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Medalha dos 100 anos censurada

Centros republicanos aprovaram por aclamação um voto de protesto pelo atraso na edição da obra do escultor João Duarte
10 de Outubro de 2010 às 00:30
Artur Santos Silva está na mira dos republicanos pelo atraso na edição
Artur Santos Silva está na mira dos republicanos pelo atraso na edição FOTO: Mário Cruz/Lusa

Os republicanos estão indignados. Uma medalha comemorativa do centenário do 5 de Outubro ficou na gaveta por decisão da Comissão Nacional do Centenário da República, presidida por Artur Santos Silva.

Num comunicado emitido na última sexta-feira, na sequência de um pedido de esclarecimento do CM, a Comissão Nacional justifica a decisão "por não estarem reunidas as condições para a produção de uma medalha que correspondesse aos objectivos comemorativos do Centenário da República".

A ideia de lançar uma medalha comemorativa foi da própria Comissão, que lançou um concurso público para o efeito. Concorreram 14 escultores, e o vencedor foi João Duarte. O CM sabe que a Casa da Moeda fez um exemplar que foi entregue há meses à Comissão Nacional. No dia 12 de Agosto, foi o próprio escultor João Duarte quem escreveu uma carta a Santos Silva e à Casa da Moeda a pedir explicações sobre o atraso. Apenas recebeu resposta da empresa do Estado, que o informou de que estava à espera de ordens da Comissão Nacional.

No encontro dos centros republicanos, que decorreu em Campo de Ourique, no quartel onde arrancou a Revolução do 5 de Outubro, foi aprovado por aclamação um voto de protesto pelo facto de a Comissão Nacional do Centenário da República e o conselho de administração da Imprensa Nacional Casa da Moeda inviabilizarem a edição da medalha evocativa do 5 de Outubro de 1910.

ANTÓNIO COSTA SOB FOGO

A Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Lisboa está ma mira de fogo dos republicanos.

E isto porque tem em cima da mesa, desde 2003, uma proposta de atribuição dos nomes de João Chagas e Mário Azevedo Gomes a ruas da capital. A denúncia foi feita durante a romagem no cemitério do Alto de São João ao túmulo dos fundadores da República. António Valdemar, orador da cerimónia, lembrou que recentes executivos municipais deram o nome de um juiz do Tribunal Plenário, que funcionava em ligação directa com a PIDE, a um largo de Benfica. E na agenda da Comissão de Toponímia continua a proposta para atribuir uma rua com o nome do general que, como governador civil de Lisboa, encerrou as Conferências do Casino, promovidas por Antero de Quental e Eça de Queiroz, entre outros.

 

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