Por causa do falso padre que andou mais de dois anos a celebrar missas, casamentos, baptizados e funerais nas dioceses de Braga, Porto e Algarve, os bispos portugueses escreveram aos párocos a pedir “rigor” na aceitação de celebrantes que sejam desconhecidos.
“Quando aparece alguém para fazer celebrações, por proposta de pessoas interessadas [noivos, pais de crianças a baptizar, etc] ou porque se encontre ocasionalmente na paróquia o pároco deve pedir sempre a identificação e conferir se ela está dentro da validade”, disse ao CM D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
A intenção, diz o prelado, é “tentar evitar ao máximo casos lamentáveis como este, que são prejudiciais para a Igreja, mas sobretudo para os fiéis que, muitas vezes, como terá sido o caso, são enganados”.
A verdade é que estas práticas sempre foram feitas na base da confiança, já que, até há uns anos, não era frequente encontrar quem se fizesse passar por padre para a consumação de práticas criminosas. Só que os tempos mudaram e alguns padres, sobretudo os mais velhos, continuaram a actuar como sempre fizeram.
“Os padres mais novos não são fáceis de enganar, porque estão alertados para o facto de haver por aí quem ande à espreita de uma oportunidade para executar o chamado conto do vigário. Neste caso, o que se passou é que esse falso padre foi apresentado ao pároco por um outro sacerdote, que já faleceu, e que se tinha convencido de que estava perante uma pessoa honesta”, disse D. Jorge Ortiga, insistindo na ideia de que “os párocos não devem facilitar e quem é identificado deve fazê-lo sem levantar qualquer tipo de objecção”.
Aliás, D. Jorge diz mesmo que quando alguém que pretenda celebrar disser que não tem cartão de identificação, porque se esqueceu ou por outra razão qualquer, “o pároco deve, sem receios, pedir um documento, como BI ou carta de condução, e solicitar informações rigorosas à diocese de origem do dito padre”.
UM CARTÃO IGUAL PARA TODOS
Todos os padres portugueses, seculares ou das ordens religiosas, têm cartão de identificação. Os seculares têm um cartão emitido pela respectiva diocese e os das ordens dispõem de um cartão da ordem, que também é chancelado pela diocese em que o sacerdote se encontre. Ao contrário do que se possa pensar, a questão é rigorosa, já que todos os anos, quase sempre em Dezembro, os padres têm de renovar o cartão de identidade sacerdotal.
Os seculares vão à Cúria Diocesana para obter a assinatura do bispo titular da diocese e o respectivo carimbo e os das ordens levam ao provincial para assinar e remetem depois ao bispo da diocese a que pertencer a casa onde se encontrem a prestar serviço. Sucede, no entanto, que os cartões não são todos iguais.
Umas dioceses, mais modernas, já têm cartões do tipo multibanco com fotografia, outras têm cartões do tamanho BI com fotografia e outras um documento parecido com o cartão de eleitor, que não tem fotografia e que obriga o seu titular a apresentar sempre o cartão mais o bilhete de identidade. Para evitar confusões, a CEP admite a criação de um cartão igual para todas as dioceses, que deverá ser parecido com as novas cartas de condução.
FALSO PARÓCO FAZIA 'MISSAS CASEIRAS'
Agostinho Caridade continua desaparecido, mas a investigação, policial e eclesial à sua actuação, aparentemente dolosa, nos últimos três anos prossegue. As polícias têm ordens para o deter, já que foi constituído arguido por um juiz do Tribunal de Barcelos, e as dioceses do Porto e Braga estão a organizar um processo tendente a clarificar toda a situação, sobretudo àqueles a quem as celebrações ao falso sacerdote causaram danos.
No decorrer das investigações as vigararias judiciais descobriram que, além de celebrar missas, casamentos e baptizados em várias igrejas, Agostinho Caridade também fez missas em casa de paroquianos, recebendo dinheiro por isso. Esse foi aliás um dos factos que levou a população a desconfiar, porque nunca se tinha visto um padre celebrar ‘missas caseiras’.
- 3536 é, segundo o Anuário Católico, o número de padres seculares existentes nas 20 dioceses nacionais. Há apenas uma década, Portugal tinha mais de quatro mil sacerdotes.
- 38 são as ordens ou institutos religiosos. Mais difícil de apurar é o número de padres das ordens religiosas que exercem no País.
NOVAS REGRAS
O Patriarcado de Lisboa acaba de determinar que os diáconos permanentes ficarão automaticamente jubilados ao completarem 80 anos.
SETE NOVOS PADRES
No próximo domingo, D. José Policarpo ordena, nos Jerónimos, em clima de festa, sete novos padres e quatro diáconos permanentes.
CAFÉ CRISTÃO
O Café Cristão, na Amora, diocese de Setúbal, está a celebrar o primeiro aniversário. No sábado, Aura Miguel vai falar sobre a Igreja e os meios de comunicação.
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