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Passos Coelho perde terreno para Sócrates

No regresso de férias, líder laranja cai 6,5 pontos percentuais na confiança para primeiro-ministro.
12 de Setembro de 2010 às 00:30
Passos Coelho perde terreno para Sócrates
Passos Coelho perde terreno para Sócrates FOTO: d.r.

O regresso de férias não trouxe boas notícias para o PSD de Passos Coelho. O líder social-democrata está a perder terreno para José Sócrates na confiança para chefe do Executivo. Segundo uma sondagem CM/Aximage, os portugueses continuam a preferir o presidente social-democrata para primeiro-ministro, com 38,5 por cento das preferências, mas Passos Coelho perdeu 6,5 pontos percentuais face ao mês de Julho. A distância entre os dois é agora de 6,7 pontos percentuais.

José Sócrates obteve 31,8 por cento em Setembro, contra 29,8 por cento em Julho, ou seja, subiu dois pontos percentuais. Para as legislativas, o cenário repete-se: PS passou de 30,6 por cento em Julho para 33,8 por cento em Setembro e, em sentido contrário, o PSD baixou de 34,9 por cento para 32,1 por cento.

A esquerda oscila ligeiramente, com a CDU a descer 1,8 pontos percentuais (de 10,4 % para 8,6%) e o BE com uma ligeira subida sem significado (de 8,2 para 8,3%). A rentrée do CDS-PP saldou-se em mais um 1,2 pontos percentuais (de 6,7 para 7,9%).

Para Marcelo Rebelo de Sousa, estes dados revelam que "o País está empatado e que o Presidente da República tem sido muito sensato". Segundo o antigo líder do PSD, uma dissolução do Parlamento, a avaliar pelas sondagens, não daria "uma solução diversa da actual". Para já, a crise económica e social dá maior vantagem à esquerda do que à direita, remata.

O incómodo nas sondagens é notório entre os conselheiros de Passos Coelho, e o silêncio é a estratégia. E se o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, e Ângelo Correia não fazem qualquer comentário à sondagem, alegando que não é hábito fazerem-no, já o vice-presidente laranja Marco António quebra o silêncio. Ao CM, diz que os resultados da sondagem (feita entre 6 e 9 de Setembro) são "um estímulo" para se trabalhar a favor da "elucidação dos portugueses".

SEMANA DECISIVA PARA REVISÃO CONSTITUCIONAL

Será a 16 de Setembro, próxima quinta-feira, que o líder do PSD, Passos Coelho, vai à RTP explicar o seu projecto de revisão constitucional e procurar minimizar as polémicas em torno de um documento que o próprio elegeu como bandeira. Antes, reúne a sua comissão política e o grupo parlamentar, num primeiro teste de fogo para fechar o projecto, até porque na bancada há quem espere uma versão suavizada.

Em cima da mesa estão várias mexidas no documento, nomeadamente na polémica alteração ao artigo sobre segurança no trabalho. Segundo várias fontes do PSD, a redacção final do artigo será "blindada de interpretações abusivas", ou seja, uma versão intermédia entre "razão atendível" para despedir e a retirada da palavra "justa causa". Mas poderá haver mais mexidas, designadamente para assegurar que nada trai o espírito de regime semi-presidencial na Constituição.

A palavra final é do líder, que definiu uma estratégia meticulosa para divulgar o documento, depois das críticas e de uma baixa, a de Bacelar Gouveia, que saiu em rota de colisão com Paulo Teixeira Pinto, presidente da comissão de revisão constitucional do PSD. O documento será entregue quarta-feira no Parlamento.

FICHA TÉCNICA

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.
Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 600 entrevistas efectivas: 290 a homens e 310 a mulheres; 148 no interior, 230 no litoral norte e 222 no litoral centro sul; 174 em aldeias, 203 em vilas e 223 em cidades.                       proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.

Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido entre os dias 6 e 9  de Setembro de 2010, com uma taxa de resposta de 73,2%.
Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 600 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma “margem de erro” - a 95% - de 4,0%).

Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.
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