Desportiva de Oeiras, foi morto a tiro quando saía do trabalho no Centro Comercial Oeiras Parque. O crime, ocorrido horas depois do homicídio de Alexandra Neno em Sacavém e cometido com a mesma arma, ainda não foi resolvido.

Na altura, a morte de Diogo perturbou os colegas do clube, onde o irmão mais novo ainda joga, mas também suscitou um movimento de solidariedade para com a família. Apesar de Diogo Ferreira e João Banza nunca se terem cruzado no clube de Oeiras, esta é a segunda morte no seio daquela equipa em menos de dois anos. Ambas trágicas e violentas.

NOTAS

JORNADA: JOGO ADIADO

A Associação Desportiva de Oeiras deveria jogar este fim-de-semana contra a Oliveirense, em Oliveira de Azeméis. A pedido da equipa de Oeiras, o jogo foi adiado para data ainda a definir

FEDERAÇÃO: MINUTO DE SILÊNCIO

A Federação Portuguesa de Patinagem, responsável pelo campeonato nacional de hóquei em patins, anunciou ontem que será feito um minuto de silêncio em todos os jogos da jornada

BENFICA: IRMÃO FISIOTERAPEUTA

Carlos Banza, irmão de João, está também ligado ao desporto, no caso ao Benfica, onde é fisioterapeuta. Também ele tem uma grande ligação ao hóquei em patins

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