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Notas de 500 euros em investigação

A circulação das notas de 500 euros está a ser investigada na Península Ibérica, no âmbito do combate ao branqueamento de capitais. A iniciativa partiu do Banco de Espanha que já pediu informações ao Banco de Portugal.
22 de Agosto de 2006 às 13:00
Tudo começou quando a instituição liderada por Fernández Ordoñez detectou um aumento vertiginoso do número de notas de 500 em circulação. Em Julho, aquelas notas atingiram as 106 milhões de unidades em circulação, representando 61 por cento do total do papel-moeda junto dos consumidores espanhóis.
Em Portugal, esse número é substancialmente inferior, mas mesmo assim o número de notas em circulação passou de 120 mil em 2004 para 550 mil o ano passado (ver quadro). Fontes do Banco de Portugal confirmaram que a emissão de notas de 500 euros continuou a subir em relação a 2005, mas o seu peso no total da circulação monetária é ainda muito reduzido. Com efeito, as notas de 500 euros representam cerca de 5,5 por cento do total do valor das notas em circulação e cerca de um por cento do numerário se tomarmos em consideração o número de notas na posse dos aforradores.
Segundo fontes da autoridade de supervisão nacional “cerca de 95 por cento da massa monetária em circulação em Portugal é composta por notas de cinco, dez e 20 euros”.
Face a este padrão de circulação, o Banco de Portugal considera não existirem razões para preocupação em relação a um possível aumento das notas de 500 euros. A mesma fonte confirmou não existir qualquer norma que obrigue as instituições de crédito a comunicarem ao banco central o número de notas de 500 euros que possuem.
UTILIZADORES INTEGRAM LISTA
O Ministério das Finanças e o Banco Central de Espanha suspeitam que grande parte das notas de 500 euros em circulação estejam relacionadas com transacções fraudulentas e branqueamento de capitais.
Um grupo de especialistas do Ministério das Finanças propôs ao ministro Pedro Solbes a elaboração de uma lista de pessoas e empresas que, habitualmente, recebam e passem notas de 500 nas suas actividades económicas.
Desde o início do ano que o volume de euros postos em circulação em notas de 500 subiu mais de cinco mil milhões de euros em Espanha. Só num mês a circulação daquelas notas aumentou em mais 600 milhões de euros (em valor).
Confrontado com esta hipótese, fontes do Banco de Portugal declararam não fazer qualquer sentido a constituição deste tipo de listagem no nosso país.
“As instituições de crédito têm regras absolutamente definidas em relação ao branqueamento de capitais e à identificação dos seus clientes (particulares ou empresas) sempre que existam movimentos (levantamentos ou depósitos) superiores a 12.500 euros”, o que dispensaria a existência de uma tal lista.
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