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Mata à frente do filho

Não aceitou a separação e disparou com caçadeira sobre a ex-companheira. Criança de oito anos assistiu a tudo e foi a correr chamar a GNR
16 de Abril de 2010 às 00:30
Apartamento em Quarteira
Apartamento em Quarteira

'Tenho uma coisa para ti.” Foram estas as únicas palavras de Manuel antes de disparar um tiro de caçadeira sobre a ex-companheira, ontem, à saída de casa, em Quarteira.

É o mais recente caso de violência doméstica com queixas prévias na GNR e que acaba com a morte de uma mulher.

Paula tinha 38 anos e preparava-se para levar o filho de oito anos à escola, por volta das 08h25. Foi surpreendida pelo ex-companheiro à porta do elevador do lote 5 do Sítio da Abertura e atingida na zona lateral do tórax. “Ouvi um grito de susto dela e ele a dizer ‘tenho uma coisa para ti’. Depois um disparo muito forte”, recordou ao CM Enrrieta Simões, vizinha, que chamou de imediato o 112, mas que teve “medo” de sair de casa. Confirma que “o casal discutia várias vezes dentro e fora da habitação”.

O filho de oito anos da vítima assistiu a tudo. Ao se aperceber da situação, conseguiu fugir do local e foi a correr chamar a GNR. Depois voltou para casa, para tentar socorrer a mãe, que ainda foi assistida por uma equipa médica do INEM e transportada ao Hospital de Faro mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo explicou ao CM fonte do INEM, o disparo “atingiu a vítima na zona torácica lateral, por baixo da axila. Estava ainda consciente quando foi transportada ao Hospital de Faro”.

O menor “está em estado de choque e a ser acompanhado, junto com os dois irmãos, de 12 e 17 anos, por uma equipa de psicólogos da Câmara de Loulé”, referiu ao CM uma irmã de Paula, que lamenta que “a GNR e a Segurança Social nada tenham feito quando foram apresentadas queixas”. Segundo a mesma familiar, as ameaças de morte foram várias (ver caixa). Manuel, desempregado da construção civil, “nunca aceitou o fim da relação amorosa”. O suspeito, que se entregou na GNR de Loulé durante a tarde de ontem, foi companheiro de Paula até há quatro meses. É natural do Alentejo e residia em Quarteira. 

PORMENORES

JUNTOS TRÊS ANOS

A relação entre Paula e Manuel, ambos naturais do Alentejo, começou há pouco mais de três anos e acabou há quatro meses.

FILHO SEM PAI E MÃE

Paula ficou viúva depois de o pai dos três filhos, de 8, 12 e 17 anos, ter morrido num acidente de viação há cerca de oito anos. Os três vão viver com os avós.

FUNERAL NO ALENTEJO

O funeral de Paula será realizado na Aldeia da Estrela, em Moura, onde reside a família.

VÍTIMA SOFRIA AMEAÇAS ATÉ NO TRABALHO

Desde o momento em que Paula decidiu acabar a relação amorosa com Manuel que as discussões e ameaças eram uma constante. “Ela andava a ser ameaçada há muito tempo por telefone e em casa. Ele chegava a dormir nas escadas do prédio para a intimidar”, confirmou um familiar. Ao que o CM apurou, Paula chegou mesmo a ser ameaçada por Manuel, pelo menos duas vezes, à saída do supermercado onde trabalhava, em Quarteira. “Quando eles moravam juntos ouvia-se sempre gritos dentro de casa. Ela quis acabar com tudo, mas ele nunca aceitou e não a largava”, relatou uma vizinha ao CM. 

HOMEM DETIDO EM LISBOA POR AMEAÇAR MULHER

Anteontem, em Lisboa, um outro caso de violência doméstica resultou na detenção de um homem, que estava proibido pelo juiz de contactar a ex-companheira por qualquer meio. O agressor, de 30 anos, foi encontrado na passada terça-feira junto à porta do prédio onde a mulher reside, na zona dos Olivais, em Lisboa, e acabou detido.

Segundo a PSP, a detenção ocorreu no âmbito de uma investigação que decorria há cerca de dois anos, altura em que o casal ainda mantinha uma relação conjugal, apesar dos “maus tratos físicos recorrentes”. Com o aumentar da violência, o agressor foi proibido de contactar a ex-companheira, mas este continuou a ameaçá-la através de SMS.

O homem foi novamente presente ao juiz e está agora proibido de sair de casa. 

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