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PJ recebe 20 chamadas

Alto e magro, cabelo curto, óculos escuros espelhados, chapéu panamá bege e mochila da Eastpack.
27 de Fevereiro de 2010 às 00:30
Alunas da Escola Secundária Virgílio Ferreira em Telheiras, frequentada por pelo menos duas das vítimas deste predador sexual, não se recordam de alguma vez terem visto alguém com este aspecto, mas garantem que vão estar atentas
Alunas da Escola Secundária Virgílio Ferreira em Telheiras, frequentada por pelo menos duas das vítimas deste predador sexual, não se recordam de alguma vez terem visto alguém com este aspecto, mas garantem que vão estar atentas FOTO: Bruno Colaço

Tem 1,70m a 1,75m de altura, é magro, português e terá entre 25 e 30 anos. Usa cabelo muito curto, apresentando entradas ou rapado, traja roupa casual ou desportiva. Habitualmente usa óculos escuros e ou espelhados tipo ‘Ray Ban’. Foi visto com chapéu do tipo panamá em tecido cor bege e mochila também em tecido da mesma cor, da marca Eastpack. Esta é a descrição, divulgada pela Polícia Judiciária (PJ), do homem que há mais de um ano atormenta o bairro de Telheiras, em Lisboa, forçando raparigas menores a praticar sexo oral dentro dos prédios onde vivem.

Só ontem, dia em que o CM publicou o retrato-robô do suspeito, as linhas da PJ receberam mais de 20 telefonemas com pistas e palavras de apoio.

O alerta da PJ, dado um ano e meio depois do começo dos ataques, pede a divulgação do retrato do suspeito e das suas descrições.

A quem fornecer qualquer informação a PJ garante sigilo e pede que liguem para os seguintes números: 218 641 248 e 968 574 838. Ou para o e-mail: dl.2sessao@pj.pt.

Suspeita-se que só em Telheiras e num espaço de um ano e meio este homem seja o autor de mais de dez violações, sendo que já terá atacado na zona de Oeiras. Os vestígios deixados nos locais do crime já permitiram saber que se trata do mesmo suspeito.

Ao que o CM apurou, este predador será o criminoso sexual mais procurado pelas autoridades. Uma vez que é 'um homem violento que pratica um método arriscado, entrando nos prédios onde vivem as vítimas'.

Ataca de cara destapada, mas evita ao máximo o olhar directo das vítimas, usa uma faca para as ameaçar e ficou conhecido como sendo o violador das terças-feiras, uma vez que escolhia sempre este dia da semana para atacar.

'NÃO É PESSOA DAQUI'

'Trabalho aqui há 20 anos, conheço essas histórias e uma coisa garanto: Não é pessoa daqui.' Dono de um quiosque no bairro, Belizário explica que 'a Escola Segura faz uma boa vigilância e a PSP faz o que pode, porque tem poucos efectivos'. Garante que homens estranhos não faltam: 'Há uns meses andava um homem a molestar crianças nos jardins.'

'TEM UM AR MUITO NORMAL'

Helena Dias, de 49 anos, cantoneira, garante que anda de aviso desde que o Correio da Manhã noticiou a presença do violador em Janeiro. 'É importante que a polícia divulgue esta imagem porque, nós que andamos aqui todos os dias nas ruas, podemos vir a dar uma grande ajuda', disse, sublinhando, no entanto, que até agora nunca tinha visto tal pessoa. 'Tem um ar muito normal pelo que se vê'.

'SÓ DE OLHAR METE MEDO'

A trabalhar há poucas semanas numa pastelaria em Telheiras, junto ao Parque dos Príncipes, Sandra Silva, 38 anos, e Fabiola Tavares, de 29, foram logo avisadas da presença de um violador. 'A primeira coisa que nos disseram foi para termos cuidado com um homem que andava a violar raparigas ', disse Sandra. Confrontadas com o retrato--robô disseram que tem um ar vulgar, mas assustador. 'Só de olhar mete medo', afirmou Fabiola. No entanto, nunca viram alguém que correspondesse àquela imagem. 'Mas agora vamos estar mais atentas', sublinhou Sandra.

'PENSAVA QUE ERA MAIS VELHO'

Inês, 21 anos, mora precisamente no bairro onde ocorreu uma das últimas violações atribuídas a este suspeito. Não sabe dizer exactamente o prédio, mas conhece a história por ouvi-la contar à irmã mais nova que frequenta a Escola Secundária Virgílio Ferreira. 'A minha irmã contou que se tratava de uma das alunas da escola dela', explica, sublinhando que desde que a história foi divulgada ela, as amigas e a irmã nunca andam sozinhas nas ruas. Quanto ao retrato Mariana, 22 anos, diz que 'parece ter uma fisionomia vulgar'. 'À primeira vista não estou a ver ninguém que eu conheça que se pareça com ele', afirma Inês.

SUSPEITO À SOLTA EM BENFICA

Também em Benfica há outro violador à solta. É mulato e aparenta ter cerca de 30 anos. Em Janeiro violou, pelo menos, uma jovem numa zona descampada, em cima de uma tábua, tentando fazer o mesmo a outra, que gritou e conseguiu escapar. Este predador usa uma faca para dominar as suas vítimas.

Inicialmente pensou-se que se tratava de Seidi, de 27 anos, um indivíduo cadastrado por crimes sexuais que a 21 e 28 de Dezembro violou duas prostitutas na zona de Benfica, Lisboa, e que acabou detido pela Polícia Judiciária.

A própria polícia chegou a pensar que se tratava do mesmo violador devido à proximidade das datas dos crimes e ao facto de se tratar de locais próximos. Por outro lado, também era coincidente a descrição física dada pelas raparigas, de 25 anos, que foram empurradas para uma tábua num descampado, depois de perseguidas de madrugada na rua Cláudio Nunes, logo após terem descido do autocarro na paragem da Igreja. A primeira vítima foi violada na madrugada de Ano Novo. Dois dias depois, a 3 de Janeiro, uma outra jovem foi atacada e levada para o mesmo sítio, mas resistiu e escapou.

DETALHES

AMEAÇA COM FACA

O suspeito das violações em Telheiras entra com as vítimas no elevador e, sob ameaça de faca, leva-as para as caves, escadas ou terraços dos prédios onde as força a sexo oral.

SUSPEITAS EM OEIRAS

As autoridades suspeitam de que o violador de Telheiras terá atacado noutras zonas nomeadamente, Benfica, Laranjeiras, Sete Rios e em Oeiras.

DEIXA VESTÍGIOS

No local do crime foram encontrados lenços com vestígios de esperma, que poderão dar provas importantes.

NOTAS

SUSPEITO: DOIS RETRATOS

O retrato-robô do suspeito, agora divulgado pela PJ, corresponde ao que o ‘CM’ divulgou em Janeiro, baseado na descrição das vítimas sobre o violador que ataca há mais de um ano e meio

2009: VIOLAÇÕES INVESTIGADAS

Em 2009 foram efectuados 1270 exames nos gabinetes médico-legais. Cerca de 60% corresponde a vítimas ainda crianças, com idades inferiores a 14 anos

ADN: BASE DE DADOS VAZIA

Mesmo que seja cadastrado, a PJ não apanha o violador com base nos vestígios de ADN recolhidos nos locais do crime porque a base de dados ainda está vazia

 

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