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Matou e enterrou amante da mulher

A vítima era o ex-marido dela, que também foi cúmplice do crime consumado com uma moca.
2 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Para encontrar o corpo foi removida uma área de 20 metros, de pinhal e eucaliptal, em Alpedriz
Para encontrar o corpo foi removida uma área de 20 metros, de pinhal e eucaliptal, em Alpedriz FOTO: Carlos Barroso

Dormiram os dois com a mesma mulher e, por causa dela, um tirou a vida ao outro. O crime ocorreu em 2005, nos arredores de Leiria, mas só agora o homicida resolveu desvendá-lo às autoridades. Telefonou da Suíça para a PSP de Marrazes e, num rebate de consciência, confessou tudo. Alertada a PJ, os inspectores conseguiram convencê-lo a regressar a Portugal. Fizeram a reconstituição do homicídio, exumaram as ossadas e hoje apresentam o autor confesso a um juiz de instrução criminal.

A mulher, que não se encontra em Portugal, terá presenciado o assassínio e é procurada pelas autoridades.

O homicídio aconteceu em Agosto de 2005, por causa de uma traição. O agressor, talhante de profissão e agora com 42 anos, apanhou a mulher na cama com o ex-companheiro – Fernando Lopes da Costa – e matou-o com um objecto contundente, que a PJ acredita ter sido "uma moca". Em seguida, transportou o cadáver até um pinhal de Alpedriz, no concelho de Alcobaça, e enterrou-o numa zona onde dificilmente seria descoberto.

Após o crime, o casal emigrou para a Suíça. Agora, ter-se-ão separado e o homicida resolveu confessar o assassinato. Fez uma chamada telefónica para a esquadra da PSP de Marrazes, Leiria, e, num discurso coerente e bem estruturado, disse ter morto uma pessoa há cinco anos, que enterrou num pinhal. O caso foi encaminhado para a PJ. Depois de várias diligências para confirmar a veracidade da confissão, os inspectores trataram de convencer o homicida a entregar-se às autoridades portuguesas, uma vez que ele pretendia fazê-lo à polícia suíça.

No último fim-de-semana, o homem apresentou-se no Departamento da PJ de Leiria e disponibilizou-se para conduzir os investigadores até ao local onde enterrara o cadáver. Depois de dois dias de buscas, as ossadas foram encontradas e exumadas.

Segundo fonte da PJ, a vítima residia nos arredores da cidade de Leiria, com os três filhos, agora maiores de idade. Foi uma filha que, em Agosto de 2005, apresentou queixa na PSP de Leiria pelo desaparecimento de Fernando Lopes da Costa. Na ocasião, as buscas efectuadas pela polícia e bombeiros não deram resultados e o caso foi arquivado.

CORPO A POUCA PROFUNDIDADE

O corpo da vítima estava enterrado a pouca profundidade, num terreno com pinheiros e eucaliptos, na zona de Alpedriz, concelho de Alcobaça, a pouca distância da saída para Pataias da A8. A remoção foi acompanhada por peritos da Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), além da própria PJ.

BUSCAS NO TERRENO DURANTE DOIS DIAS

As buscas no pinhal e eucaliptal prolongaram-se por dois dias, já que o homicida não soube indicar com precisão aos investigadores da Polícia Judiciária o local onde tinha enterrado o corpo. Foi removida uma área de 20 metros, tendo os trabalhos envolvido também bombeiros de duas corporações do concelho de Alcobaça. No primeiro dia de buscas foram usadas pás e enxadas e nada foi encontrado. Ontem de manhã os trabalhos foram retomados, desta vez com recurso a uma máquina retroescavadora. O corpo foi encontrado ainda durante a manhã, mas os trabalhos no terreno prolongaram-se por todo o dia.

"FOI PRECISO FAZER UM TRABALHO DE MENTALIZAÇÃO"

A confissão feita pelo homicida apanhou de surpresa os investigadores. "É uma situação especial em que o autor de um crime resolve desabafar e contar os factos", refere Carlos do Carmo, coordenador do Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ. Segundo o responsável, depois de confirmados os dados apresentados pelo assassino, foi preciso fazer "um trabalho de mentalização" para o convencer a regressar a Portugal e evitar o processo de extradição.

 

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