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Pedro Strecht ameaçado de morte em rua de Lisboa

O pedopsiquiatra Pedro Strecht foi ameaçado de morte numa rua de Lisboa. Segundo fonte muito próxima do médico que acompanha algumas das vítimas de pedofilia do processo Casa Pia, o incidente ocorreu há pouco mais de três meses. “Só não teve consequências trágicas porque os dois elementos da segurança que o acompanham chegaram a tempo de evitar qualquer tipo de agressão. O indivíduo, no entanto, conseguiu fugir, não tendo, por isso, sido identificado.”
26 de Novembro de 2005 às 13:00
Pedro Strecht é acompanhado há dois anos por elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP
Pedro Strecht é acompanhado há dois anos por elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP FOTO: Manuel Moreira
De acordo com a mesma fonte, que solicitou o anonimato, por temer represálias, na altura do incidente, Pedro Strecht estava com o filho mais velho, que fez recentemente dois anos. “Como é natural, apanhou uma valente susto de morte, até porque estava a empurrar o carrinho do bebé, que tentou proteger a todo o custo”.
INTRUSO NO CONSULTÓRIO
Além deste “susto”, a mesma fonte revelou ao CM que, na passada quinta-feira, Strecht voltou a ser “intimidado”. Desta vez, o incidente ocorreu no consultório do pedopsiquiatra, onde, por vezes, recebe alguns dos jovens da Casa Pia que foram abusados sexualmente. “A dada altura, deu conta de um indivíduo corpulento, com pouco mais de trinta anos e aspecto ameaçador, que fugiu da sala de espera para se refugiar numa casa de banho.”
O médico, relatou ainda a fonte que contactou o CM, pensou tratar-se de alguém que, às escondidas, foi fumar um cigarro, o “que acontece com frequência”. “Contudo, essa pessoa não acendeu a luz nem fechou a porta da casa de banho. Pedro Strecht desconfiou e tentou sair rapidamente do local: um corredor do seu consultório. De repente, porém, o indivíduo colou-se às suas costas e começou a fazer gestos”.
De acordo com a mesma fonte, o clínico só teve tempo de fugir e fechar-se à chave no seu gabinete. “Abriu a janela para chamar os seguranças que o acompanham há cerca de dois anos, mas eles não estavam por perto. Optou então por contactá-los telefonicamente. Enquanto os agentes da PSP não apareceram, o intruso roubou uma carteira de uma paciente que se encontrava no consultório com um menor.”
E acrescentou: “Quando os seguranças chegaram ao consultório, o indivíduo passou por eles a correr, rumo a uma das mais movimentadas ruas de Lisboa, pelo que também não foi identificado nem detido”.
O MESMO INDIVÍDUO
A mesma fonte adiantou, também, que, há pouco mais de dois meses, o mesmo indivíduo tinha feito “precisamente a mesma coisa”. “Dessa vez, não se conseguiu aproximar tanto de Pedro Strecht. Mas ele viu muito bem a pessoa em questão quando esta saiu do consultório. Deu conta do que se passou aos seguranças e, durante algum tempo, a vigilância foi redobrada.”
O CM apurou, entretanto, que Pedro Strecht é capaz de identificar a pessoa que esteve por duas vezes no seu consultório, caso as autoridades lhe peçam para o fazer, através da exibição de fotografias.
Contactado pelo CM, o pedopsiquiatra confirmou os três incidentes, mas recusou prestar qualquer declaração.
PSP DIZ QUE NÃO HOUVE QUEIXAS
Contactado pelo CM para reagir aos incidentes com Pedro Strecht, Hipólito Cunha, relações públicas da direcção nacional da PSP, disse que o pedopsiquiatra “não apresentou qualquer queixa por agressão ou tentativa de agressão”.
E acrescentou: “A PSP também não constatou nenhuma das situações relativamente ao furto da carteira. Se existiu, a pessoa lesada deverá apresentar queixa desse facto. O furto nada teve a ver com a entidade protegida.”
OUTROS CASOS
SEQUESTRADO DURANTE TRÊS DIAS
‘A.V.’, de 18 anos, o jovem que envolveu Herman José no escândalo de pedofilia da Casa Pia, foi raptado à porta de casa, em Agosto. Disse que esteve três dias amarrado dentro do porta-bagagens de um carro. O jovem acabou por ser abandonado no Feijó em estado de desidratação e com fome e necessitou de internamento. O episódio levou o Ministério Público a requerer segurança pessoal para o jovem.
CASA ASSALTADA E VANDALIZADA
‘André’, o confesso ajudante de Carlos Silvino e principal testemunha do processo de pedofilia da Casa Pia, viu a sua casa ser assaltada e vandalizada no início do passado mês de Junho. Apesar de ser ameaçado frequentemente, através de telefonemas e mensagens escritas, o facto de o assalto ter acontecido pouco tempo antes da data prevista para começar a depor em Tribunal, obrigou ao reforço da sua segurança. Em Tribunal, o jovem acabou por relatar vários episódios de ameaças, tal como Catalina Pestana já havia contado. “Ou calas o bico ou temos de te apagar”, foi uma das frases que ‘André’ ouviu num telefonema anónimo.
PRESSIONADO PARA NÃO FALAR
‘Pedro’, o jovem de 20 anos que ontem se deslocou ao Teatro Vasco Santana, contou em Tribunal que tinha sido pressionado pela mulher de Manuel Abrantes, Fernanda Flora, para não acusar o ex-provedor de abusos. Esta foi, segundo o jovem, a razão pela qual em 2003 disse que tinha sido violado por Abrantes e um ano e meio depois referiu o contrário.
PEDOPSIQUIATRA INTIMIDADO
A decisão de atribuir segurança pessoal a Pedro Strecht, há dois anos, aconteceu na sequência de várias ameaças de morte, feitas pelo telefone, ao pedopsiquiatra que acompanha várias vítimas de abusos do processo Casa Pia.
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