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Nova vítima referencia Carlos Cruz em Elvas

A primeira vítima a prestar depoimento através do sistema de videoconferência assegurou ontem ao Tribunal que viu Carlos Cruz em Elvas e que foi abusado sexualmente por Carlos Silvino e Ferreira Diniz. Deste último referiu que o abuso ocorreu na casa de Elvas e que recebeu 25 euros.
3 de Novembro de 2005 às 13:00
Nova vítima referencia Carlos Cruz em Elvas
Nova vítima referencia Carlos Cruz em Elvas
Como o despacho de pronúncia diz que ‘Bibi’ é o único arguido que responde por crimes relacionados com ‘Joaquim’, de 18 anos, José Maria Martins pediu uma alteração substancial dos factos em julgamento, para imputar ao médico do Ferrari um crime de lenocínio (favorecimento à prostituição). Como alternativa, solicitou à juíza Ana Peres que o Tribunal mandasse certidões para o Ministério Público investigar os crimes de abuso sexual e de lenocínio, tendo em conta as declarações do jovem sobre Ferreira Diniz. A juíza adiou a decisão para uma das próximas audiências e deu prazo de dez dias para os restantes advogados se pronunciarem sobre o requerimento de Martins.
“Face à jurisprudência portuguesa, espanhola e italiana, quem tem relações sexuais com um jovem a troco de dinheiro comete o crime de lenocínio”, observou o defensor de ‘Bibi’.
Quando a testemunha se referiu ao abuso de Diniz, a advogada do médico não estava em Monsanto. Maria João Costa só chegou ao Tribunal por volta das 17h00, ainda a tempo de assistir ao pedido de alteração de factos apresentado por Martins. À saída, recusou prestar qualquer declaração.
A 101.ª sessão ficou igualmente marcada pelo facto de ‘Joaquim’ se ter recusado a ir à sala de audiências para se encontrar com Carlos Silvino. O arguido alegou que, através do monitor, não teve oportunidae de ver bem o jovem. Perante a recusa da vítima, Martins arguiu a inconstitucionalidade da Lei de Protecção de Testemunhas, se “interpretada no sentido de o assistente poder recusar-se a ir à sala quando ele próprio disse ter tido um relacionamento sexual” com ‘Bibi’.
Na parte da manhã, foi concluída a audição de uma das vítimas, ‘Miguel’, de 18 anos, que apenas acusa Jorge Ritto. O jovem, com a voz embargada, reafirmou que ainda sofre fisicamente pelos abusos de que foi alvo por parte do embaixador e salientou que só recentemente foi capaz de definir a sua sexualidade, frisando que gosta de mulheres.
CINCO JOVENS VULNERÁVEIS
São cinco os jovens considerados particularmente vulneráveis e que, por esse motivo, vão depor em julgamento através do sistema de videoconferência para evitar o confronto directo com os arguidos.
‘Joaquim’, de 18 anos, foi o primeiro, ao qual se segue ‘Bruno’, de 22 anos, vítima que também implica vários arguidos. ‘Jorge’, o jovem que já tentou o suicídio e que acusa Ferreira Diniz, também não estará na sala de audiências, assim como duas vítimas de ‘Bibi’.
NO TRIBUNAL
MARTINS CRITICA JUÍZA
Carlos Silvino é o único arguido que hoje se vai deslocar a Elvas, por determinação da juíza Ana Peres. José Maria Martins discordou dessa decisão e fez questão de o dizer à magistrada: “A defesa de Carlos Silvino entende que todos os arguidos deviam ser obrigados a estar presentes em todas as diligências relacionadas com os abusos sexuais”. Ana Peres, no entanto, não mudou de opinião.
INSTRUÇÕES DE CRUZ
No início das declarações por videoconferência, a cara do jovem via-se mal na sala de audiências. Em grande plano aparecia uma mesa. Carlos Cruz não gostou e deu algumas instruções técnicas ao seu advogado, Sá Fernandes. A juíza Ana Peres aceitou as recomendações e a qualidade da imagem não mais foi criticada.
DEPOIMENTOS
‘Joaquim’, na fase de inquérito, acusou ‘Bibi’, Ritto e Pedroso. Na instrução manteve ‘Bibi’ e disse que viu Pedroso e Diniz em Elvas. O despacho de pronúncia refere que apenas foi molestado por Carlos Silvino. Ontem, voltou a apontar o dedo a Ferreira Diniz.
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