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Correio da Manhã

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Interrogada durante onze horas

Kate McCann foi inquirida durante onze horas na Polícia Judiciária de Portimão e hoje vai continuar a ser interrogada. A mãe de Maddie foi acompanhada pelo seu advogado, Carlos Pinto de Abreu, mas este não chegou a entrar na sala onde se realizou o interrogatório. Pinto de Abreu ficou num compartimento ao lado e não assistiu às dezenas de perguntas feitas pelos responsáveis da investigação a Kate McCann sobre a noite do crime. A mãe da menina foi confrontada com elementos recolhidos em Julho mas que nunca lhe tinham sido divulgados e em particular com o facto de os cães especialmente treinados na detecção de odores de cadáver terem marcado a morte da criança no apartamento.
7 de Setembro de 2007 às 13:00
A mãe de Madeleine volta hoje  a ser ouvida pela PJ, apurou o ‘CM’. O interrogatório foi ontem interrompido por volta das 22h30 para jantar, oito horas após o início. Terminou já depois da meia-noite
A mãe de Madeleine volta hoje a ser ouvida pela PJ, apurou o ‘CM’. O interrogatório foi ontem interrompido por volta das 22h30 para jantar, oito horas após o início. Terminou já depois da meia-noite FOTO: Vidigal Junior/Reuters
“Kate não foi constituída arguida. Começou a ser ouvida pelas 14h00 na qualidade de testemunha, situação que ainda se mantém”, disse ao CM o advogado de Lisboa, pelas 22h00, recusando prestar qualquer esclarecimento adicional por o processo estar coberto pelo segredo de justiça. “Só confirmo a qualidade em que foi inquirida porque fui autorizado a fazê-lo”, continuou.
Ainda segundo o CM apurou, a inquirição foi demorada, por voltar a ser exaustiva sobre as circunstâncias que marcaram o desaparecimento. O facto de os animais se terem mostrado extremamente nervosos no local onde a criança foi vista pela última vez – primeiro no chão do quarto e depois num dos armários do Ocean Club – não tinha passado em branco aos inspectores. Além de que, na vivenda agora ocupada pelos McCann, foram detectados outros vestígios, conforme o CM avançou ontem. Os cães voltaram a encontrar o odor de morte mas desta vez na roupa usada por Kate e também no peluche que esta não larga para recordar a filha e que, ainda ontem, guardava na mão à entrada da PJ.
Os contornos da inquirição ainda não eram conhecidos à hora de fecho desta edição, mas a forma como a mesma foi preparada não deixa grandes dúvidas. A PJ fez questão de só ouvir o casal McCann depois de ter recebido parte dos resultados dos exames feitos aos vestígios, juntando as peças que faltavam para avançar com “outro tipo de perguntas”.
Depois de afastada a tese de rapto os indícios apontam em sentido único. E o resultado aos primeiros testes de ADN, ao referenciarem sangue de Maddie no apartamento, força os McCann a encararem de vez uma realidade: a filha terá mesmo morrido no local. Isto no dia em que lançaram mais um apelo a um raptor.
O CM apurou que a postura de Kate sempre levantou algumas dúvidas aos investigadores. Médica de profissão, o perfil emocional de Kate suscita o interesse da investigação. Trabalhava apenas dois dias por semana no centro de saúde local, mas as informações vindas da polícia inglesa não foram muito esclarecedoras sobre o seu passado. Esta é, aliás, uma das dificuldades acrescidas para explicar este desaparecimento, já que a PJ está dependente da informação vinculada pela polícia inglesa.
PIOR DIA PARA OS MCCANN DESDE O DESAPARECIMENTO
Os McCann cumpriram ontema habitual rotina matinal. Kate e Gerry foram levar os filhos gémeos Sean e Amelie à creche do Ocean Club e seguiram depois para a Igreja da Praia da Luz, onde entraram com chave própria e se recolheram na companhia de um padre anglicano.
