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PJ investiga existência de cúmplices

A Polícia Judiciária acredita que Kate e Gerry podem ter tido a colaboração de terceiros no encobrimento do cadáver de Madeleine. Ou, pelo menos, que algum dos amigos que os acompanhavam durante as férias de Maio, na Praia da Luz, poderão tê-los ajudado a encobrir a mentira.
14 de Setembro de 2007 às 13:01
Após o desaparecimento de Maddie, os amigos do casal reuniram-se várias vezes à entrada do Ocean Club
Após o desaparecimento de Maddie, os amigos do casal reuniram-se várias vezes à entrada do Ocean Club FOTO: d.r.
As autoridades acreditam assim que o casal McCann não conseguiria esconder o cadáver de Madeleine durante tantos meses e ocultar a sua morte sem que tivessem a ajuda de outra pessoa. Tanto mais que logo após o desaparecimento da menina as atenções estavam completamente centradas no casal e os seus passos eram quase vigiados hora a hora por um batalhão de jornalistas.
Ainda segundo o CM apurou, há também pormenores nos depoimentos dos amigos dos McCann que não batem certo. O médico Russel O’Brian, por exemplo, começou por dizer que na noite do desaparecimento tinha ido ao quarto da criança enquanto visitava os seus próprios filhos, mas mais tarde negou-o. Disse então que não entrara no apartamento dos McCann, tendo apenas verificado que não havia qualquer ruído do interior. Presumira que as crianças dormiam, não cumprindo os alegados pedidos dos pais.
Os restantes amigos também se contradisseram nos vários depoimentos, designadamente nos horários em que cada um saiu para ver os filhos e sobre quem foi o último a ver Madeleine.
Há também outro testemunho de uma inglesa que fazia parte do grupo que garante ter visto um homem nas traseiras da Praia da Luz, com o que presumia ser uma criança ao colo. O seu depoimento foi inicialmente valorado e fortaleceu a tese de rapto, já que a mesma conhecia todos os elementos do grupo que se encontrava no Ocean Club, afastando a hipótese de acidente e encobrimento de cadáver.
O CM sabe que, neste caso, a PJ admite que o referido homem afinal não transportasse qualquer criança, não tendo por isso qualquer relação com o rapto de Maddie.
Para esclarecer todas estas dúvidas as autoridades deverão requerer novamente a inquirição dos ingleses. Essas inquirições terão de ser feitas pelas autoridades inglesas, o que dificulta a investigação. APJ não pode acompanhar os depoimentos e muita informação inevitavelmente perder-se-á. Mas não haverá outra forma de contornar a diligência, já que as autoridades não dispõe de elementos suficientes que permitam avançar para outro cenário, designadamente a constituição de arguido. Paralelamente, outras diligências serão pedidas.
RICOS DEIXAM DE APOIAR FUNDO
Dois empresários de sucesso, que contibuíram significativamente para o fundo criado para encontrar Maddie e se empenharam na causa, não querem que o dinheiro seja usado na futura batalha judicial dos pais.
Em declarações a um jornal inglês, um dos empresários afirmou que já não vai continuar a financiar o fundo e que não voltará a empenhar-se na procura de Madeleine. “É o cenário mais confuso que alguém viu até hoje. Não sou juiz, mas espero que o que tenho lido não passe de um engano”, disse referindo-se ao facto de existir a suspeita de que Kate pode ter matado Madeleine.
Outroempresário,que não se quis identificar por se tratar de uma questão muito delicada, também desistiu de apoiar os McCann. Na sua opinião, o fundo, para o qual contribuiu com quase 140 mil euros, não deve ser mexido para ajudar os pais numa defesa judicial.
Entretanto, Justine McGuiness vai deixar de ser porta-voz do casal, alegando cansaço. Até ao fim de semana deverá ser substituída por um assessor que esteja mais a par do sistema judicial inglês e português. Segundo o ‘The Telegraph’, o editor do ‘News of the World’, Phil Hall, será o senhor que se segue, estando já a trabalhar como os McCann.
EXAMES
O monovolume onde foram encontrados os vestígios que se presume serem de Maddie ainda continua na posse dos McCann. Que querem fazer exames privados.
MCCANN NUNCA SE CONFESSARAM
Kate e Gerry nunca se confessaram ao pároco católico da Luz durante os quatro meses de angústia vividos no Algarve. Antes de regressar a Inglaterra, o casal católico entregou as chaves da igreja ao padre anglicano seu amigo e não se despediu do padre católico que lhes deu apoio no dia seguinte ao desaparecimento da menina.
“Nos últimos dias eles não procuraram o padre José Pacheco e não fizeram qualquer esforço para se despedir dele”, disse, ao CM, uma fonte da paróquia. As chaves da igreja que os paroquianos decidiram emprestar ao casal poucos dias após o desaparecimento de Maddie, “para rezarem”, foram devolvidas ao padre anglicano que também dá missa na mesma igreja e que fez amizade com o casal. Haynes Hubbert disse ontem na televisão: “Concordo que a paróquia tenha emprestado as chaves da igreja.” Mas não revelou que foi a ele que o casal as devolveu.
