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PJ investiga património de Ana Salgado

A equipa constituída pelo procurador-geral adjunto Agostinho Homem – que tem a seu cargo a investigação à forma como foi obtido o depoimento de Ana Salgado nos processos conexos ao ‘Apito Dourado’ e que acabou por favorecer Pinto da Costa – está a investigar o património da irmã gémea de Carolina e a hipótese de o aparente enriquecimento ter sido, de alguma forma, resultado de um suborno ao testemunho.
29 de Março de 2008 às 13:00
PJ investiga património de Ana Salgado
PJ investiga património de Ana Salgado FOTO: António Rilo

Para já não haverá conclusões, mas há neste momento diversos depoimentos que apontam nesse sentido. Ex-amigosde Ana Salgado asseguram que ela não tinha qualquer bem em meados do ano passado, vivendo neste momento uma aparente situação de desafogo económico.

Ao CM, Ana Salgado negou-o, garantindo que o que conseguiu reunir foi à custa do trabalho na empresa recém-criada pelo marido: aGreen Clima, no Pargaia, um edifício de algum luxo situado na cidade fronteiriça ao Porto.

Depois de várias inquirições marcadas com a testemunha, parece ser agora que se aproxima o momento do interrogatório pela equipa especialmente criada. "Fui eu que pedi para ser ouvida pelo procurador-geral da República. Vai ser no dia 11 de Abril", disse Ana.

O CM sabe que o procedimento não terá sido exactamente esse. Ana foi chamada pelo magistrado encarregue do processo e ser-lhe-á perguntado se recebeu qualquer contrapartida económica pelo depoimento. A PJ quererá saber, entre outras coisas, como é que Ana, que ainda no ano passado apresentava uma conta bancária com saldo negativo e tinha um processo de dívida já no contencioso com um banco, conseguiu constituir uma empresa e mudar de casa.

MORGADO PROCESSOU

A equipa de Morgado processou Ana Salgado devido às declarações daquela ao DIAP do Porto, onde fez graves acusações.

COMBINAR DECLARAÇÕES

Uma das mais graves acusações de Ana Salgado foi acusaro inspector Sérgio Bagulho de ter combinado os depoimentoscom a irmã.

'APITO ENCARNADO'

Pouco depois de Ana Salgado depor no DIAP, um documento anónimo fazia acusações ao comportamentodos dirigentes encarnados.

NOS TRIBUNAIS

DIFAMAÇÃO

Pinto da Costa é acusado de difamação ao Ministério Público devido a supostas declarações do presidente portista no livro ‘Luzes e Sombras de um Dragão’, da autoria de Felícia Cabrita e Ana Sofia Fonseca, também acusadas.

MP E A PIDE

De acordo com a Acusação, desencadeada por Maria José Morgado, Pinto da Costa estabelece no ‘Luzes e Sombras de um Dragão’ uma comparação entre o Ministério Público e a PIDE. O líder do FC Porto já se demarcou da obra.

TESTEMUNHA

Pinto da Costa foi recentemente arrolado como testemunha ao julgamento do ‘Apito’, que decorre em Gondomar, a pedido de Pinto de Sousa, de forma a contrariar o depoimento de Carolina. Também na queixa-crime de Valentim a Carolina o líder portista foi chamado pelo major para testemunhar.

MADEIRA

O caso que envolve o jogo Nacional-Benfica de 2003/04 está em fase de instrução no Tribunal do Funchal, não estando ainda definida uma data para o debate instrutório.

PRÓXIMA ACUSAÇÃO NA CALHA

Depois de ser pronunciado pelo Beira-Mar-FCPorto, Pinto da Costa espera agora pela decisão instrutória em mais dois jogos da época 2003/2004: o Nacional-Benfica (3-2) e o FC Porto-Estrela da Amadora (2-0), neste último são também arguidos o árbitro Jacinto Paixão e o empresário António Araújo.

