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Juros da dívida aumentam 354%

No início do ano Portugal financiava-se pagando juros de apenas 0,592%. Em cinco meses o incentivo pago aos investidores quase quintuplicou.
17 de Junho de 2010 às 00:30
O ministro Teixeira dos Santos
O ministro Teixeira dos Santos FOTO: Mariline Alves

Portugal paga cada vez mais aos investidores para garantir liquidez. Desde o início do ano os juros pagos para aliciar o mercado a comprar dívida quase quintuplicaram.

O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) leiloou ontem bilhetes do tesouro no valor de 718 milhões de euros e maturidade a nove meses. Apesar de a procura ter superado a oferta em 1,8 vezes, a emissão saiu cara ao País.

A remuneração oferecida aos investidores foi 354% superior ao valor pago na primeira emissão de curto prazo do ano. Em Janeiro, os 500 milhões de euros foram leiloados com um juro de 0,592%. Ontem, o prémio pago a quem financiou o Estado atingiu os 2,689%.

A 7 de Abril, data em que Portugal colocou 500 milhões de bilhetes do tesouro com a mesma maturidade, a pressão sobre a dívida foi bem inferior. Nessa altura, o Estado pagou um juro de 1,046%, menos de metade do valor ontem oferecido.

Ao que o Correio da Manhã apurou, participaram no leilão 14 bancos, a maioria dos quais estrangeiros. A elevada procura foi vista como 'um sinal importante perante a actual situação'. O CM sabe que o juro pago na emissão de ontem foi 3,8 pontos-base mais baixos do que a taxa paga no mercado secundário, utilizado pelo Banco Central Europeu.

Apesar deste atractivo, Portugal surge um pouco penalizado pelo efeito de contágio do país vizinho, que tem gerado uma desconfiança geral em relação à sustentabilidade das suas contas públicas.

Ontem, Espanha viu o risco soberano atingir o valor recorde de 222 pontos.

PORMENORES

DISTINÇÃO

Os bilhetes do tesouro são uma forma de o Estado se financiar nos mercados financeiros a curto prazo. As obrigações do tesouro são títulos de dívida a médio e longo prazos.

REGRESSO AO MERCADO

Na próxima semana, no dia 23, Portugal vai regressar ao mercado com uma nova emissão de 800 milhões e maturidade de cinco anos.

PESO NO PPR DO ESTADO

O peso da dívida pública no PPR do Estado caiu em Maio. Representa agora apenas 37% do montante total gerido pelo Instituto da Segurança Social.

CRESCIMENTO DÉBIL

Dominique Strauss-Khan, director-geral do FMI, admitiu ontem que a Europa vai viver um período 'relativamente longo' de crescimento económico débil.

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