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Ossadas com 200 anos já foram recolhidas

Empresa de Coimbra levou material arqueológico encontrado ao abandono numa casa na Foz.
10 de Agosto de 2011 às 00:30
Achado arqueológico foi retirado da casa por questões de segurança
Achado arqueológico foi retirado da casa por questões de segurança FOTO: Joana Neves Correia

Ainda durante a manhã de ontem, Teresa Ferreira, antropóloga, acompanhou uma equipa da empresa da qual é sócia - a Dryas Arqueologia, com sede em Coimbra - para recolher o material arqueológico encontrado numa casa devoluta, na Foz do Porto. Trata-se de matéria de cerâmica, mas também de centenas de restos humanos com cerca de 200 anos que tinham sido recolhidos numa escavação na zona Norte do País.

O material estava acondicionado na casa há vários anos e Teresa Ferreira garante mesmo que desconheciam que a habitação estava vandalizada. "Nunca ninguém nos contactou a dizer que a casa era alvo de vandalismo. Pensávamos que os objectos estavam em segurança", garantiu ao CM, assegurando não ter havido qualquer perigo para a saúde pública. "Retirámos todos os objectos da casa apenas porque a segurança tinha sido violada. Lamentamos que alguém tenha entrado no interior e mexido no material, que é muito sensível e podia partir-se", disse.

A mesma responsável disse ainda ao CM que se trata de objectos históricos e, para além do contentor onde se encontram restos humanos, havia também no interior da casa muitas peças de cerâmica também com mais de 200 anos.

"Levámos tudo para os nossos armazéns de Coimbra, onde agora iremos analisar se alguma coisa está destruída. Aparentemente, parece não estar nada deteriorado", refere Teresa Ferreira. Sobre a forma como o mesmo material estava acondicionado, Teresa Ferreira garante que as condições mínimas eram as exigidas.

"O que acontece é que os nossos arqueólogos pedem uma licença para fazer determinada escavação. Depois o material fica à sua responsabilidade e a casa funcionava como um armazém. Tinha todas as condições de segurança", garantiu a responsável da empresa. Teresa Ferreira admite, contudo, que não visitavam aquele espaço há vários anos.

ESPÓLIO RETIRADO DA CASA QUE CONTINUA AO ABANDONO

As ossadas e peças arqueológicas foram recolhidas pela empresa, ontem de manhã cedo. Contudo, os acessos à casa não foram vedados e o lixo continuava ontem amontoado. Teresa Ferreira, responsável da Dryas Arqueologia, garantiu ao CM que vão ser tomadas medidas para entaipar as entradas e que a casa será restaurada. Apesar de a habitação não ser legalmente devoluta, o seu estado de abandono e degradação indicava o contrário. Há vários anos que serve de refúgio a pessoas sem-abrigo. A porta principal está partida e apenas encostada. Mesmo que os vizinhos tentassem avisar os donos, já não sabem do seu paradeiro. "Há muito tempo que ninguém da família aparece aqui para ver como está a casa", dizem.

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