Conhecido como o ‘caso da fruta’, ojogo espera por marcação de data para o debate instrutório. A última testemunha ouvida, Carolina Salgado, afirmou que a "fruta" e o "café com leite" de que falaram Pinto da Costa e António Araújo eram código para se referirem a prostitutas, alegadamente contratadas para usufruto da equipa de arbitragem. "Quando desligou, o Jorge Nuno disse-me que o Araújo ia contratar prostitutas para o Jacinto Paixão", afirmou, a 27 de Fevereiro último, a ex-companheira do presidente portista.

Na decisão instrutória a juíza que decidiu levar Pinto da Costa a julgamento pelo Beira-Mar-FCPorto considerou mais consistente a versão de Carolina Salgado em relação à da do líder azul-e-branco.

JUÍZA DENUNCIOU À PGR ARQUIVAMENTO SUSPEITO

A juíza Amália Morgado, que prestava serviço no TIC do Porto, denunciou à Procuradoria-Geral da República o que considerava ser um arquivamento suspeito. A magistrada insurgiu-se contra o pedido do Ministério Público para suspender o processo-crime contra Paulo Lemos, alegado autor material do crime de incêndio aos escritórios de Pinto da Costa e do advogado Lourenço Pinto.

No mesmo processo, Carolina, por seu turno, recebeu um tratamento diferente do MP. Foi acusada do crime de incêndio e a magistrada encarregue do despacho chegou a propor a sua detenção para apresentação a primeiro interrogatório judicial.

Nos últimos dias a situação alterou-se. Depois da Relação ter considerado que a magistrada judicial tinha razão, o ex-amigo de Carolina foi acusado. Não do crime de incêndio, conforme pretendia Amália Morgado, mas do crime de dano, figura já prevista pelo Ministério Público.

A diferença está no valor do prejuízo. A Relação entendeu que deveria ser considerado o montante inicialmente defendido por Pinto da Costa – que estimava prejuízos na ordem dos cinco mil euros, o que impossibilita a suspensão do processo.

Ainda no mesmo despacho, os desembargadores ordenaram ao DIAP que refizesse o despacho, o que agora foi feito.

Recorde-se que Hortência Calçada, coordenadora daquele departamento do MP, chegou a falar neste caso na conferência de imprensa dada após o arquivamento da agressão a Ricardo Bexiga. Recordou que o MP tinha agido dentro da legalidade. Agostinho Homem, procurador-geral adjunto, também tem a seu cargo um inquérito relativo a esta situação. As investigações ainda decorrem.

TELEFONEMAS SÃO PROVAS FUNDAMENTAIS

Os telefonemas trocados entre Carolina e Paulo Lemos na noite dos incêndios confirmam a versão daquele último. Foram considerados provas fundamentais.

TENTATIVA DE AGRESSÃO A MÉDICO

Na mesma acusação o MP acusava Carolina de ter "encomendado" uma agressão ao médico Fernando Póvoas.O crime deveria ser igualmente cometido por Paulo Lemos.

SAIBA MAIS

9 meses depois de ter ido ao DIAP depor contra a irmã, Ana Salgado mantém a tese de que o depoimento de Carolina foi condicionado pela equipa de Maria José Morgado.

7 pessoas – Ana, o marido, os três filhos menores e os dois enteados – viviam apenas com o ordenado deum dos adultos. Passavam por grandes dificuldades económicas.

CAROLINA NA EMPRESA

A empresa constituída por Ana Salgado e pelo marido deveria ter como sócia a irmã, Carolina. Aquela recusou-se a entregar o investimento inicial sem que houvesse garantias por parte dos familiares. Ana exigia cinquenta mil euros e acabaram por se zangar na sequência desse processo.

CONTENCIOSO

Ana Salgado esteve durante meses sem pagar a prestação da casa onde vivia com o marido, os três filhos comuns e os dois enteados. O litígio já estava a ser tratado pelo contencioso do banco, que exigia coercivamente a verba sob pena de avançar com uma acção de despejo.

TRUNFO GUARDADO PARA JULGAMENTOS

O depoimento de Ana Salgado é fundamental para Pinto da Costa. Foi obtido num processo de difamação interposto por Fernando Póvoas, que imediatamente desistiu da queixa para que o mesmo pudesse ser usado pelo presidente dos dragões.

