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Não dormem juntos há cinco anos

Oliveira e Costa e a mulher justificam partilha dos bens com afastamento amoroso.
24 de Julho de 2010 às 00:30
Não dormem juntos há cinco anos
Não dormem juntos há cinco anos FOTO: Fotomontagem

José Oliveira e Costa, ex-líder do BPN cujo julgamento começa em Outubro, e a mulher, Maria Yolanda, não dormem juntos desde 2004. E este é um argumento central do casal para negar a acusação do BPN de que "a separação de pessoas e bens e o subsequente negócio da partilha mais não foram do que expedientes para tentar acautelar todo o património imobiliário de ambos das investidas daqueles a quem o 1º Réu [Oliveira e Costa] causou elevadíssimos danos, como é o caso da Autora [BPN]". A 10 de Março de 2008, o casal dividiu entre si um património de mais 6,5 milhões de euros.

Maria Yolanda deixa claro, na contestação que apresenta à acusação do BPN, que "já muito antes da separação de pessoas e bens viviam separados de facto, tendo cada um o seu quarto na casa onde habitam [na Av. Álvares Cabral, em Lisboa]". Em concreto, Maria Yolanda e Oliveira e Costa "dormem separados e em quartos diferentes há cerca de cinco anos". E o ex-banqueiro, na sua contestação, confirma.

Com base na situação descrita nas duas contestações, que o CM consultou nas varas cíveis de Lisboa, Maria Yolanda garante que "não simulou nem a separação de pessoas e bens, nem a subsequente partilha". E Oliveira e Costa acrescenta que "é completamente descabida a insinuação de que quiseram enganar os credores do 1º Réu".

O afastamento entre os dois começou com o ingresso de Oliveira e Costa no BPN, em 1998, contra o qual Maria Yolanda diz ter sido "frontalmente contra". Ao dedicar-se "de forma exclusiva à carreira", o ex-banqueiro, segundo a mulher, "causou [um] progressivo distanciamento entre o casal". A mulher precisa que, "desde há vários anos", que ele "não convive verdadeiramente" com ela, "nem tem com ela qualquer contacto amoroso ou a cumplicidade de um verdadeiro casal".

A saída de Oliveira e Costa do BPN, em Fevereiro de 2008, "levou a desentendimentos e a conflitos frequentes entre o casal". E "foi a realidade do ‘regresso a casa’, aliada à constatação das inultrapassáveis dificuldades de relacionamento, que motivou a separação de pessoas e bens". O divórcio, dizem, não foi uma solução adoptada "por razões familiares, sociais e religiosas".

FRANCO E LOUREIRO PEDEM INDEMNIZAÇÃO

Todas as sete pessoas a quem a actual administração do BPN pede uma indemnização de um milhão de euros por alegados prejuízos causados durante a sua ligação ao Grupo BPN/SLN contestam as acusações do banco liderado por Francisco Bandeira. E duas delas, Manuel Dias Loureiro e António Franco, contrapõem mesmo que o BPN está a actuar como litigante de "má--fé", pelo que pedem indemnizações de dez mil e vinte mil euros.

O BPN acusa Oliveira e Costa e Dias Loureiro de serem responsáveis pela concessão de créditos superiores a 28,7 milhões de euros ao grupo Miraflores, do empresário libanês El--Assir e amigo de Dias Loureiro. Só que Dias Loureiro garante, na sua contestação, que "não teve qualquer tipo de intervenção directa ou indirecta nos referidos contratos [de créditos]". O ex-conselheiro de Estado frisa mesmo que "não deu qualquer tipo de instruções ou ordens relativas aos referidos contratos". E deixa claro que, "a partir de Abril de 2002, permaneceu na SLN apenas como administrador com funções não-executivas".

Já António Franco alega que o BPN deduziu contra si "uma pretensão que bem sabe não ter direito". E tudo porque pretende responsabilizá-lo "enquanto membro do conselho de administração do BPN e/ou SLN e do BPN, SGPS, por factos ocorridos muito anteriormente à sua ‘qualidade’ de administrador".

Francisco Sanches, Luís Caprichoso e Jorge Jordão, a par de Oliveira e Costa e de Maria Yolanda Oliveira e Costa, são os restantes alvos da acção cível do BPN.

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