Barra Cofina

Correio da Manhã

Exclusivos
9

Mandado estava marcado com sinal

Paulo Costa está acusado de ter fornecido à RTP o mandado de busca ao seu estabelecimento e à sua residência no dia da operação ‘Face Oculta’, a 28 de Outubro. A única prova que o processo de violação do segredo de justiça apresenta é uma marca específica (=), manuscrita em várias páginas do documento. O Ministério Público alega que os restantes mandados com o mesmo despacho foram também marcados em páginas diferentes. É a primeira vez que o MP assume este tipo de actuação para detectar eventuais fugas de informação.
6 de Janeiro de 2010 às 00:30
O sinal de igual do despacho de Paulo Costa (de frente, na foto) é diferenciador
O sinal de igual do despacho de Paulo Costa (de frente, na foto) é diferenciador FOTO: José Rebelo

De acordo com a acusação do DIAP de Coimbra, foi através do visionamento das imagens que os investigadores concluíram que a marca no papel era a mesma do mandado entregue a Paulo Costa. Em menos de um mês foi deduzida a acusação e o julgamento está já marcado para 27 de Janeiro, no Tribunal Judicial de Ílhavo.

No inquérito, Paulo Costa negou ter fornecido o documento a qualquer jornalista da RTP ou de outro órgão de comunicação. A acusação afasta completamente o eventual envolvimento dos seus advogados, que também tiveram acesso ao mandado no mesmo dia e que dizem ter enviado por fax para o escritório no Porto, nos serviços dos CTT em Aveiro.

O CM sabe que os jornalistas da RTP que assinaram as peças sobre a operação ‘Face Oculta’ não foram notificados para ser ouvidos neste processo, nem foram realizadas outras diligências na estação de televisão pública. A defesa de Paulo Costa contestou já a fundamentação da acusação e requereu a audição dos responsáveis da RTP. Os advogados alegam que Paulo Costa foi surpreendido em casa, pela Polícia Judiciária, por volta da 09h00 do dia 28 de Outubro. Nas buscas à residência e à sucata, Paulo Costa esteve sempre acompanhado por inspectores, até ser conduzido para as instalações da PJ de Aveiro, de onde saiu por volta das 18h00. Foi para casa, e não mais voltou a sair.

O Correio da Manhã tentou contactar o arguido Paulo Costa e o seu advogado, Pedro Marinho Falcão, mas ambos negaram esclarecimentos adicionais.

COSTA COM CARROS DA EMPRESA DE MANUEL GODINHO

Paulo Costa e o pai, Manuel Costa, tratavam dos negócios de Godinho nas sucatas e imobiliárias. Paulo usufruía da frota automóvel do sucateiro, inclusive do Mercedes SL500 oferecido a Paiva Nunes, da EDP. Em troca, Godinho entregou a Paulo um Porsche, que o sucateiro terá usado apenas alguns dias até obter outro Mercedes. Paulo Costa foi indiciado por quatro crimes de receptação e um de associação criminosa. O pai é suspeito de três crimes de receptação e um de associação criminosa. Pagaram cauções de 25 e 15 mil euros respectivamente.

PORMENORES

PERÍCIAS

A defesa de Paulo Costa vai pedir perícias às marcas manuscritas nos documentos.

‘TELEJORNAL’

As folhas do mandado foram exibidas na reportagem do ‘Telejornal’, na RTP, às 20h00, ainda decorria a operação da PJ de Aveiro.

AUDITORIA

A Inspecção-Geral das Finanças entregou ontem ao Governo a auditoria às empresas públicas envolvidas no processo.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)