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Máfia brasileira presa na Caparica

Sandro ‘Bala’ – o cabecilha – escapou a megaoperação do DIAP de Lisboa, que ontem efectuou 15 detenções. Um dos detidos é militar da GNR.
20 de Fevereiro de 2010 às 00:30
CM revelou actividades do grupo de Sandro ‘Bala’ a 14 de Dezembro do ano passado e avançou a forma como eram recrutados lutadores de jiu-jitsu no Brasil para cometerem crimes em Portugal.
CM revelou actividades do grupo de Sandro ‘Bala’ a 14 de Dezembro do ano passado e avançou a forma como eram recrutados lutadores de jiu-jitsu no Brasil para cometerem crimes em Portugal.

Mestre. É assim que compatriotas e amigos tratam Sandro Lima ‘Bala’, um brasileiro de 38 anos, praticante de jiu-jitsu e que com o auxílio de comparsas, entre os quais o dono de uma empresa de segurança privada de Setúbal, geriu durante anos uma associação criminosa que, pelo terror, dominava a noite da Margem Sul e de Lisboa. Investigado há mais de um ano pelo DIAP de Lisboa, o gang foi ontem desfeito pela operação ‘Nemesis’, que juntou mais de 600 operacionais da PSP, GNR e SEF. Quinze pessoas foram detidas, entre as quais um guarda da GNR da Costa de Caparica.

Sandro ‘Bala’, no entanto, não está entre os detidos. A 13 de Dezembro de 2009, o brasileiro terá alvejado com três tiros o compatriota Fábio Lima, num ajuste de contas na Costa de Caparica, fugindo de seguida para o país natal.

Coordenada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa, a investigação ao gang de Sandro ‘Bala’ foi efectuada por equipas mistas da PSP, GNR e SEF. O brasileiro recrutava compatriotas no país natal, com conhecimentos de jiu-jitsu, usando-os depois em extorsões a discotecas, bares e restaurantes. O ‘Budha Bar’ e a discoteva ‘W’, ambos em Lisboa, são dois exemplos de estabelecimentos visitados e destruídos pelo grupo, que assim pretendeu impor serviços de segurança. Carlos Pereira, dono da empresa ‘Olho Vivo’, sediada em Setúbal, e patrão de Sandro ‘Bala’, pertencia também ao gang, à semelhança do militar da GNR Jorge Teixeira que, segundo o DIAP, avisava o grupo de operações policiais e geria a conta bancária do gang.

Assim, na posse destas provas, o DIAP de Lisboa avançou, entre o final da noite de quinta-feira e a manhã de ontem, para o cumprimento de 13 mandados de detenção e 38 mandados de busca. Catorze homens e uma mulher foram presos, tendo sido apreendido inúmero material relacionado com a actividade criminosa do gang. Os detidos devem ser hoje presentes às Varas Criminais de Lisboa.

PORMENORES

SUPERIOR PRENDE

Jorge Teixeira, militar da GNR, foi chamado anteontem ao posto da Costa de Caparica. Esperava-o um seu superior, comandante do Destacamento de Almada, que lhe pediu a arma de serviço e o prendeu.

MATERIAL APREENDIDO

Onze armas de fogo, cinco armas brancas, 900 munições, 2 coletes antibala, droga, 10 carros, 28 computadores e ouro, foi o material apreendido na operação ‘Nemesis’. 

DETIDO MATOU HOMEM COM DOIS MURROS NA CABEÇA

Carlos Santos morreu a 11 de Dezembro de 2009, no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Doze dias antes, a 29 de Novembro, o jovem cruzou-se com Hélder Varela, um dos detidos na operação ‘Nemesis’, junto à discoteca ‘Ondeando’, em Santa Marta de Corroios, Seixal. Uma discussão por causa de um carro mal estacionado levou Varela, também segurança e praticante de jiu-jitsu no ginásio de Sandro ‘Bala’, a desferir dois fortes murros na cabeça de Carlos Santos, que viria a morrer, vítima de inúmeros ferimentos.

DISCURSO DIRECTO

'CRIME ORGANIZADO OBRIGA A COORDENAÇÃO', Maria José Morgado, Directora do DIAP de Lisboa

Correio da Manhã – A operação ‘Nemesis’ é exemplo da coordenação ideal entre as diversas forças de segurança?

Maria José Morgado – Creio que a operação ‘Nemesis’ foi, isso sim, um exemplo de trabalho correcto e eficaz entre as forças de segurança e o Ministério Público, a nível organizacional, tendo em vista o combate ao crime organizado.

– Nesta operação participaram 600 operacionais de diversas forças de segurança (PSP, GNR, e SEF). O que foi necessário para coordenar, no terreno, tantos efectivos?

– Foi, acima de tudo, necessária uma equipa coesa, definida pelo Ministério Público, e uma estratégia de combate ao crime com definição clara de objectivos de trabalho.

– As equipas mistas, usadas na investigação deste processo, são solução para reforçar o combate ao crime organizado?

– Julgo que o crime organizado, nomeadamente o crime muito organizado, nos obriga a fomentar a coordenação entre as várias forças de segurança. Este processo foi um bom exemplo, até para chamar a estas equipas outras forças policiais como a Polícia Judiciária.

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