Não houve jogging. O dia seria longo. Depois do curto período de orações, os McCann regressaram a casa. A família voltou a estar reunida para almoçar na vivenda Vista do Mar do aldeamento Luz Parque, na Praia da Luz, onde a mãe e a irmã de Gerry têm estado nos últimos dias. Os gémeos foram recolhidos da creche para poderem estar com os pais nos momentos que antecederam o retomar do contacto com a PJ, suspenso há mais de três semanas.
Ao princípio da tarde a família voltou a sair. A avó e os gémeos ficaram no Ocean Club. Kate, Gerry e a irmã viajaram para Portimão, onde a mãe de Madeleine era esperada para ser ouvida sozinha, designadamente sem a companhia do marido. O carro dos McCann parou à porta da Judiciária e Gerry despediu-se de Kate com um simples beijo. Voltou as costas e nem viu a mulher entrar nas instalações policiais. A mãe levava na mão o peluche de Madeleine que sempre a acompanha e entrou no Departamento de Investigação Criminal acompanhada pela irmã de Gerry.
Meia hora antes de Kate entrar na PJ de Portimão tinha chegado o advogado Carlos Pinto Abreu. Passou de forma discreta e quase despercebida pelos muitos jornalistas presentes no local. É uma cara ainda recente neste caso. Foi escolhido pelo casal para os representar na litigação contra o semanário ‘Tal & Qual’ mas acompanhou a longa sessão a que Kate seria ontem sujeita pelos inspectores da Judiciária.
Logo após Kate ter entrado nas instalações da PJ a assessora de imprensa do casal leu uma declaração na qual a mãe insiste na esperança de a filha estar viva. A assessora tinha dado indicações precisas a alguns repórteres ingleses sobre o local onde o casal iria parar o carro perto da PJ. Nem nos momentos mais quentes do início deste caso se tinha visto tanta Comunicação Social à porta da PJ.
Gerry regressou a casa perto das 17h00. Chegou de carro sozinho e levava na mão um pequeno saco de papel de cor vermelha. Possíveis pequenos presentes para os filhos, que não estavam em casa. O pai voltou a sair cerca das 17h45 e regressou pelas 18h30 na companhia da sua mãe e dos gémeos, Sean e Amelie. Fechou o portão, denunciando no gesto a longa espera que se adivinhava.
O circo mediático regressou ao terreno algarvio em redor da investigação ao desaparecimento de Madeleine. Mas o aldeamento na Praia da Luz não foi o destino dos jornalistas, particularmente das cadeias de televisão britânicas, que regressaram ao Algarve com grandes equipas.
KATE MCCANN EXPLICA CHEIRO DE MORTE PELA SUA PROFISSÃO
A mãe de Madeleine, Kate McCann, foi ontem confrontada pela primeira vez com o facto de peças de duas peças de roupa (umas calças de ganga e uma t-shirt) bem como o peluche que sempre a tem acompanhado ao longo destes meses terem sido sinalizados no passado mês de Julho pelos cães ingleses como estando impregnados de odor de cadáver. Kate não o negou, tendo imediatamente justificado o facto com a sua profissão.
Enquanto médica do Centro de Saúde de Leicester terá presenciado pelo menos seis situações de mortes nos tempos imediatamente anteriores à sua vinda para Portugal de férias.
Quanto à justificação dada para os odores presentes no peluche, assenta no mesmo pressuposto. Por razões não apuradas, a médica teria consigo o brinquedo da filha enquanto trabalhava no referido estabelecimento de saúde.
PAI DE MADELEINE É HOJE OUVIDO PELA POLÍCIA JUDICIÁRIA
Chega hoje a vez de Gerry McCann ser ouvido em Portimão, logo a partir da manhã, onde, entre outras questões, deverá ser confrontado pela Judiciária com as declarações prestadas ontem pela mulher. Os inspectores insistem numa nova reconstituição da noite do crime, passo a passo – e com particular incidência para o período entre as 18h00 e as 21h00, em que, conforme o ‘CM’ já adiantou, só o casal teve acesso à filha Maddie.
