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PGR investiga viagens de magistrados com FC Porto

A averiguação a cargo do procurador-geral-adjunto Agostinho Homem, que visa o comportamento de alguns magistrados do Ministério Público do Porto, decorre há mais de um mês na Procuradoria Geral da República (PGR).
21 de Agosto de 2007 às 13:01
Pinto Monteiro quer apurar até onde vão alegadas cumplicidades
Pinto Monteiro quer apurar até onde vão alegadas cumplicidades FOTO: Manuel Moreira
A participação foi feita internamente e teve como destinatário Pinto Monteiro, o número um do Ministério Público, que determinou a averiguação imediata das alegadas cumplicidades existentes entre procuradores e dirigentes do FC Porto, designadamante para apurar se algumas dessas ligações podem ter contribuído para que as investigações contra Pinto da Costa tivessem sido arquivadas.
O CM apurou que um dos ângulos da investigação reside precisamente nas viagens feitas nos últimos anos com o FC Porto, para o estrangeiro, e o facto de diversos magistrados viajarem a expensas do clube. Já terão sido feitas diligências no sentido dos mesmos magistrados serem identificados, faltando ainda perceber se alguns deles teve posteriormente intervenção nos arquivamentos dos processos.
A forma como decorreu a inquirição de Ana Salgado, que – chamada a depor pelo médico Fernando Póvoas num processo de difamação interposto por Carolina Salgado – nada disse sobre o processo em que deveria ser ouvida, também está a ser averiguado. A mesma denúncia dá conta de que poderá ter sido montado uma “esquema” para que as declarações pudessem ser usadas na defesa de Pinto da Costa, sem que tivessem sido recolhidas pela equipa a quem tinham sido distribuídos os processos do ‘Apito Dourado’ (no caso, a equipa liderada pela magistrada Maria José Morgado).
Ainda segundo o CM apurou, o transbordar do copo terá sido mesmo esse depoimento, já que, após a irmã de Carolina ser ouvida no processo de difamação, o mesmo foi arquivado. O que permitiu exactamente que dias depois o caso deixasse de estar em segredo de justiça e o mesmo depoimento pudesse ser junto ao processos que visavam Pinto da Costa.
Estranho também – e igualmente alvo de averiguação sobre a forma como decorreu – terá sido o depoimento prestado no dia seguinte. O marido de Ana Salgado também foi chamado a depor no mesmo caso e nem sequer se referiu a Fernando Póvoas. Foi apenas inquirido sobre Carolina Salgado e as alegadas ligações que aquela manteria com dirigentes do Benfica.
FUGA DE INFORMAÇÃO EVITOU PRISÃO
A alegada cumplicidade entre os dirigentes do FC Porto e os meios judiciais portuenses não é nova. A equipa de Maria José Morgado também investigou a possibilidade de ter havido uma fuga de informação no dia anterior à PJ do Porto tentar prender Pinto da Costa (o presidente dos azuis e brancos encontrava-se em Espanha e só compareceu ao tribunal três dias depois), tendo os investigadores apurado que a mesma efectivamente se verificou. No entanto, o caso acabou arquivado por não ter sido determinado quem avisou Pinto da Costa, não podendo aquele ser responsabilizado por alguém lhe revelar algo que estaria em segredo de justiça. Recorde-se, ainda, que a situação não era nova, já que o início do ‘Apito Dourado’ foi marcado mesmo por um secretismo inédito. Que levou à demissão da PJ do Porto, acusada de “deslealdade” por não ter informado a direcção nacional de que pretendia deter Valentim Loureiro.
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