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Obras de 13 MM€ vão avançar

Ministro confirma que avançam TGV, novo aeroporto, terceira travessia do Tejo e seis auto-estradas.
30 de Abril de 2010 às 00:30
António Mendonça, ministro das Obras públicas, disse que apenas a auto-estrada do Centro está a ser reavaliada, embora garanta que a ligação Coimbra-Viseu “é uma prioridade”
António Mendonça, ministro das Obras públicas, disse que apenas a auto-estrada do Centro está a ser reavaliada, embora garanta que a ligação Coimbra-Viseu “é uma prioridade” FOTO: João Miguel Rodrigues

O ministro dos Transportes reafirmou ao início da noite de ontem que os grandes projectos de obras públicas previstos (concessões rodoviárias, alta velocidade e novo aeroporto) vão avançar, apesar das expectativas criadas pelas declarações do ministro das Finanças, ao princípio da tarde, de que era preciso 'centrarmo-nos no que é prioritário'. Ou seja, o Governo prepara-se para prosseguir com investimentos da ordem dos 13 mil milhões de euros, num cálculo conservador feito pelo CM.

A única 'reavaliação' adiantada por António Mendonça diz respeito à auto-estrada do Centro, em fase final de concurso, que deverá contar apenas com a ligação entre Coimbra e Viseu. Mas o ministro foi parco em palavras e acabou por abandonar a sala sem esclarecer os jornalistas.

Entre as apostas nas infra-estruturas, as concessões rodoviárias são as que estão mais avançadas, encontrando-se mesmo algumas já em obra, apesar do chumbo do Tribunal de Contas, o que levou a Estradas de Portugal a rever a proposta de cinco auto-estradas. Anteontem, foi finalizado o contrato para a construção da auto--estrada do Pinhal Interior, como o CM noticiou. No total, serão construídas seis auto--estradas (não contabilizando o troço Coimbra-Viseu), um investimento de mais de 4,5 mil milhões de euros feito em parceria com privados (ver gráfico de encargos). O projecto mais atrasado é o que diz respeito ao novo aeroporto de Lisboa, mas o 'concurso deverá ser lançado no Verão', como esclareceu ontem o ministro. A construção do aeroporto em Alcochete deverá ascender aos cinco mil milhões de euros. O TGV já está em marcha, com a entrega da obra ao vencedor do troço Poceirão-Caia, estando em fase final a escolha do vencedor que irá construir a ligação Lisboa-Poceirão, incluindo a terceira travessia (com valência rodoviária e ferroviária). Um investimento que deverá atingir 3,5 mil milhões de euros. Os valores considerados pelo CM não contabilizam outros investimentos relacionados, como o preço dos comboios TGV e da sinalização e telecomunicações necessárias à concretização do projecto e as ligações rodoviárias ao novo aeroporto.

PORMENORES

14.º MÊS RETIRADO 

O governo grego vai congelar durante três anos os aumentos da Função Pública e suspender durante dois anos o pagamento do 14.º mês.

MAIS IMPOSTOS 

Outras das medidas a tomar pelo Governo grego são o aumento de impostos e a liberalização dos despedimentos até 4% da força de trabalho de cada empresa.

24 MIL MILHÕES 

A comunicação social grega diz que as medidas de austeridade propostas deverão corresponder a 24 mil milhões de euros.

ENCARGOS FINANCEIROS 

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, foi ontem o primeiro a admitir reavaliar os projectosde obras públicas. 'O ministro das Obras Públicas está a trabalhar no sentido de, atendendo às circunstâncias que vivemos, centrar os projectos de forma a aliviar e reduzir a despesa do Estado', referiu no final do Conselho de Ministros.

GRANDES OBRAS DEVEM ESPERAR 

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou ontem que a realidade financeira do País se vai impor. 'O Governo compreenderá que todas as chamadas grandes obras públicas, que não tenham ainda sido alvo de contratos e não estejam a produzir juridicamente consequências, deverão aguardar por outra oportunidade', referiu.

VIVER ACIMA DAS POSSIBILIDADES 

O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, afirmou ontem que 'não podemos viver acima das nossas possibilidades', numa referência directa às grandes obras públicas. Esta não é a primeira vez que fala em prudência nos investimentos, tendo já dito que estará atento aos projectos que cheguem ao TC.

SALÁRIOS VÃO BAIXAR 

As propostas de alteração às regras de atribuição do subsídio de desemprego vão fazer baixar ainda mais o nível salarial em Portugal. Os sindicatos não têm quaisquer dúvidas quanto a isto.

'Se um trabalhador que fica desempregado passa a receber um valor inferior àquele que ganhava e é obrigado a aceitar uma oferta de trabalho com um salário 10% superior ou mesmo igual ao subsídio, é óbvio que as empresas vão começar a pagar menos', sublinhou ao Correio da Manhã Maria do Carmo Tavares, dirigente da CGTP.

Para a dirigente sindical, esta medida, além de negativa para os trabalhadores, afectará também os cofres do Estado, que arrecadarão menos receitas em impostos e em Segurança Social. 

NOTAS

TGV: CDS-PP PEDE REFLEXÃO 

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, pediu ontem ao Governo que 'pare, escute e faça as contas' antes de avançar para o TGV, lembrando que apenas existe uma adjudicação provisória.

CONTRADIÇÕES: PSD APONTA

O deputado do PSD Jorge Costa apontou contradições entre os ministros Teixeira dos Santos e António Mendonça e pediu ao Governo que clarifique a sua posição sobre os investimentos.

REFER: RATING DE BBB

A Refer comunicou ontem que a Standard & Poor’s cortou o rating da empresa para BBB no seguimento do corte da notação da dívida portuguesa.

 

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