O objectivo era que os autos deixassem de estar em segredo de justiça e que as declarações da irmã gémea de Carolina pudessem ser tornadas públicas.

Depois disso, Pinto da Costa arrolou Ana Salgado como testemunha nos processos onde era acusado. Estranhamente, aquela acabou por não ser ouvida, já que se encontrava doente nos dias das inquirições. Justificou sempre as faltas com atestados médicos.

Ana Salgado pode ser agora o trunfo dos julgamentos que se aproximam e que terão o presidente dos azuis-e-brancos no banco dos réus.

No depoimento no DIAP do Porto, a 27 de Junho de 2007, Ana Salgado denunciou ligações suspeitas entre elementos da Equipa de Coordenação do ‘Apito Dourado’ e a irmã gémea, Carolina.

Ana afirmou que Maria José Morgado telefonava a Carolina sempre que tinha sido deduzida uma acusação e que tinha mesmo ouvido um telefonema da magistrada para a antiga companheira de Pinto da Costa. Na versão que Ana Maria relatou no DIAP afirmou ainda que o inspector da Polícia Judiciária Sérgio Bagulho treinava Carolina para prestar os depoimentos. Uma das conversas a que terá assistido aconteceu a 4 de Junho de 2007.

Ana Salgado denunciou ainda que era a jornalista Leonor Pinhão quem fazia a ponte entre o presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, e Carolina Salgado. Foram estas e outras declarações que motivaram a abertura de um inquérito, dirigido pelo procurador-geral adjunto Agostinho Homem.

O marido de Ana Salgado também prestou depoimento no MP e confirmou as declarações da mulher. César Curado faz ainda referência a um valioso quadro que Carolina Salgado ofereceu ao presidente do Benfica, alegadamente em troca do patrocínio do livro ‘Eu, Carolina’.

O marido de Ana Salgado terá ainda dito que viu inspectores da PJ na casa de Carolina mas que nunca ouviu qualquer conversa.

Comestesdepoimentos, Pinto da Costa tentará descredibilizar o testemunho da ex--companheira, que tem sido recorrentemente usado pelo MP para fundamentar as acusações contra si.

"NÃO VOU CEDER A PRESSÕES"

Ana Salgado afirmou ao ‘Correio da Manhã’ ter recebido "pressões para alterar os depoimentos" mas não disse que quem. "Vou dizer a verdade e não vou ceder a pressões seja de quem for."

"TENTEI SUICIDAR-ME MAS AGORA ESTOU BEM"

Ana Salgado confirmou ao CM que tomou comprimidos "a mais" em Fevereiro e que teve de ser internada na Clipóvoa. Assume que na altura estava muito deprimida e que terá por isso tentado o suicídio. "Agora já não tomo rigorosamente nada. Estou muito bem. Sinto-me óptima", disse Ana. Não manifestou qualquer problema em assumir que já recorreu a anti-depressivos e que esteve várias vezes internada. No entanto, agora mostra-se completamente estabilizada e até divertida. Diz que a mudança de casa, de Gaia, para uma vivenda em Famalicão, lhe fez muito bem e que só quer seguir uma vida tranquila com o marido e os filhos. "Só quero que acabe rapidamente."

MOMENTOS-CHAVE DE ANA SALGADO NO PROCESSO

GRÁVIDA E AGREDIDA

Ana diz que foi agredida pelo segurança de Pinto da Costa no dia da separação do casal. Estava grávida.

PAI DIZ QUE DESAPARECEU

Em Junho de 2007 Joaquim Salgado disse que a filha estava desaparecida e que ninguém a conseguia contactar.

ENTREVISTA À TELEVISÃO

Na SIC, Ana revelou que a versão original do livro ‘Eu, Carolina’ tem "algumas diferenças" do texto publicado.

CLUBES ARRISCAM DESCIDA E MULTA ATÉ 200 MIL EUROS

Hermínio Loureiro, presidente da Liga de Clubes, e Ricardo Costa, líder da Comissão Disciplina (CD) do mesmo órgão, prometeram decisões relativas ao ‘ApitoDourado’ para o final da presente época desportiva.

