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Médico espanhol acusado de negligência em Viana

A família de uma mulher de 26 anos que ontem de madrugada faleceu em Viana do Castelo vai levar a tribunal o Centro Hospitalar do Alto Minho por alegada negligência médica.
2 de Fevereiro de 2005 às 13:00
A mulher, Manuela Maria Morgado, tinha dado à luz um menino, no passado dia 7, precisamente no Hospital de Viana e, desde essa altura, devido a dores constantes, passou a precisar de acompanhamento médico frequente. Mas a questão agravou-se na quinta-feira, quando Maria Morgado pediu aos familiares para a levarem ao hospital.
“Chamámos a ambulância, ela deu entrada na urgência, foi vista por um médico espanhol que, ao fim de lhe fazer alguns exames, a mandou para casa, dizendo que ela não tinha nada”, disse ao CM a cunhada, Carla Costa, acrescentando que “a situação repetiu-se na sexta-feira, no sábado e no domingo”.
Segundo esta familiar, Maria Morgado “não parava de chorar e de se contorcer com dores no corpo todo, sobretudo na barriga”. O médico, acrescenta, “dizia sempre que ela não tinha nada de especial e que aquilo com uns tranquilizantes passava”.
Só que, pelas 8h00 de ontem, o marido verificou que a mulher não tinha reacção. Assustado, tentou reanimá-la, mas sem sucesso.
Revoltada, a cunhada diz que, “por causa de um médico espanhol, que não cumpriu o seu dever, uma mulher nova morreu e deixou órfão um menino de três semanas”.
Para além do médico e do Hospital de Viana, a família também está revoltada com o INEM, alegando que “até se recusaram a atender as chamadas”, e os acusaram de serem “muito chatos”.
Contactada pelo CM, a administração do Centro Hospitalar do Alto Minho, pela voz de uma assessora, disse não ter conhecimento de nada e, como tal, não justificava fazer comentários. A autópsia deverá realizar-se hoje ou amanhã. A família deve avançar com a queixa na sexta-feira.
PORMENORES
SAUDÁVEL
O tormento de Manuela Maria Morgado começou no passado dia 7 de Janeiro, quando deu à luz o Carlos Francisco, o seu único filho. Diz a cunhada, Carla Costa, que, até então ela era uma rapariga muito alegre e saudável.
CESARIANA
A gravidez foi considerada de risco e o bebé teve de nascer de cesariana. No entanto, as queixas de Maria Morgado nada teriam a ver com o parto. Ela queixava--se de dores em todo o corpo, com especial incidência na barriga.
INEM
Para além de um médico espanhol e do Hospital de Viana do Castelo, as queixas da família de Maria Morgado têm também como alvo o INEM. Diz a família que, por mais do que uma vez, os operadores desvalorizaram a situação.
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