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Piloto deixa filho menor em terra

"Ele disse que era melhor o filho não ir naquele voo e foi o que fez de melhor" – uma decisão que salvou da morte Gonçalo, de oito anos. Lúcia, tia de Eddy Resende, piloto de 39 anos que anteontem morreu quando a avioneta que pilotava se despenhou em pleno bairro de Almeirim, em Évora, contou ontem ao CM que só graças à resistência de Eddy em levar a criança se evitou tragédia maior.
16 de Agosto de 2009 às 02:02
Peritos analisaram destroços
Peritos analisaram destroços FOTO: Alexandre M. Silva

Os motivos para a decisão do pai ficam por explicar, mas certo é que Gonçalo acabou por não embarcar no fatídico voo de treino para pára-quedistas, que vitimou ainda um instrutor da Skydive, João Silva, 30 anos, que era director de um hotel em Lisboa. Eddy 'salvou o filho e, mal se apercebeu do que estava a acontecer, mandou todas as pessoas saltar de pára-quedas. Foi um herói', diz Lúcia, junto à casa dos pais do sobrinho em Santiago de Riba-Ul, Oliveira de Azeméis.

Na aeronave, que se despenhou devido a avaria num motor, seguiam oito pessoas. E era o sétimo voo do dia, o que 'é normal. Aos fins-de-semana costumam ser mais. Entre os voos, de 30 minutos, há intervalo para descanso ou manutenção', referiu ao CM o comandante do aeródromo local, Lima Bastos.

Durante o dia já tinham saltado do aparelho dezenas de clientes. E a cantora Sara Tavares estava com alguns. 'Não sei se era acompanhante ou se chegou a saltar', diz fonte do aeródromo. Natural da Venezuela, prestes a completar 40 anos, Eddy deixa outra filha, Anita, de 16 anos. A jovem seguiu ontem viagem com a mãe e os avós paternos de Oliveira de Azeméis para Évora. 'Era um homem exemplar. E muito aventureiro, já lhe tinha dito para ter mais calma', diz Lúcia sobre o sobrinho, que tinha tirado o brevet de piloto há um ano, na Austrália.

Eddy era filho único e, na casa dos pais, a consternação era evidente: 'Eles estão muito abatidos. Nada fazia prever uma coisa destas. A mãe está de rastos', diz uma vizinha sobre os pais da vítima, donos do restaurante Solar dos Presuntos, em Oliveira de Azeméis.

FALHA NO MOTOR ESQUERDO CAUSOU QUEDA

Uma falha no motor esquerdo da aeronave Beech 99 terá provocado a queda do aparelho da empresa de pára-quedismo Skydive, com sede no aeródromo de Évora e responsável por dezenas de voos com agências de famosos. Antes de se despenhar, o piloto e dono da empresa tentou aterrar no aeródromo.

'Mandou saltar os pára-quedistas e veio de emergência até à pista, mas por dificuldades recolheu o trem e voltou a voar. Só com o motor direito teve dificuldade em manobrar a aeronave e acabou por ir para a esquerda em direcção ao bairro', referiu o comandante do aeródromo local, Lima Bastos.

Os destroços do avião, adquirido há duas semanas e com capacidade para 20 pessoas, foram analisados ontem por dois peritos do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves.

MORADORES SENTEM-SE INSEGUROS 

O avião, de matrícula francesa, despenhou-se pelas 19h08 de anteontem. Na queda, atingiu duas casas no bairro de Almeirim. Por sorte não se encontravam nem moradores nem veículos no local. 'As pessoas têm receio. Todos os dias os aviões sobrevoam o bairro e um dia tinha de acontecer', diz o morador Luís Matos.

O comandante Lima Bastos assegura que não há razões para alarme: 'As regras do aeródromo são claras.' Sobre os rumores da falta de documentação do avião e de seguro, o comandante disse ter as garantias legais da Skydive.

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