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Irmãos morrem no mar (COM VÍDEO)

Corpo do mestre do barco foi resgatado poucos minutos depois do acidente. Vítimas usavam colete salva-vidas, mas não resistiram à força das ondas.
30 de Abril de 2010 às 00:30
Um tio das vítimas emocionou-se e lembrou que os irmãos viviam da pesca há décadas
Um tio das vítimas emocionou-se e lembrou que os irmãos viviam da pesca há décadas FOTO: Joana Neves Correia

O acidente apanhou de surpresa a família Braga, experiente na pesca e no mar das Caxinas, em Vila do Conde. A notícia da morte dos irmãos Torcato e Armando Braga, de 48 e 32 anos, que faleceram ontem de manhã na praia das Caxinas na sequência de um naufrágio, foi um choque para os familiares. 'Ninguém estava à espera disto', desabafou Fátima, irmã das vítimas.

Eram cerca das 07h00 quando tudo aconteceu. Os dois pescadores estavam na pesca do robalo junto a umas rochas e, depois de lançarem a rede, foram apanhados por uma onda mais forte. A embarcação ‘Noites de Luar’, com 6 metros e meio de comprimento, foi arrastada contra a rocha de Oliveira – assim designado o rochedo mais alto da praia. Os tripulantes morreram, o barco ficou desfeito.

A ajuda foi imediata, uma vez que ali perto estavam também três barcos, mas de pesca desportiva. O resgate do corpo de Torcato, mestre da embarcação, foi feito poucos minutos depois pelos colegas pescadores. O cadáver de Armando foi retirado do mar pela Polícia Marítima da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde. As testemunhas asseguram que as vítimas estavam a usar o colete salva-vidas.

'Pescam desde os 14 anos e nunca tinham sofrido qualquer acidente', disse ao CM o tio Joaquim Guerra. 'Tem morrido muita gente aqui na zona', lamenta outro tio das vítimas.

Durante a manhã de ontem foram vários os pescadores e populares que acorreram à praia, apesar de já não haver sinais do naufrágio. Muitos dos conhecedores daquele mar defendem que aquela zona é perigosa.

Torcato e Armando também conheciam bem as Caxinas, mas foram atraiçoados pela força do mar. O primeiro deixa mulher e filho. O segundo era pai de um rapaz de 12 anos. O funeral é amanhã.

'VEIO UMA ONDA E O BARCO VIROU'

O desabafo parte de Manuel António, pescador que ajudou a resgatar o corpo do mestre do barco ‘Noites de Luar’. 'O mar tem destas coisas. É muita traição', disse, numa tentativa de encontrar uma explicação para o desfecho fatal do naufrágio. Manuel contou com a ajuda de Joaquim Fangueiro, ambos praticantes de pesca desportiva, para retirar o cadáver. 'Já só vi o barco destruído. Uma das vítimas já estava a boiar e quando o puxei soltou--se o colete salva-vidas', contou Manuel. 'Vi que se estavam a aproximar do perigo. Veio uma onda e o barco virou. Tentei fugir da rebentação e depois fomos procurar os pescadores. Já estavam mortos', acrescentou Joaquim. A dupla retirou o cadáver e deu o alerta às autoridades.

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