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País no lixo agrava juros

Agência de notação financeira atira rating de Portugal para o nível mais próximo da bancarrota, o que vai estrangular o acesso ao crédito e subir os juros às famílias.
6 de Julho de 2011 às 00:30
Vítor Gaspar e Passos Coelho têm novas dificuldades
Vítor Gaspar e Passos Coelho têm novas dificuldades FOTO: José Sena Goulão/Lusa

Banca e empresas com financiamento mais difícil, famílias sem crédito e juros mais elevados na economia. Este é o resultado do corte do rating da dívida da República em quatro níveis (de Baa1 para Ba2) - o que atira a classificação de Portugal para lixo - realizado pela agência de notação financeira Moody's na véspera de Portugal ir ao mercado para tentar um financiamento de 750 milhões de euros a três meses.

Na Zona Euro, só a Grécia (Caa1) tem uma classificação mais baixa do que Portugal relativamente à sue dívida pública.

A Moody's justifica o corte por entender que o País arrisca não cumprir a meta de 5,9% de défice em 2011, tornando assim mais provável um eventual novo pacote de ajuda. "[Existe] o risco crescente de que Portugal precise de uma segunda ronda de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar ao mercado", explica a Moody's na nota que sustenta a descida. O corte brutal, em quatro níveis (ver gráfico), deixa antever novas descidas. Neste patamar, um investimento em dívida pública portuguesa é considerado pela Moody's como de alto risco.

Madeira e Açores, empresas públicas (em especial nos sectores dos transportes e das infra-estruturas) e câmaras municipais vão sentir de imediato o corte ontem anunciado, assim como todos os bancos portugueses. O crédito será ainda mais difícil e mais caro. No sector empresarial do Estado, empresas que já têm grandes dificuldades em obter crédito - caso da Refer e do Metro - vêem agora fechadas as portas do financiamento, mesmo com garantias do Estado.

O ministro das Finanças reagiu imediatamente, considerando que a Moody's não teve em devida conta o amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a troika. Vítor Gaspar afirma, em comunicado, que "a decisão ignora os efeitos da sobretaxa extraordinária em sede de IRS anunciada pelo Governo durante o debate do programa de governo no final da passada semana".

 

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