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Militar assaltado leva três facadas

Dois jovens foram cercados, agredidos e roubados por gang de dez à saída do comboio. Vítima de 22 anos acabou atingida no ombro, peito e abdómen.
29 de Junho de 2010 às 00:30
Imagens de videovigilância captaram momento da agressão e fuga do grupo perigoso. PSP já está a investigar o caso e tenta localizar agressores
Imagens de videovigilância captaram momento da agressão e fuga do grupo perigoso. PSP já está a investigar o caso e tenta localizar agressores FOTO: Sérgio Lemos

Primeiro os dois jovens militares foram abordados por três assaltantes, mal saíram do comboio na estação de Queluz-Belas, mas não tardaram a ser cercados por mais sete, que os agrediram com violência e lhes roubaram os telemóveis e as carteiras. A noite de terror estava lançada, pelas 23h30 de sexta-feira, e, entre ameaças de morte, o mais novo dos militares, 22 anos, acabou por ser esfaqueado três vezes, no ombro, peito e abdómen. Foi internado no Hospital Amadora-Sintra.

A vítima, natural de Boticas, em Vila Real, e o amigo de 23 anos são militares colocados no Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1 de Queluz. E as facadas, desferidas por um só agressor quando o jovem ofereceu resistência ao gang de dez elementos na entrega dos bens pessoais, ocorreram um dia antes de um grupo de 40 jovens ter lançado um arrastão dentro de um comboio na Linha de Cascais. Assaltaram inúmeras pessoas e a PSP já deteve quinze agressores (ver caixa).

Depois do ataque aos militares, o grupo pôs-se em fuga e não mais foi visto. O gang é suspeito de vários ataques do género em comboios a jovens e idosos, adiantou ao CM uma fonte policial. De referir que os dez agressores não actuaram encapuzados. Depois do roubo, deixaram para trás a vítima a esvair-se em sangue. A PSP foi chamada à estação mas a faca utilizada no crime não foi localizada. A vítima foi assistida por uma equipa médica no local, mas face à gravidade das lesões, teve de passar a noite em observações no Hospital Amadora-Sintra. Sábado, ao final do dia, teve alta e está agora a recuperar no quartel. O jovem apresentou, desde logo, queixa na polícia.

A PSP está a investigar o caso e o grupo também já estará identificado pelas autoridades – as imagens de videovigilância na estação captaram o grupo a agredir e a fugir, apurou o CM. A vítima também conseguiu identificar dois deles, como sendo utilizadores dos comboios e responsáveis por ataques a pessoas em toda aquela linha.

POLÍCIA DE CHOQUE VIGIA NOS COMBOIOS

A PSP está preocupada com a grande afluência de grupos de jovens oriundos de bairros problemáticos aos comboios das linhas de Sintra e Cascais, sobretudo nos meses de Verão. Para travar uma onda de assaltos, vandalismo e agressões nos transportes, aquela autoridade reforçou o policiamento nas carruagens e estações, nomeadamente através da presença do Corpo de Intervenção (CI). Conforme o CM avançou na edição de ontem, a intenção é obter mais visibilidade através do reforço da polícia de choque. A garantia foi dada pela PSP depois do arrastão do último sábado na Linha de Cascais, quando cerca de 40 rapazes e raparigas da Quinta do Mocho, Sacavém, varreram um comboio entre Carcavelos e Cais do Sodré, espalhando terror. Dos 15 identificados só três foram presentes ao juiz.

'TODA A GENTE TEM MEDO DE SER ROUBADA'

'Quando saio de casa, tenho sempre o receio de ser assaltado. Aliás, toda a gente tem medo de ser roubada. Aqui o perigo maior são os grupos. Quem se arrisca a meter-se com um leva com os amigos todos', começa por dizer João Almeida, morador de Queluz e habituado ao vandalismo, às agressões e ao terror dos comboios. O homem de 59 anos diz ainda ao CM que se sente inseguro porque não vê polícias nas ruas. 'O problema não é só dos comboios, mas também das ruas que estão desertas, principalmente à noite. Se formos atacados não há ninguém para nos socorrer, sobretudo se falarmos da PSP', finaliza.

OUTROS CASOS

ESTUDANTES

A 7 de Junho três estudantes foram espancados por quinze pessoas na estação de metro da Ameixoeira, em Lisboa.

ESPANCADA A SALVAR

Uma mulher de 38 anos foi agredida quando tentava salvar um rapaz de um grupo de cinco homens na estação de Rio de Mouro, Sintra, em 20 de Junho.

IRMÃOS SOVADOS

No sábado passado, dois irmãos foram perseguidos e roubados numa carruagem do Metro Sul do Tejo, em Almada.

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