O bispo do Algarve, em comunicação divulgada no site da diocese, assegurou que não pediu ao pároco da Luz para solicitar ao casal McCann a entrega das chaves da igreja antes do seu regresso a Inglaterra. D. Manuel Quintas garante que nunca fez esse pedido, até porque “isso foi uma iniciativa da própria comunidade local”. Foi a primeira posição pública da Diocese desde 30 de Maio. O Concelho Pastoral da Paróquia da Luz deliberou, anteontem, que o acto de entregar a chave foi “espiritual e moral e sempre com atenção ao sofrimento do casal”.
OBRAS VÃO RECOMEÇAR NA SEGUNDA-FEIRA
A segunda fase da requalificação de arruamentos e condutas subterrâneas na Luz começa segunda-feira.
O director de produção da empresa adjudicatária disse que nas valas das traseiras da igreja vão ser erguidos muros para sustentação de um parque de estacionamento. As obras começaram em Abril. Nos dias seguintes ao desaparecimento de Maddie, a PJfalou com um maquinista que abria valas. As de esgoto estavam concluídas. Apenas havia para água e electricidade, com 70 centímetros de profundidade e 40 de largura. Eram cobertas ao final de cada dia. O director diz “não ter cabimento” a hipótese de esconder um corpo numa vala.
GOVERNO INGLÊS CORTA COM MCCANN
A primeira chamada de Gerry na noite do crime foi para Alistair Clark, grande amigo dos tempos da universidade e diplomata próximo de Gordon Brown. Clark ter-se-á desdobrado em contactos ao mais alto nível e – antes da Polícia Judiciária – já a Sky News e o embaixador britânico eram informados do rapto.
O embaixador John Buck esteve no Algarve e Brow também deu o seu contacto pessoal ao pai de Maddie nos vários telefonemas que trocaram. Mas, ao que o CM apurou, o actual chefe do governo inglês estará agora “bastante incomodado” com o rumo do inquérito e, no último fim-de-semana, retirou a ligação directa ao casal.
Publicidade e investigação rápidas foram as prioridades estabelecidas nas primeiras horas. E, conforme o CM já avançou, John Buck, o embaixador britânico em Lisboa, terá ligado ainda na noite de 3 de Maio directamente a Alípio Ribeiro, director nacional da PJ – afinal uma menina inglesa de três anos acabava de ser raptada na Praia da Luz.
Todos os meios foram accionados na manhã seguinte, sexta-feira, e nesse fim-de-semana já um director nacional adjunto da PJ, Guilhermino Encarnação, anunciava aos jornalistas estar-se perante um crime de rapto – sem indícios ou pedidos de resgate.
Ao nível da publicidade tudo corria dentro do previsto e depois de a Sky News no Algarve ter lançado o rapto de Madeleine para o Mundo o caso alastrou a todos os meios internacionais. Faltava actuar a nível político e Alistair Clark, amigo de Gerry dos tempos da Universidade de Glasgow – o primeiro em Relações Internacionais e o segundo na Faculdade de Medicina – era o contacto perfeito.
Alistair, que o CM não conseguiu contactar até ao fecho desta edição, é hoje professor numa universidade em Belfast, Irlanda, e também assessor do governo trabalhista inglês. Gordon Brown era então ministro das Finanças e candidato ao lugar de Tony Blair.
O apoio de Brown começou pela assessoria de imprensa, enviando para junto do casal aquele que é hoje o seu braço-direito em Downing Street, Clarence Mitchel.
O embaixador John Buck, entretanto, foi director do Centro de Comunicação e Informação do Governo britânico, a que pertence a unidade de monitorização dos media, então dirigida por Clarence Mitchel e na dependência directa do gabinete do primeiro-ministro.
O rumo que a investigação da PJ leva no último mês terá deixado o gabinete de Gordon Brown apreensivo e o primeiro-ministro terá decidido cortar a ligação directa a Gerry McCann.
O QUE DIZEM OS INGLESES
A imprensa inglesa continua a acompanhar os últimos desenvolvimentos relativos ao caso Maddie. O ‘Daily Mirror’ escreve que a PJ pode não ter tantas provas como faz acreditar e que os McCann continuam a acreditar que Madeleine está viva e que vão conseguir encontrá-la. Na edição on-line do ‘The Sun’ pode ler--se que o diário de Kate já terá sido apreendido pela Polícia Judiciária e regista o encontro entre o casal e a Segurança Social inglesa. No ‘Daily Express’ a peça do dia tem como foco principal a visita dos assistentes sociais aos pais de Madeleine. Este jornal inglês afirma que, em caso de risco, Sean e Amelie serão tirados aos pais.
