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Passos trava censura do Bloco

Primeiro-ministro José Sócrates manobrou retroescavadora e brincou: “Se perder o emprego, já sei!”.
12 de Fevereiro de 2011 às 00:30
José Sócrates experimentou uma retroescavadora em Aveiro
José Sócrates experimentou uma retroescavadora em Aveiro FOTO: José Coelho/Lusa

Não foi nada mal para a primeira vez. Se perder o emprego, já sei", disse José Sócrates, ontem, quando manobrou uma retroescavadora, no lançamento da primeira pedra da fábrica de baterias para carros eléctricos da Nissan, em Aveiro. Um comentário sorridente, feito na manhã seguinte ao anúncio da moção de censura do BE ao Governo.

Sócrates repetiu a brincadeira quando António Mota, da Mota-Engil, elogiou o seu desempenho com a máquina. "Está a ver? Se ficar sem emprego, já lhe posso pedir trabalho", gracejou.

Mas o primeiro-ministro poderá mesmo ter motivos para sorrir. As declarações do secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, sobre a moção de censura do BE, são claras: o partido vai inviabilizá-la. Na SIC Notícias, Relvas acusou ontem o Bloco de não ter sentido de Estado e de "tacticismo". Mas a decisão final só será tomada no dia 15, quando o líder do PSD, Passos Coelho, for ao Parlamento, depois de ouvir a comissão política. A estratégia é simples: o PSD considera que o BE entrou numa competição com o PCP, ao mesmo tempo que se quis demarcar do PS, depois do apoio comum a Manuel Alegre. O BE, que enfrenta divisões internas, ajudou na decisão: a censura é contra o PS e PSD. Perante a hipótese de Sócrates sair vitorioso, o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza, assumiu o risco: "Esse é o risco que todos (...) ponderarão nas suas decisões de voto".

CONTRA A POLÍTICA DE DIREITA

"Há uma maioria que nos governa e essa maioria é uma maioria do PS e do PSD. Não o queremos esconder, queremos justamente que o País tenha a noção clara de qual é a situação política e não se deixe envolver em nevoeiros", defendeu ontem o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza, insistindo na clarificação do clima político. Questionado sobre as contradições no discurso e o momento da decisão, Pureza esclareceu que a última reunião da mesa nacional já tinha apontado nesse sentido. A decisão final foi tomada na comissão política de terça-feira. Entre os bloquistas, a iniciativa não é pacífica: o movimento Ruptura/FER vai avançar com uma moção à Convenção, alternativa à da actual direcção, e o ex-dirigente Daniel Oliveira classifica a moção de "infantilidade".

 

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