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Molho inglês recolhido

Milhares de litros de um molho inglês que contém um corante ilegal cancerígeno – o ‘Sudan I’ – entraram em Portugal. Depois do alerta lançado sexta-feira pela União Europeia (UE), o nosso país foi identificado como um dos importadores do produto. No entanto, ao contrário do verificado no Reino Unido, onde a entidade nacional responsável pela fiscalização alimentar tornou pública, de imediato, a informação referente às marcas contaminadas, Portugal recusa fazê-lo, sem bem que os consumidores estejam a ser aconselhados a evitar consumir este tipo de molhos.
23 de Fevereiro de 2005 às 12:30
António Ramos, Director-Geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar (DGFCQA), confirmou ao CM que “a marca inglesa, produtora do molho, enviou embalagens para diferentes países da UE, entre eles Portugal”. A empresa importadora, que opera na zona das Caldas da Rainha, “reembalou o molho em embalagens mais pequenas, que seriam distribuídas no mercado”. A DGFCQA apreendeu 16 800 litros do molho inglês e identificou os lotes contaminados, mas não avança o que todos os consumidores querem saber: o nome do produto em causa.
A DGFCQA não sabe, adianta António Ramos, se “alguma das embalagens contaminadas foi vendida”. Mas opta por manter os consumidores na ignorância, justificando-se com “o segredo de Justiça”, uma vez que o processo sobre a matéria já foi enviado para o Tribunal Judicial das Caldas da Rainha, “a quem cabe decidir se a informação referente às marcas será tornada pública”.
No Reino Unido, o Governo tratou a situação de forma bem diferente. O direito dos consumidores à informação foi uma prioridade das autoridades, isto apesar do risco para a saúde pública ser considerado baixo. A ‘Food Standards Agency’, congénere britânica da DGFCQA, emitiu um alerta e tornou público, no seu ‘site’, a lista de todos os produtos contaminados, 350 ao todo.
ALERTA VEIO DE ITÁLIA
O alerta inicial da existência do ‘Sudan I’ no molho inglês foi dado pela Itália, um dos importadores. A agência britânica que regulamenta a área da alimentação entrou em acção e confirmou a existência do corante vermelho em vários alimentos.
As investigações para determinar quais incluem na confecção este molho, produzido pela Premier Foods, ainda não chegaram ao fim e a lista de produtos contaminados pode aumentar. Ao mesmo tempo, centenas de produtos estão a ser retirados das prateleiras de lojas e supermercados no Reino Unido.
Entretanto soube-se hoje que o molho proibido foi utilizado também na confecção de refeições congeladas e sopas, além de que a empresa que o fabrica consta da lista de fornecedores de vários hospitais, o que veio aumentar o alerta já lançado junto da opinião pública britânica.
CORANTE TRAZ RISCO DE CANCRO
Proibido nos alimentos em toda a Comunidade Europeia, o ‘Sudan I’, normalmente usado para dar cor a solventes, óleos, ceras e graxas, é uma das substâncias que integra uma longa lista negra. Tudo porque aumenta o risco do desenvolvimento de problemas cancerígenos. No entanto, segundo os especialistas, tendo em conta que os níveis de chili – ingrediente onde foi detectado o corante – usados na confecção do molho são muito pequenos, é também diminuta a probabilidade de desenvolvimento de uma doença cancerígena.
Apesar de optarem por desdramatizar, mesmo assim os peritos britânicos preferem jogar pelo seguro. Entre os muitos conselhos dados aos consumidores, está a rejeição de qualquer produto que tenha como ingrediente este molho.
FALTA DE AVISO NAS GRANDES SUPERFÍCIES
FEIRA NOVA
O Feira Nova de Sintra recebeu o alerta da direcção-geral e diz ter retirado apenas um produto da prateleira. Não revela, no entanto, a marca e desconhece outros produtos com a mesma substância.
CONTINENTE
Foram contactadas pelo ‘Correio da Manhã’ as lojas do Seixal e de Alfragide. Em qualquer uma delas a resposta foi a mesma: não têm conhecimento sobre o assunto e não receberam qualquer aviso.
JUMBO
O Jumbo de Alfragide recusa-se a prestar qualquer informação sobre esta matéria. Mais não diz, remetendo qualquer tipo de esclarecimentos para o departamento de serviços institucionais do grupo.
CARREFOUR
As lojas de Loures e de Braga desconhecem a existência de qualquer situação perigosa referente ao molho e não receberam qualquer alerta. O Carrefour explica, no entanto, que não importa produtos de Inglaterra.
EL CORTE INGLÉS
Esta grande superfície da capital não recebeu comunicação das autoridades competentes, mas pela descrição do produto diz que identificou a marca que, garante, não se encontra à venda na sua loja.
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