São três horas “em branco” na noite de 3 de Maio, reconhece fonte ligada à investigação, antes e durante o jantar. O casal e amigos caíram em algumas contradições durante as primeiras declarações e a PJ nunca conseguiu apurar ao certo quando e quem terá visitado as crianças a partir das 20h00.
Só três dos seis amigos que jantaram com os McCann foram novamente ouvidos, já em Junho, mas a chamada dos pais da criança, desta vez para interrogatório formal, só agora é justificada – pelos testes de ADN que indiciam o homicídio ou morte acidental de Maddie no apartamento. O resultado das análises ao sangue recolhido na mala do carro dos pais será fundamental, devendo chegar de Inglaterra nos próximos dias. Mas o ‘CM’ sabe que a PJ já tem na sua posse outros dados que permitem tomar sérias decisões no desfecho da investigação.
Desconhece-se a qualidade em que se procederá a inquirição e se Gerry irá também pedir ao advogado Carlos Pinto Abreu que o acompanhe.
Gerry será também confrontado com as declarações da mulher que ontem foi ouvida. Há cerca de duas semanas, uma inglesa que vivia por cima do apartamento ocupado pelos McCann assegurou que Kate não chamara imediatamente a polícia, só o tendo feito uma hora depois de ter tido conhecimento da ausência da criança.
"JÁ PASSOU DEMASIADO TEMPO"
Ontem foi um dia de polícia. Todas as atenções estiveram concentradas à porta do Departamento de Investigação Criminal em Portimão.
Dezenas de jornalistas e câmaras cercaram a PJ ao final da manhã. Um repórter inglês, que acompanha o caso há oito semanas, perguntava: “Hoje é decisivo?” Era essa a sensação que sobressaia no frenesi da Comunicação Social. Na Praia da Luz, à porta dos McCann, uma inglesa de idade perguntou se havia novidades sobre a menina. Abanou a cabeça e comentou: “Já passou demasiado tempo.”
"KATE É UMA MÃE ADORÁVEL"
A mãe de Maddie acabava de entrar ontem à tarde na PJ quando a porta-voz inglesa, Justine McGuinness, correu a divulgar aos jornalistas o último comunicado do casal, onde se destaca o facto de Kate ser “uma adorável e atenciosa mãe – uma das vítimas numa extraordinária e terrível sequência de acontecimentos”.
Diz ainda o comunicado que a médica “continua a acreditar que Madeleine está viva, por isso espera e reza todos os dias pelo seu rápido regresso”.
Os pais da criança “estão contentes por ajudarem a polícia nas suas investigações para encontrar Maddie, tal como o fazem desde que a filha foi levada”.
IMPRENSA INGLESA PERMANECE AO LADO DO CASAL
Os meios de comunicação britânicos regressaram em força ao Algarve, para acompanhar a par e passo o evoluir do caso. Adivinhava-se esta presença, depois de ontem televisões inglesas terem dado grande destaque ao facto de estarem concluídas as análises aos vestígios de sangue encontrados na casa dos McCann na Praia da Luz. Ouvido pelo ‘Daily Express’ um amigo da família confidenciou que “tem sido uma semana difícil para todos”. O diário britânico dava ainda conta do medo que os McCann têm de vir ser constituídos arguidos.
De um modo geral, os jornais britânicos continuam ao lado dos McCann, considerando-os inocentes, atacando a imprensa portuguesa.
KATE 'SEPARADA' DO MARIDO
A manhã dos McCann começou como habitualmente: levar os gémeos à creche. Tudo se alterou ao início da tarde, quando a mãe de Madeleine teve de se apresentar nas instalações da Polícia Judiciária de Portimão para ser interrogada sobre os acontecimentos da noite do dia 3 de Maio. Apresentou-se na companhia do marido, com quem trocou um beijo antes de enfrentar as questões dos inspectores.
