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Pistas de ‘luvas’ em três offshores

Dattani assumiu que Charles Smith lhe pediu 2,2 milhões para pagar a gabinetes de ministros, mas assegurou que não houve efectivo pagamento.
16 de Março de 2010 às 00:30
Smith terá pedido dinheiro para conseguir licenciamento do Freeport
Smith terá pedido dinheiro para conseguir licenciamento do Freeport FOTO: Luís Neves

A investigação ao caso Freeport espera há meses por informação proveniente de pelo menos três paraísos fiscais sobre movimentos bancários suspeitos feitos por administradores ou pessoas ligadas à multinacional inglesa a favor de terceiros.

A esses pedidos de informação que foram expedidos para as ilhas Caimão, Virgena Britânicas e Man foram recentemente adicionados mais dados que carecem de esclarecimento. Os elementos enviados há semanas estão relacionados com o depoimento de Rick Dattani, assistente do director de empreendimentos do Freeport, e Jonathan Rawnsley, que acompanhava o projecto de Alcochete. Dattani assumiu que Charles Smith lhe telefonou a pedir 2,2 milhões de euros para pagar subornos 'em gabinetes de ministros' e que era o autor de um manuscrito em que aparecem os nomes de José Sócrates, Pedro Silva Pereira e Rui Gonçalves como alegados destinatários de ‘luvas’, mas não houve pagamento efectivo.

A conjugação deste depoimento com elementos encontrados nas buscas em Londres veio dar uma nova dinâmica à investigação, colocando a necessidade de novas diligências.

Os movimentos bancários seguidos estão relacionados com administradores, altos funcionários ou pessoas ligadas ao Freeport, como Charles Smith, e visam identificar as contas codificadas em que terão sido feitos depósitos significativos. Não há qualquer prazo estipulado para que esses elementos sejam enviados.

COOPERAÇÃO EM CAUSA

A cooperação internacional no caso dos paraísos fiscais não preza habitualmente por ser rápida. A maioria das investigações da Polícia Judiciária que dependem de elementos provenientes de instituições bancárias nas ilhas inglesas – como é o caso do Freeport – esbarra na crónica ausência de respostas daquelas entidades. Outro problema tem a ver com a titularidade das contas bancárias. As mesmas não estão em nomes individuais, mas sim em empresas muitas vezes fictícias, ou então são numeradas,o que dificulta ainda mais a apurara titularidade.

Certo para já parece ser que a investigação que visa José Sócrates não irá terminar nos próximos meses, como admitia Cândida Almeida, directora do DCIAP. Não há qualquer prazo para a chegada das cartas rogatórias.

SAIBA MAIS

Tensão

As novas diligências no processo Freeport levantaram alguma tensão dentro da equipa que investiga o processo.

2,2

milhões de euros é o que valor que Charles Smith terá pedido para pagar ‘luvas’ aos governantes portugueses que iriam conseguir o licenciamento

2005

é o ano em que começou a investigação da Judiciária de Setúbal. O processo ganhou novo fôlego há cerca de dois anos. Foi avocado pelo DCIAP, liderado por Cândida Almeida

‘Face Oculta’

O rumo do caso ‘Face Oculta’, cujas suspeitas contra Sócrates foram arquivadas por o STJ não ter sido avisado, levaram a que a questão fosse agora colocada.

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