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“Ofereceram 2 milhões para enganar Boavista”

Sérgio Silva, que em 2008 se apresentou como investidor, diz que foi uma “manobra”.
27 de Fevereiro de 2010 às 00:30
Sérgio Silva conta que o então presidente do clube, Joaquim Teixeira, o convidou para ser o rosto do plano
Sérgio Silva conta que o então presidente do clube, Joaquim Teixeira, o convidou para ser o rosto do plano FOTO: Joana Neves Correia

Dois anos depois de ter sido detido por tentativa de burla ao Boavista, Sérgio Silva garante que não agiu sozinho. Em declarações ao CM, o investidor--fantasma dos axadrezados assegura que foi aliciado por Joaquim Teixeira, então presidente do Boavista, para se apresentar como solução para o clube. O objectivo, garante, seria vender o estádio 'à empresa J. Camilo ou ao FC Porto' e o lucro era elevado. 'Prometeram--me dois milhões para enganar o Boavista', assegura Sérgio Silva que explica ainda que o pagamento total de cinco milhões seria dividido com Joaquim Teixeira. 'Assumo categoricamente que o plano era vender o estádio para a construção', afirma.

'Nunca falei com o major directamente sobre isso. Mas o Joaquim Teixeira disse que seria a família Loureiro a pagar os cinco milhões. Ele ia ficar com três, eu com dois. A preocupação deles é que as auditorias não mostrassem os buracos financeiros e que eu conseguisse depois falsificar garantias bancárias e libertar o estádio da penhora. Só tinha de o vender barato e o lucro era garantido', disse ao CM.

O investidor – que garante nunca ter tido qualquer dinheiro para usar no clube – conta também que o primeiro contacto lhe foi feito pelo administrador de insolvência dos axadrezados.

Contactado pelo CM, Valentim Loureiro recusou qualquer tipo de envolvimento no alegado plano. 'Nunca falei com esse Sérgio Silva e conheço mal o Joaquim Teixeira. Isso é tudo um disparate de um homem que não tem credibilidade'. Por sua vez, Joaquim Teixeira não ficou surpreendido. 'Foi essa a versão que ele deu à PJ. Mas é completamente falsa'.

PINTO DA COSTA DÁ GARANTIAS EM NOME DO MAJOR

Sérgio Silva diz que durante os dois meses de negociações almoçou com Pinto da Costa e Joaquim Teixeira num espaço na praça Velasquez, no Porto. Segundo Sérgio, o presidente do FC Porto disse-lhe estar a par do plano e garantiu-lhe que iria ser recompensado. 'Esteja descansado que está com gente de palavra. Eu não conheço o Joaquim Teixeira, mas estou aqui porque um amigo e homem de palavra me pediu', terá sido a garantia dada por Pinto da Costa a Sérgio Silva. O 'salvador' do Boavista ficou convencido de que Pinto da Costa se referia a Valentim Loureiro, quando aludiu ao ‘amigo’.

ENCONTRO COM VALENTIM

Sérgio Silva diz que só falou uma vez com Valentim Loureiro, num encontro em Paredes, promovido por Joaquim Teixeira. 'O major disse-me: homem, esteja descansado que não vai ficar mal. Vai sair bem disso'. Sérgio Silva entendeu que Valentim estava a falar dos dois milhões, tendo ficado confiante com a promessa dada pelo major. 'Ele bateu-me nas costas e garantiu-me que iria correr bem', conta Sérgio Silva. A conversa acabaria com Joaquim Teixeira e Valentim Loureiro a combinar qual a melhor data para fazer a apresentação de Sérgio à Comunicação Social como o investidor e salvador do Boavista. É nesta altura que Sérgio insiste com Joaquim Teixeira para lhe pagarem os prometidos dois milhões, que afirma nunca ter recebido. Diz ainda que Joaquim Teixeira terá levantado os cinco milhões de uma conta do BPN. 'Alguém acredita que eles não soubessem quem era o Sérgio Silva?', interroga-se, garantindo que o seu cadastro era conhecido dos dirigentes axadrezados.

PORMENORES

AMEAÇAS

Sérgio Silva diz que tem sido alvo de ameaças feitas por próximos dos axadrezados.

BENTLEY

Joaquim Teixeira terá emprestado um carro a Sérgio Silva durante o tempo em que ele apareceu como investidor. Usou um Bentley Continental da empresa do pai de Teixeira.

DETENÇÃO

Sérgio diz que receberia os 2 milhões por uma empresa off-shore que não chegou a criar.

 

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