09H23
Gerry e Kate McCann preparam gémeos, Sean e Amelie, para saírem de casa
09H28
Casal abandona a vivenda na Praia da Luz rumo à creche no Ocean Club
09H36
Pais de Sean e Amelie entregam gémeos aos cuidados da creche
09H42
Casal McCann dirige-se à Igreja da Praia da Luz
10H44
Kate e Gerry abandonam a igreja, sob o olhar dos populares
13H30
Casal deixa vivenda na Praia da Luz, rumando em direcção à PJ de Portimão
13H32
Carlos Pinto Abreu, advogado dos McCann, chega à PJ de Portimão
14H00
Kate e Gerry McCann chegam à PJ de Portimão no carro do casal
14H10
Kate McCann dirige-se à PJ de Portimão para ser interrogada
16H53
Gerry McCann regressa a casa, enquanto a mulher é ouvida pela PJ
17H45
Gerry McCann sai de casa para ir buscar gémeos à creche
18H35
De regresso a casa, Gerry e os gémeos mantêm-se na vivenda na Praia da Luz
23H45
Kate McCann continuava a ser ouvida na PJ de Portimão
NOTAS
PROCURADOR DISCRETO
José de Magalhães e Meneses é o procurador do Ministério Público que conduz a investigação. Tem cerca de 50 anos e é tido como competente, ponderado e discreto
INTERVIR NO PROCESSO
Os McCann constituíram-se assistentes no processo. O requerimento já foi enviado para o Tribunal de Instrução Criminal, mas o juiz ainda não se pronunciou. O objectivo da família é poder intervir no processo e requerer diligências
ENTROU SOZINHA COM AR APÁTICO
Kate entrou sozinha nas instalações da PJ . Ar apático, recusou responder aos jornalistas e, em passo apressado, dirigiu-se aos polícias
"SINTO A FALTA DE MADELEINE"
Na declaração de Kate aos jornalista feita através da sua porta-voz, a mãe da criança confessava sentir “muita falta da Madeleine. O Gerry e eu voltamos a apelar à pessoa ou pessoas que a levaram ou sabem quem a levou para que tomem a atitude correcta”.
"CONTACTEM A POLÍCIA"
A declaração termina com um apelo: “Ainda não é tarde de mais – por favor libertem-na ou contactem a polícia. Chegámos a Portugal uma família de cinco pessoas e só queremos saber o que aconteceu a 3 de Maio, para que possamos regressar a casa com toda a família reunida.”
DESAPARECIMENTO
Madeleine McCann desapareceu a 3 de Maio do quarto de onde dormia na Praia da Luz, enquanto os pais jantavam num restaurante
ANÁLISES NO REINO UNIDO
Os cientistas do laboratório de Birmingham, Reino Unido, afirmaram que ainda estão a testar outros vestígios recolhidos.
ENCONTROS REGULARES
Até há cerca de um mês os encontros entre a PJ e os McCann decorriam no consulado britânico de Portimão e apenas uma vez no Departamento de Investigação Criminal
RESULTADOS NA PJ
A estação de televisão Sky News foi a primeira a avançar que a PJ tinha recebido o resultado das análises de sangue
ATENÇÃO REGRESSA À PJ
Durante todo o dia o número de populares que pretendia conhecer de perto os novos desenvolvimentos sobre o desaparecimento de Maddie foi crescendo
MUITAS SUSPEITAS
Pela primeira vez foram muitos os que mostraram reservas às declarações dos pais. O longo interrogatório também fez levantar as mais variadas suspeitas
SAÍDA DE PORTUGAL
O casal McCann tinha anunciado em diversas ocasiões que pretendia abandonar Portugal. Ontem soube-se que a saída estava prevista para domingo
SEGUNDO TEMA NA TVI
O ‘Jornal da Noite’ da TVI remeteu o caso para segundo plano, dando primazia ao assalto em Viana. Madeleine veio a seguir e ocupou 13 minutos de noticiário
DEZ MINUTOS NA RTP
O jornal da noite da RTP abriu com o caso, dedicando-lhe cerca de dez minutos. Um repórter deu conta de que na terra dos McCann o sentimento da população mudou
SIC DESTACA CASO
O ‘Jornal da Noite’ começou com Maddie, dando-lhe destaque durante 17 minutos. Além de dois jornalistas em Portimão, contou com um advogado em estúdio
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