SEGURANÇA SOCIAL OUVIU PAIS DE MADDIE PELA PRIMEIRA VEZ
Eram 11h30 quando dois funcionários da Segurança Social britânica, um homem e uma mulher, bateram à porta do casal McCann em Rothley, Leicester. O objectivo da primeira visita foi questionar Kate e Gerry sobre o desaparecimento de Madeleine, mas também conhecer a realidade e o ambiente em que vivem Sean e Amelie.
Por saber que os McCann são suspeitos de ter participado no desaparecimento de Maddie e temer que a vida dos gémeos e o seu desenvolvimento possa correr riscos a autoridade inglesa deu início a um processo de averiguações.
Segundo John McCann, irmão de Gerry, foi Kate quem quis marcar uma conversa com os assistentes sociais, para esclarece o que se passou no dia 3 de Maio, na Praia da Luz, quando deixou os três filhos sozinhos no apartamento. Em declarações à Sky News, John afirmou que “o casal vai cooperar com todos aqueles que tenham os interesses da família no coração e que continuam a procurar Madeleine”.
O encontro entre a Segurança Social e os McCann durou apenas uma hora e foi apenas o primeiro de muitos outros. Segundo a Comissão de Protecção de Menores, citada pelo ‘The Times’, o casal vai ser acompanhado até o caso ser esclarecido judicialmente. Ao saírem da vivenda os assistentes sociais recusaram fazer comentário às dezenas de jornalistas que ali se mantêm à porta.
A polícia e a Segurança Social inglesas vão decidir se os gémeos correm ou não perigo ao viverem debaixo do mesmo tecto que os McCann. Se considerarem que Sean e Amelie não estão bem e que de alguma forma possam ser postos em risco, Kate e Gerry poderão eventualmente ficar sem a guarda das crianças de dois anos, porque o mais importante é a segurança das mesmas.
AUTORIDADES BRITÂNICAS ASSUMEM NEUTRALIDADE
O homem-chave na definição da estratégia de comunicação do casal McCann disse ontem que “o governo britânico é um observador neutral” do que se está a passar no caso Maddie. Clarence Mitchell explicou ao ‘El País’ o seu envolvimento com a família McCann deixando claro que o fez de forma oficial e a pedido do governo britânico. “É normal que um cidadão britânico com problemas no estrangeiro receba assistência consular”, assumindo que o seu envolvimento só terminou quando o casal McCann contratou um “representante privado”. “A partir daí o governo decidiu que já não fazia sentido gastar o dinheiro dos contribuintes”, declarou Mitchell, que está agora no gabinete de Gordon Brown.
PELUCHE COM ODOR A CADÁVER
A hipótese de o peluche ser apreendido causou preocupações à família. Uma tia de Kate disse que seria uma “tragédia” para a sobrinha.
BONECOS À ESPERA DE MADDIE
Personagens do universo infantil de Madeleine continuam sentados à janela do quarto como se a esperassem para brincar.
PULSEIRAS
Kate McCann saiu de casa, sozinha, numa curta viagem registada pelas câmaras. Gerry saiu de casa às 17h30 e exibiu a pulseira Find Madeleine aos jornalistas erguendo o pulso.
NOTAS
DIÁRIO SERÁ APREENDIDO
O diário de Kate será apreendido. A PJ acredita que se trata de um objecto que permitirá definir o perfil de Kate e a sua relação com os filhos.
LABORATÓRIO SEM RESPOSTAS
O laboratório inglês ainda não concluiu os exames aos vestígios recolhidos no apartamento dos McCann. Os resultados são esperados a qualquer momento.
ANÁLISE AOS CABELOS NO CARRO
Os cabelos apreendidos no Renault Scénic são fundamentais. Se os exames confirmarem que são de Madeleine são uma prova importante.
VESTÍGIOS NO APARTAMENTO
Ainda não estão na Polícia Judiciária os resultados dos vestígios apreendidos no apartamento do Ocean Club. Não se sabe quando os mesmos estão prontos.
DIÁRIO FOI PROVA DE AMOR
A cunhada de Kate, Philomena, diz que o diário foi escrito para mostrar a Maddie que a amavam e o que tinha sido feito para a encontrar.
PORTÁTIL NÃO FOI APROVADO
O computador portátil de Gerry não foi ontem apreendido, conforme foi anunciado por diversos jornais ingleses.
BROWN DA MESMA CIDADE
Gordon Brown e Gerry McCann são naturais da mesma cidade. Ambos nasceram em Glasgow, na Escócia.
JORNALISTAS À PORTA
Dezenas de jornalistas continuam em Rothley à porta de casa dos McCann para acompanharem o dia-a-dia do casal.
MADDIE NOS TELEMÓVEIS
Em Findmadeleine.com pode fazer-se o download de uma imagem de uma corrente dourada e uma fita com o nome de Madeleine para os telemóveis.
GÉMEOS PASSEARAM COM TIA
A irmã de Gerry, Trish, aproveitou a manhã de ontem para andar a pé com os sobrinhos no condomínio privado onde vivem os McCann.
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