No documento – que já foi baptizado de ‘Apito Final’ – a Liga fará constar o seu veredicto aos clubes envolvidos no megaprocesso. Certo é que os regulamentos da Liga prevêem que a equipa relativamente à qual for provada a corrupção a árbitros deve ser punida com descida de escalão e uma multa que pode ascender aos 200 mil euros.

Têm sido várias as críticas ao marasmo do organismo responsável pelo futebol profissional português. Argumento rebatido por Ricardo Costa, que já veio a público afirmar que tal não corresponde à verdade e que a CDestá a trabalhar, só divulgando conclusões no final da época.

A última voz crítica foi a de Pedro Mourão, magistrado e antigo líder da CD, que afirmou ao CM que a justiça desportiva está em "descrédito". "Devíamosolhar para o exemplo italiano e perceber que podia ser de forma diferente",referiu Mourão, lembrando oCalciocaos de 2006 onde, entre outras punições a vários clubes, a Juventus desceu de divisão e ficou sem o título de campeão, entregue ao Inter de Milão.

ÁRBITRO PRONUNCIADO

Augusto Duarte, árbitro da I Liga,é o primeiro do escalão maior a ser pronunciado por corrupção. Continua a arbitrar.

LEÇA DESCEU

O Leça desceu de divisão depois de o Tribunal ter considerado provado um caso de corrupção.

DIFICULDADES ECONÓMICAS

Ana Maria vivia com o marido, César Curado, num apartamento em Vila Nova de Gaia, com as três meninas do casal e os dois filhos do anterior casamento de César.O casal vivia sobretudo do ordenado de César, que era sócio minoritário de uma empresa em Gaia, onde ganhava cerca de 1200 euros por mês. Durante o ano de 2006 o casal passou por vários problemas económicos e com um agregado familiar de sete pessoas a prestação do empréstimo bancário da compra do apartamento não foi paga durante meses. A situação chegou mesmo à fase de contencioso com o banco. Nesta altura Ana Maria entrou com um pedido de apoio judiciário na Segurança Social do Porto, que foi aprovado parcialmente. A casa de Gaia continua no património do casal mas agora é habitada apenas pelo filho mais velho do marido de Ana.

NOTAS

ADVOGADO DO 'APITO'

Ana Salgado é representada por Pedro Alhinho – o mesmo advogado de Castro Neves, arguido no julgamento do ‘Apito Dourado’.

FALTOU AO TRIBUNAL

Ana Salgado seria ouvida como testemunha no Beira-Mar-FC Porto, que leva Pinto da Costa a julgamento, mas acabou por faltar por motivos de saúde.

SEGUNDO PERITO OUVIDO

Segunda-feira será ouvido o perito Adelino Antunes na 18.ª sessão de julgamento do ‘Apito’, a decorrer em Gondomar.

PIMENTA DIA 8 DE ABRIL

Pimenta Machado já tem data para testemunhar no ‘Apito’. O ex-presidente doV. Guimarães depõe no dia 8 de Abril.

LEIRIA FEZ DENÚNCIA DO BENFICA

Foi a União de Leiria que fez a denúncia que originou o processo de inquérito ao Benfica, instaurado pela Comissão Disciplinar da Liga.

RUI SILVA E O CRISTAL NA LUZ

A queixa leiriense foi motivada pelo depoimento do árbitro RuiSilva, que disse em Gondomar ter recebido uma peça em cristal num jogo na Luz.

BARTOLOMEU DE POUCAS FALAS

O CMtentou saber junto de JoãoBartolomeu, presidente da U. Leiria, as razões da denúncia à Liga. A resposta foi curta:"Não falo sobre esse assunto".

BENFICA DIZ QUE É ACRÍLICO

O Benfica diz que a peça de cristal que Rui Silva fala é afinal de acrílicoe que é uma lembrança normal emtodos os jogos dos encarnados.

LEMBRANÇAS SÃO "NORMAIS"

Em Gondomar todos os árbitros ouvidos como testemunhas admitiram receber lembranças dos clubes, consideradas "normais" pelos homens do apito.

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