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“Não somos criminosos”

Ex-presidente do Benfica diz que acusações são motivadas por razões pessoais e políticas.
5 de Fevereiro de 2010 às 00:30
Vale Azevedo está a viver em Londres e contesta o pedido de extradição para Portugal
Vale Azevedo está a viver em Londres e contesta o pedido de extradição para Portugal FOTO: Duarte Roriz

'Nunca aceitei nenhuma das acusações e acredito, como muitos portugueses influentes e alguma opinião pública, que estas foram motivadas por razões políticas e pessoais'. Este é apenas um dos 43 pontos de uma declaração escrita, de dez páginas, de João Vale e Azevedo ao Supremo Tribunal de Londres, onde defende também a família: 'Não somos um bando de criminosos'.

Esta declaração, assinada pelo próprio a 21 de Dezembro de 2009, refere-se ao processo de insolvência da empresa V&A Capital, considerada falida por um tribunal britânico por não ter pago dívidas superiores a quatro milhões de euros.

No testemunho, Vale e Azevedo, que deixou Portugal para viver em Londres, diz que 'o clima de hostilidade de políticos, jornalistas e até do mundo judiciário' começou após três anos no Benfica, o que resultou em vários processos: 'Entre 16 de Fevereiro de 2001 e 15 de Fevereiro de 2008, estive em tribunais em mais de 500 dias diferentes'.

O ex-presidente do Benfica diz ainda que um ponto comum em alguns dos casos é o juiz Ricardo Cardoso (que pertencia à oposição no Benfica), que diz ter ficado célebre por, publicamente, ter feito um desejo: 'Apanhem-no'.

Após relatar os casos em que esteve envolvido e as penas que cumpriu, Vale e Azevedo diz que, a partir de 2004, passou a viajar para Londres, para recomeçar os negócios em Inglaterra, e critica o pedido da sua extradição. 'Não há fundamentos para tal (...) os direitos humanos foram postos em causa'. Numa das queixas contra a V&A, Vale e Azevedo repudia o facto de a mulher, Filipa, ter sido associada à empresa, e termina a declaração dizendo que a mansão onde viveu, em Londres, nunca foi a sua residência. 'Foi alugada com o objectivo de albergar pessoas da V&A, incluindo eu, e para receber reuniões (...). A minha mulher vive em Sintra e os meus filhos em Southampton e São Francisco'.

PORMENORES

INSOLVÊNCIA

O Barão Hans von Doernberg, Armindo Nogueira e o dirigente da Unita Isaías Samakuva subscreveram o pedido de insolvência.

RECURSO APRECIADO

O recurso de Vale e Azevedo contra o pedido de extradição deverá ser analisado dia 12.

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