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Mata filha, atinge mulher e suicida-se

Idosa encontra cenário de terror. Bisneta, de oito anos, morta em cima do corpo da mãe, que ainda respirava.
10 de Setembro de 2011 às 00:30
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famalicão, homicídio, suicídio, tragédia, família FOTO: Pedro Lourenço Ferreira

Nádia, de oito anos, foi morta a tiro. O corpo foi encontrado em cima do da mãe, Andreia Ferreira, de 30 anos, que também foi baleada na cabeça mas ainda respirava. O pai, Hélio Carneiro, de 42, estava também morto a poucos metros, com a arma ao lado. Tudo indica que foi o homem quem disparou contra a mulher e depois matou a filha. Nádia e Andreia estavam deitadas na cama e o corpo de Hélio jazia no chão. A tragédia, que aconteceu em Nine, Famalicão, ao que tudo indica ontem de manhã, foi o culminar de muitos anos de violência doméstica.

"Tanto me custou a criá-la e agora vem este ladrão roubar--me as meninas. Como é que eu vou viver com esta imagem na minha cabeça?", perguntava-se, entre soluços, Margarida Ferreira. Aos 76 anos, a mulher que encontrou os corpos – é avó de Andreia, bisavó de Nádia – não escondia o desespero. Garantia que já tinha pedido à neta que fugisse de casa. Dava-lhe guarida, mas aquela tinha medo. Por ela e pela filha.

O que aconteceu ao certo ninguém sabe. A última vez que o casal foi visto foi pelas 09h00. Às 16h00, e porque Nádia, aluna de mérito inscrita no 3º ano, faltou pelo segundo dia à escola, a professora chamou a Escola Segura, que contactou a avó de Andreia para que abrisse a porta. O cenário encontrado era chocante. O corpo da pequena Nádia apresentava já alguma rigidez, o que indica que o homicídio ocorreu de manhã.

As discussões entre o casal agravaram-se nos últimos dias. Hélio estava a tornar-se cada vez mais possessivo e tinha inclusive impedido a mulher de frequentar um curso do centro de emprego. Andreia sentia-se também cada vez mais sozinha e afastada da família, pelo que há alguns dias mandou uma mensagem de telemóvel a uma tia a pedir auxílio. Na SMS dizia que tinha atingido o limite e que não aguentava mais viver com Hélio.

ANDREIA ESTÁ ACORDADA MAS NÃO FALA POR ESTAR EM CHOQUE

Andreia, 30 anos, sobreviveu ao tiro disparado por Hélio, e ao fecho desta edição estava internada sob vigilância permanente no Hospital de Braga.

A mulher tem uma bala alojada na cabeça, mas entrou na unidade hospitalar consciente e abria os olhos quando a equipa médica falava com ela. No entanto, não falava, ao que tudo indica por estar em estado de choque, disse ao CM fonte hospitalar. A mulher tem várias marcas de violência no corpo, nomeadamente escoriações e hematomas que indiciam agressões recorrentes, algumas recentes e outras infligidas há muito tempo.

TEVE ESGOTAMENTO E DEIXOU TRABALHO

Andreia andava muito triste nos últimos meses devido às constantes agressões por parte do marido e aos negócios ilícitos em que aquele estava envolvido. A mulher chegou mesmo a ter um esgotamento e meteu baixa na fábrica onde trabalhava. Aos amigos confessou andar desiludida com a vida que tinha e referiu várias vezes que a filha tinha de ter uma vida melhor.

"Ela não aguentava mais. Nunca me contou que o marido lhe batia, mas via-se que não era feliz. Eles tinham tantos problemas que a Andreia teve um esgotamento", contou ao CM a vizinha Ana Rita.

A família vivia há cerca de quatro anos num humilde anexo de uma casa. Hélio tinha contraído muitas dívidas e as dificuldades financeiras aumentaram. O homem estava desempregado e fazia apenas alguns biscates.

"A vida deles era muito complicada. Tinham pouco dinheiro", disse Ana Rita.

 

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