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Lucros de 5 mil milhões

Os ganhos da indústria farmacêutica no fabrico de vacinas contra a gripe A e antivirais estão sob suspeita do Conselho da Europa.
12 de Janeiro de 2010 às 00:30
Países europeus contam com um excesso de doses de vacinas
Países europeus contam com um excesso de doses de vacinas FOTO: Horacio Villalobos/Epa

O ganho de cinco mil milhões de euros pela indústria farmacêutica no fabrico de vacinas contra a gripe A e antivirais leva o Conselho da Europa a avaliar a possibilidade de criar uma comissão de inquérito para analisar a pressão que os laboratórios terão exercido na Organização Mundial da Saúde (OMS) para ter declarado a doença como uma pandemia. Portugal gastou até Dezembro 90 milhões de euros, 45 milhões dos quais em vacinas.

Segundo o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, a campanha da 'falsa pandemia da gripe, criada pela Organização Mundial da Saúde e outros institutos em benefício da indústria farmacêutica, é o maior escândalo do século na Medicina'.

Este médico alemão é responsável pela proposta a ser debatida com carácter de urgência dia 25, alegando exagero da OMS sobre os perigos da gripe A. 'O Conselho da Europa vai organizar um debate sobre a influência da indústria na OMS e, posteriormente, serão informados dos resultados 47 parlamentos da Europa', acrescentou Wolfgang Wodarg. Vários países europeus possuem reservas de milhões de doses de vacinas que os seus cidadãos recusam tomar.

A OMS divulgou entretanto que mais de 150 milhões no Mundo foram vacinados e que sempre foi divulgado que o impacto da gripe era moderado.

A doença já matou 12 799 pessoas no Mundo e 83 em Portugal.

DISCURSO DIRECTO

'OMS CRIOU UM PÂNICO INFUNDADO', António Vaz Carneiro, Prof. Fac. Medicina Lisboa

Correio da Manhã – Em Junho, mostrou reservas, agora confirmadas, sobre a gravidade da gripe A. Como explica a reacção das autoridades para a vacinação em massa?

António Vaz Carneiro – Há que distinguir entre a decisão dos políticos – que querem o mínimo de mortes e que tomam as suas decisões com base em órgãos científicos como a Organização Mundial da Saúde – e o Centro de Controlo de Doenças norte-americano, cabendo a estes a responsabilidade por criarem um pânico infundado.

– 0 que falhou?

– Estes organismos científicos reagiram de uma forma política, numa situação lamentável. A OMS avançou com a possibilidade, muito reduzida, de haver 71 milhões de mortos no Mundo. A verdade é que até hoje morreram 12 mil no Mundo. Valor muito abaixo das mortes de gripe sazonal, que só em Portugal mata dois mil por ano.

– Este alarme é inédito?

– Não, já aconteceu com as vacas loucas e a gripe das aves.

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