Autoridades querem evitar repetição do caso Maddie e só vão avançar com dados concretos.
Duas semanas depois de Francisco Leitão ter sido preso preventivamente, por suspeita da morte de três jovens, na Lourinhã, a Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária tenta reduzir o raio de acção onde o suspeito se possa ter desfeito dos corpos. Neste momento, o trabalho é quase laboratorial, estando os investigadores a tentar reconstituir os passos do suspeito e também das vítimas, para perceber onde os restos mortais dos três jovens poderão estar escondidos. Estão a ser cruzados dezenas de depoimentos e de outros elementos de prova para evitar buscas às cegas, com poucas ou nenhumas possibilidades de resultados práticos.
A urgência em encontrar os cadáveres assenta principalmente na necessidade de dar paz às famílias das vítimas. A Polícia Judiciária considera que a descoberta dos cadáveres não é fundamental em termos de prova, já que os elementos reunidos permitem sustentar a tese de homicídio.
A descoberta dos corpos de Ivo, Tânia e Joana poderão no entanto trazer alguma luz sobre a forma como as vítimas foram assassinadas. A Judiciária acredita que terá sido usada extrema violência nos crimes, mas, neste momento, não têm qualquer confirmação de como os crimes efectivamente aconteceram.
Ainda segundo o CM apurou, a experiência do caso Maddie, onde foram visíveis centenas de buscas infrutíferas para encontrar o corpo da menina inglesa, leva as autoridades a nova estratégia. Que passa essencialmente por evitar espectáculos mediáticos que poderiam pôr em causa a credibilidade da investigação.
As análises aos vestígios que poderão existir nos inúmeros objectos apreendidos também ainda não estão concluídas. Poderão também esclarecer como os jovens foram assassinados.
AMIGA DE JOANA AMEAÇADA
Joana foi atraída até ao serial killer através de mensagens de telemóvel para ambos prepararem uma surpresa para Luís, namorado da jovem de 16 anos. Durante toda a tarde do dia 3 de Março trocou cerca de 180 SMS, mas ao lado da última vítima do ‘rei ghob’ estava a amiga Beatriz I., testemunha-chave de todo o caso. Mal Francisco Leitão soube – ao que tudo indica por Joana, antes de morrer – que havia uma testemunha, perseguiu a jovem e ameaçou-a de morte para não contar nada à PJ. O ‘rei dos gnomos’ pedia sempre encontros longe de casa dos pais e vinha acompanhado de mais dois rapazes. Um amigo disse ao CM que ouviu a conversa e que Leitão terá dito a Beatriz: 'A próxima és tu.'
FORJOU FOTOS PARA A FAMÍLIA
Após os desaparecimentos de Tânia Ramos, Ivo Delgado – ambos em 2008 – e Joana Correia em Março deste ano, Francisco Leitão tomou uma estratégia para despistar tudo e todos: aproximou-se dos familiares das vítimas e mostrou-se solidário. No caso de Ivo chegou mesmo a forjar fotografias e enviou-as à família. O serial killer chegou a escrever cartas a Marlene, irmã mais nova de Ivo. Forjou fotografias do jovem desaparecido, com imagens de um país estrangeiro em fundo. Enganou toda a gente.
'AJUDEI O 'CHICO' A PÔR TRÊS SACOS NUM PINHAL'
'Ajudei o ‘Chico’ a carregar três sacos para um pinhal em Peniche.' As palavras são de Pedro Custódio, que ontem garantiu ao CM ser amigo de Francisco Leitão. 'Fomos para Peniche para uma zona de pinhal e foi aí que pusemos os sacos que ele trazia no carro. No início desconfiei do que podia ser, mas não disse nada. Ele não deu muitas explicações. Quando ele me telefonou disse apenas que precisava da minha ajuda', conta.
A Polícia Judiciária chegou a Pedro através do telemóvel e das mensagens que trocava com o serial killer. Após a detenção de Francisco Leitão a 20 de Julho, o homem de 30 anos levou os inspectores ao local, mas depois de feitas buscas nenhum dos cadáveres de Tânia Ramos, Ivo Delgado e de Joana Correia foram encontrados.
Ao que o CM apurou junto de fonte policial, o local situado a alguns metros do cemitério de Peniche já foi passado a pente-fino mas, face aos resultados infrutíferos das buscas, actualmente já não faz parte da lista das buscas a realizar. 'Eu cheguei a trabalhar para o Francisco mas ele nem sempre tinha dinheiro para me pagar', continua. Pedro Custódio disse ainda que o ‘rei dos gnomos’ o ia buscar a casa da mãe e que depois passava os dias a trabalhar na casa--castelo. 'Era sobretudo no transporte de vários materiais da casa para os armazéns que ele alugava', acrescenta. Recorde-se que Francisco Leitão tem um armazém na zona das Cezaredas, junto a Carqueja, onde vivia com a irmã e o cunhado.
Nos últimos dias, os familiares e os ‘discípulos’ do serial killer têm arrumado o castelo.
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