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Ingleses alertam para crime em Portugal

Morte do turista Ian Haggath, num assalto em Albufeira, levou autoridades a recomendarem cuidado aos britânicos.
31 de Maio de 2011 às 00:30
ALGARVE, TURISTA, INGLESES, MEDO, AVISO, ALBUFEIRA
ALGARVE, TURISTA, INGLESES, MEDO, AVISO, ALBUFEIRA FOTO: José Carlos Campos

A morte do turista britânico Ian Haggath, aos 50 anos, já no Hospital de Faro e na sequência do assalto violento em que fora espancado a soco, em Albufeira, há cerca de duas semanas, levou as autoridades inglesas a lançarem um alerta a todos os turistas que viagem para o nosso país. "Estamos muito preocupados com a possibilidade de virem a acontecer mais ataques violentos contra cidadãos britânicos – pelo que estamos a levar este assunto muito a sério. Existe essa possibilidade, e estamos em contacto com as autoridades portuguesas."

O aviso partiu do Ministério inglês dos Negócios Estrangeiros e foi publicado em vários meios de comunicação britânicos. Com o Verão à porta, este pode ser um duro revés para o turismo.

Mas o homicídio de Ian Haggath é só o último de vários casos trágicos, com ataques violentos a estrangeiros no Algarve, que recebe a maior parte dos 1,6 milhões de britânicos que visitam o nosso país todos os anos. Os ingleses representam 22,5 por cento dos turistas que passam férias no Algarve.

"Estamos a acompanhar e a dar todo o apoio possível nos últimos casos que têm ocorrido em Portugal. Isto é uma espécie de alerta, estamos a avisar os ingleses para que tomem algumas precauções", disse ao CM uma responsável do Gabinete de Imprensa do referido Ministério britânico.

Ian Haggath, de férias com um amigo, foi atacado na rua, na madrugada de 14 para 15, quando regressava ao Hotel Janelas do Mar, em Montechoro. Foi espancado e os ladrões fugiram sem levar nada. Ian morreu no hospital, quarta-feira, não resistindo a fracturas nos ossos da cara e crânio e várias hemorragias.

Segundo as autoridades britânicas, a família da vítima está a receber apoio do Consulado, devendo o corpo seguir para Gateshead, em Newcastle, ainda esta semana.

DROGA NA BEBIDA É UM DOS RISCOS

O Centro Nacional de Estatísticas de Inglaterra estima que 1,685 milhões de britânicos visitaram Portugal em 2010, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros avança que 338 deles requereram apoio consular entre 1 de Abril do ano passado e 21 de Março último. Do total de pedidos, 211 relacionam-se com a morte de cidadãos britânicos em Portugal, 99 por hospitalizações e 28 por detenções. Foram ainda dados como perdidos ou roubados 596 passaportes. Na página oficial do Ministério, os turistas britânicos são ainda aconselhados a ter atenção aos carteiristas, aos roubos por esticão e aos furtos em veículos. Diz ainda que os ataques sexuais em Portugal não são comuns, mas alerta para a colocação de drogas em bebidas nos bares, como ‘droga do amor’ ou GHB.

"A SITUAÇÃO É ALTAMENTE PREOCUPANTE"

Correio da Manhã – Como encara os crimes violentos contra turistas que se têm verificado nos últimos tempos no Algarve?

Elidérico Viegas – É uma situação altamente preocupante quando estamos a falar de algo que põe em causa a principal actividade económica no Algarve, que é o turismo.

– O que pensa que devia ser feito?

– O que se está a passar é semelhante ao que aconteceu há dois anos, quando se registou uma série de ataques a moradias, também de cidadãos estrangeiros. Na altura tivemos a oportunidade de chamar a atenção para o problema, mas só foram tomadas soluções pontuais e é necessário mudanças de fundo.

– Como por exemplo?

– É essencial reforçar os efectivos das forças policiais. Não podemos viver com esses efectivos a metade. O Governo não pode pensar e ter por base para a segurança os 400 mil habitantes que residem no Algarve. É preciso considerar os cinco milhões que visitam a região todos os anos e depois reforçar os efectivos para se fazer um policiamento de proximidade.

– A segurança é um aspecto essencial para os turistas?

– Sem dúvida. Não podemos andar a dizer que o turismo nacional beneficia com a instabilidade nos estados do Norte de África e depois não damos nós segurança a quem nos visita. Estamos a perder um dos nossos principais trunfos enquanto destino, que era precisamente a segurança que oferecíamos.

– É preciso agir depressa?

– A situação é preocupante e exige uma resposta imediata. Na onda de assaltos de há dois anos, houve algumas detenções e os assaltos a casas acabaram. Mas isso são medidas pontuais e não de fundo. Há dois anos, não foram tomadas medidas de fundo, e agora assiste-se a um novo aumento da criminalidade. Aumento que acabará sempre por surgir, de tempos a tempos, se não forem tomadas medidas.

– Pensa que o turismo está a ser esquecido?

– O turismo, dizem, é um sector estratégico e prioritário para a economia nacional. Mas se não conseguirmos manter a valência da segurança, então, estamos a colocar esse sector em causa.

– O mercado britânico tem sido afectado?

– O mercado britânico é o mais importante emissor em termos turísticos para o Algarve. Mas há dez anos representava mais de seis milhões de dormidas anuais e actualmente representa 4,3 milhões.

VIDEOVIGILÂNCIA PODE SER UMA SOLUÇÃO

António Pina, presidente do Turismo do Algarve, espera que as "autoridades tomem as devidas medidas" para fazer face à criminalidade violenta sobre turistas. Para este responsável, a videovigilância seria uma das soluções. "Sempre defendi a implementação, e ainda não está muito implementada a videovigilância", defendeu.

 

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