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Inês queria ser eurodeputada

Inês de Medeiros terá manifestado interesse em ser candidata a eurodeputada, como contrapartida de ser mandatária de Vital Moreira.
23 de Abril de 2010 às 00:30
Inês queria ser eurodeputada
Inês queria ser eurodeputada FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

Inês de Medeiros, deputada do PS com residência em Paris, terá manifestado interesse em ser candidata a eurodeputada pelo PS, nas eleições europeias de Junho de 2009, antes mesmo de José Sócrates a ter convidado para integrar as listas de deputados do PS ao Parlamento nas legislativas de Setembro passado.

O interesse da realizadora de cinema por ter um lugar no Parlamento Europeu, sediado em Bruxelas, terá sido manifestado, segundo fontes do próprio PS, a Rui Pedro Soares, ex-administrador executivo da PT e dono da revista onde colaborava Inês de Medeiros. Rui Pedro terá apresentado a Inês de Medeiros a vontade do PS de convidá--la para mandatária de Vital Moreira, cabeça de lista dos socialistas nas eleições europeias, ao que a realizadora de cinema terá contraposto com o interesse em ser candidata a eurodeputada.

'Efectivamente, ela [Inês de Medeiros] tinha intenção de ser candidata a eurodeputada. Mas isso não avançou porque ela não tinha uma forte proximidade ao partido', garante fonte do PS. Que precisa: 'Inês Medeiros chega a mandatária de Vital Moreira através do contacto feito por Rui Pedro Soares'.

Tanto Inês de Medeiros como uma fonte próxima de Rui Pedro Soares negaram ontem, em declarações ao CM, esta versão dos acontecimentos. A deputada do PS à Assembleia da República garante que 'tudo isso é falso, absolutamente falso'. E fonte próxima de Rui Pedro Soares adopta a mesma posição: 'É totalmente falso.'

Inês de Medeiros vai ainda mais longe na sua defesa: 'O Rui Pedro Soares nunca falou comigo em nada que tivesse a ver com candidaturas ou campanhas eleitorais.' E precisa: 'O convite [para deputada] foi-me feito pelo senhor primeiro-ministro, e surgiu na sequência de conversas no decurso da campanha [eleitoral] das europeias e de assuntos sobre cultura.'

A parlamentar socialista, cujas viagens entre a sua residência em Paris e o Parlamento em Lisboa têm estado no centro da polémica, faz mais uma precisão: 'Não faço a mínima ideia do motivo que levou [José Sócrates e o PS] a convidarem--me.' fonte do PS argumenta que este convite surgiu como alternativa à impossibilidade de Inês de Medeiros ser candidata nas europeias em lugar elegível: Edite Estrela, Elisa Ferreira e Ana Gomes eram insubstituíveis.

SAIBA MAIS

O QUE DIZ O ESTATUTO

O artigo 16.º do Estatuto dos Deputados estabelece: 1 - No exercício das suas funções ou por causa delas, os Deputados têm direito a subsídios de transporte e ajudas de custo correspondentes.

1 594 880 euros prevê o Orçamento de 2010 da AR para gastos em viagens. Há ainda 70 400 para abonos e 768 520 em estadias.

0,40 € por quilómetro paga a Assembleia para deslocações, por dia de presença, aos deputados residentes na Grande Lisboa.

UNANIMIDADE DESFEITA

Em Novembro de 2009, houve unanimidade a proibir o desdobramento dos bilhetes. Agora o PS votou sozinho por Inês.

NOTAS

REACÇÃO: ASSIS APOIA

Francisco Assis, líder parlamentar do PS, disse ontem ser razoável a decisão de o Parlamento pagar as viagens de Inês de Medeiros entre Paris e Lisboa

ANÁLISE: ADMINISTRATIVA

Inês de Medeiros considera que, com a decisão do Parlamento, as suas viagens semanais entre Paris e Lisboa são 'uma questão administrativa'

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