Barra Cofina

Correio da Manhã

Exclusivos
2

Obrigam filhos a sexo em grupo

Crianças violadas e forçadas a manter relações sexuais entre si. Mãe libertada depois de confessar os crimes e assumir ter sido vítima de abuso em criança.
30 de Abril de 2010 às 00:30
Casal de violadores foi ontem ouvido em primeiro interrogatório por uma juíza de instrução criminal no Tribunal de Vila do Conde
Casal de violadores foi ontem ouvido em primeiro interrogatório por uma juíza de instrução criminal no Tribunal de Vila do Conde FOTO: Nuno Fernandes Veiga

Os abusos sexuais começaram muito cedo, poucos anos depois de os menores nascerem. Quase todos os dias, os três irmãos – actualmente a menina tem nove anos e os rapazes 11 e 13 – eram violados pelos pais. Em outras ocasiões eram obrigados a ter sexo entre si, enquanto o casal assistia. O pai e a mãe foram presos, em Vila do Conde, mas a confissão da mulher, aliada ao facto de ela própria ter sido vítima de abuso em criança, determinaram a sua libertação. O marido vai para a ca-deia até ao julgamento. As crianças estão entregues à Segurança Social.

O escabroso caso só foi anteontem conhecido. Um dos menores denunciou-os na escola a um professor, que avisou imediatamente a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco. A partir daí, a intervenção das autoridades foi exemplar. A CPCJ avisou o Ministério Público que, minutos depois, relatava o caso à Polícia Judiciária do Porto. No mesmo dia, os pais foram presos e as crianças foram protegidas da família.

Ontem, ouvidos no Tribunal de Vila do Conde, a juíza foi sensível às explicações da mulher. Confessou integralmente as violações, mas garantiu que ela própria era espancada pelo marido e que o medo a levava a participar nos abusos aos filhos. Além disso, quando era criança, disse ainda a mãe, foi vítima de abusos. A sua capacidade crítica para os comportamentos do marido estava claramente diminuída.

O marido recusou as acusações e tentou desmentir os três filhos que já tinham falado com as autoridades policiais. As crianças contaram ao pormenor os momentos de terror que viveram e relataram que os actos sexuais eram quase sempre em grupo – pai, mãe e filhos. As crianças contaram ainda que também tiveram sexo entre si e que durante anos acharam que aquele comportamento que lhes era imposto era normal. Era assim que estavam habituados a viver em família, era assim que eram obrigados a viver nas quatro paredes da casa.

FAMÍLIA VIVIA COM PROBLEMAS FINANCEIROS 

O casal e os três filhos viviam há vários anos numa casa bastante humilde, situada em Vila do Conde. Apesar de o casal ter emprego, sempre viveram em dificuldades financeiras e por vezes os menores chegavam a passar necessidades.

Entre os vizinhos e amigos, o casal escondia a todo o custo o que se passava dentro de casa. Embora o casal tivesse muitas carências, para os que os conheciam era uma família normal. Os pais obrigavam ainda os menores a manterem o silêncio sobre os abusos sexuais e avisavam que o que se passava entre eles tinha de ser mantido em segredo.

As autoridades não conseguem, no entanto, precisar para já com que idade exacta as três crianças começaram a ser vítimas de abuso, mas segundo os relatos dos menores terá sido bastante cedo, quando ainda eram muito novos.

SAIU DE CASA E CONTOU QUE ERA VIOLADA PELO PAI 

A 28 de Janeiro deste ano o CM noticiou um caso quase idêntico. Na Póvoa de Varzim, um homem foi detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de violar os três filhos – uma rapariga, de 19 anos, e dois meninos, de cinco e oito anos. Interrogado pelo juiz ficou em prisão preventiva.

A jovem era vítima de abusos por parte do pai desde os seis anos. Durante anos foi submetida a práticas sexuais e obrigada a ver filmes pornográficos. Anos depois a rapariga descobriu que os seus irmãos mais novos também sofriam nas mãos do pai. Decidida, a jovem saiu de casa e denunciou tudo o que se passava às autoridades.

PORMENORES

ANTECEDENTES 

O carpinteiro, de 39 anos, e a operária fabril, de 30, não possuem antecedentes criminais.

PENA

O facto de serem pais das vítimas constituiu uma agravante na pena a que o casal um dia poderá vir a ser condenado.

DORMIAM JUNTOS 

Por diversas vezes o casal dormia na cama com os três filhos, o que tornava os menores alvos fáceis perante os instintos sexuais do carpinteiro e da operária.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)